domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dia a dia real

É impressionante como as ideias ou os objectivos para o ano que entram em menos de nada se desfazem. Queria saber mais cedo do gabinete à semana e dou por mim a viajar para as províncias, saindo de madrugada de noite, e aterrando já de noite, num outro dia! 
Queria dedicar mais tempo a brincar com  o Guilherme e hoje, domingo, estou à espera dum cliente numa obra. E quanto a actualizações de blogs ou dos diários do Gui, nem sequer fiz tentativas! 
Dou por mim a pensar que a vida nos comanda. O trabalho dita as ordens, as horas, os dias e grande parte dos pensamentos. E não deveria ser assim. Não deveria mas é. E pouco ou nada consigo fazer para combater isso. 
Há muita gente em Portugal que acha que vivemos na "praia"(aliás, há muita gente em Portugal e há muitas meninas em Luanda que também acham que vieram trabalhar para a praia, e não para um pais que tem mais verão-calor que o normal!! - o que é muito diferente), que acha que a vida é fácil e se ganha muito. 
Ganha-se bem é certo (ou já se ganhou) mas trabalha-se muito. A maioria trabalha ao sábado (e domingo), começa cedo e acaba tarde. A maioria trabalha mais do que trabalhou em Portugal. A maioria não tem cá família. 

À maioria custa estar cá! 
E agora esta coisa da dificuldade de transferir dinheiro está a complicar as coisas. Não que já se sinta muita diferença por cá,mas psicologicamente isto abala. Não conseguir "por o dinheiro lá" é quase trabalhar sem recompensa. 
Aguardam-se com ansiedade dias melhores. Dias mais calmos. Dias em que a imprensa portuguesa não "ponha mais lenha na fogueira". Dias em que nos deixem trabalhar onde ainda há trabalho. 
Sim, porque a maioria a quem custa estar aqui, veio porque "teve de ser". 

Veio porque o pais assim o obrigou. 

Melhores e mais calmos dias se esperam. 



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