Nos dias que estive internada pensei bastante. Pensei em coisas absolutamente diversas e distintas. Tive no quarto uma companheira que nunca vou esquecer e que irei guardar para sempre no coração. A D. E., Sra de 95 anos, (e peço desde já desculpa por falar num caso sem autorização para tal) era um exemplo de vida. Com esta belíssima idade tomou a decisão de tirar a segunda mama (sendo que a primeira tinha sido retirada há trinta anos atras) e dizia-me a sorrir que nada doia. Não tinha dores e apenas se queixava da comida ensossa. Acho que lhe conquistei o coração quando troquei a minha sopa com ela, pois a minha tinha o normal de sal! A D. E era um amor!!! Completamente lúcida, apesar de um bocado surda, o que dificultava as nossas conversas, era benfiquista ferrenha e tinha vivido quarenta e dois anos em Luanda.
Depois disto, não consigo deixar de acreditar no destino!
D.E foi um gosto e um privilégio conhecê-la!
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