segunda-feira, 15 de agosto de 2016

As fotos de Chalé




Nos últimos dias no Kenya, estivemos na Chale Island. Uma mini ilha no sul de Diani Beach, a cerca de 6okm de Mombassa. Seguimos directamente do safari para lá e posso-vos dizer que os acessos me desmoralizaram completamente. Aqueles kms percorridos novamente em picada até chegar ao embarcadouro onde o barco ou o tractor fazem a travessia, deixaram as minhas expectativas mesmo rentinho ao chão. Vimos mais uma vez inúmeros imóveis abandonados, muros fechados, cadeados gigantes, cartazes de venda que ninguém deve dar resposta. Finalmente passamos para a ilha e a minha alegria voltou. O sitio era perfeito. Tudo o que eu imaginava e mais ainda. Tudo o que eu acho que devem ser os hoteis nestas paragens. Despretensiosos mas com elegância e qualidade, com trajes locais e um aroma a fresco no ar. O hotel é lindo, e os funcionários são de uma simpatia sem limites. Ou os quenianos gostam todos de crianças, ou o Guilherme foi um verdadeiro sortudo estes dias.
A ilha possui uma vegetação imensa, mesmo densa, o que permite criar uma atmosfera muito tropical e fresca em todos os espaços. Possuiu uma praia onde estão colocadas as espreguiçadeiras, mas é possível percorrer a ilha e aproveitar as áreas mais desertas. Possui ainda três piscinas, sendo uma de água salgada.
Mais uma vez, devido às marés e à grande diferença que provocam nestas áreas, fazíamos praia de manhã num imenso areal branco, de areia fina como o pó, aproveitando os corais, as zonas de mergulho, e as ”pocinhas” a fazer as delicias do Guilherme. De tarde, e depois de almoçar no bar da praia, íamos até à piscina. Usufruímos de tudo e fazíamos a vontade a todos!
Foram dias de verdadeiro descanso e paz. Comemos lindamente, apanhamos sol, descansamos muito e ainda conseguimos conhecer o spa, uma das minhas áreas de eleição em qualquer destino.
O spa, era sem dúvida uma das áreas mais bonitas da ilha. Embrenhado no coração da vegetação e junto a uma zona de lagoa, as salas de tratamento eram pequenas cabaninhas dispersas entre a intensa vegetação. E aqui dediquei duas horas à minha pessoinha, numa maravilhosa esfoliação de lemongrass, seguida de uma massagem de óleos quentes.
Do fundo do meu ser, cada dia acho mais, que devia (devíamos) ter duas horas destas por mês (no mínimo). São duas horas em que a mente começa a pensar, atinge rapidamente um grau de preocupação intenso, mas depois…Depois deixo-me ir e esqueço. Deixo as preocupações para depois, e descanso…Corpo e mente!
Foram dias muito bons. Foram dias de ferias, em família, de gargalhadas, de alegria, de coisas boas e muito boas.
Foram dias que me fazem pensar que tudo vai correr bem!

 Foto retirada do site do hotel. Aqui é possível ver a proximidade da ilha. Uns horas, uma ilha onde se chega de lancha. Outras, uma praia, atravessada de tractor.

o acesso à ilha de barco - maré alta


  
"KARIBU" - bem vindo em swahili
  a praia com a maré baixa e os corais
a praia com a maré alta 

  
o aceso ao spa e as cabanitas
preparada para duas horas para mim

os ovos das tartatugas




 
A area que atravessamos de lancha no primeiro dia e de trator no ultimo -o acesso à ilha  




 O regresso a casa via Joanesburgo - Sobrevoando o fronteira com a Tanzânia. O Monte Kilimanjaro e o Monte Meru. Apesar da cor, a foto não possui nenhum filtro. O tom azul é consequência da incidência dos raios solares (quase frontais a esta hora da manha) nas janelas do avião.

 
Aeroporto de Joanesburgo - O Guilherme e o Sr Madiba :)
em missangas!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ainda o Tsavo


 o nascer do sol e as caras de sono

Como já disse mais que uma vez, a primeira vez que fiz um safari, lá longe em 2009 no Etosha na Namíbia, não fui muito entusiasmada. Ia mais para ver hotéis e aproveitar o bom turismo que lá se pratica, do que exactamente para ver bichezas! Tinha curiosidade de conhecer a Namíbia e por isso, lá ia toda contente na viagem. Acho que essa falta de entusiasmo face aos animais derivava do facto de nunca ter achado grande piada ao Jardim Zoologico. Estupidez grande minha, pois evidentemente, uma coisa não tem nadaaaaaaa a ver com a outra! E há Jardim Zoológicos e "Jardim Zoológicos" como mais tarde tive oportunidade de ver em Singapura! 
Entretanto e como também já o disse, fiquei a gostar. E muito! Ver estes animais, deste maravilhoso porte, no seu habitat natural, livres, onde nós é que nos sentimos intrusos, é qualquer coisa de incrível. Temos tido muita sorte e já vimos cenas verdadeiramente fantásticas, como uma caçada duma chita na Tanzânia, no Ngongoro National Park.
Mas, por muitos safaris que tenha feito, há uma coisa que me custa sempre horrores...As horas de acordar! Em férias, levantar às 4.30 ou 5h da manha, é uma pequena tragédia! É certo que ver o sol a nascer na savana africana, é algo digno de um filme e recompensa qualquer sono, mas na horinha de levantar da cama, custa tanto.....E ver o Gui a acordar a essa hora, ainda mais custa! Mas, como se diz na minha terra "quem corre por gosto não cansa" (mentira!!) e lá fomos nós, cheios de sono, à procura do Simba mais uma vez!
Neste parque no Kenya, assim como nos que eu visitei na Tanzânia, a entrada dos parques é feita com pessoal credenciado. Ou seja, é obrigatório ir com guias locais, que supostamente conhecem melhor os espaços e até as atitudes dos animais. No Kruger e no Etosha é possível entrar com o nosso próprio parque e percorrer os trilhos, buscando a nossa sorte. 
Na minha opinião, não há comparação possível! Indo com um guia, conseguimos ver muito mais animais, além de que nos sentimos muito mais seguros. A grande maioria deles vai armado, ainda que com armas pessoais, pois a maioria dos parques não autoriza tal.
Eu acho que numa emergência pode dar muito jeito, o que felizmente nunca foi o caso. Além disso, ouvimos variadíssimas historias sobre os parques e dezenas de experiências que eles próprios já viveram. Quase todos fazem isto há anos e anos, e todos eles adoram os países e o mundo selvagem em geral. Além disso, acho uma excelente forma de os governos do país, obrigarem o turista a "participar" na criação de emprego nacional, além de se precaveram de alguns acidentes (alguns muito idiotas) que acontecem quando alguns visitantes saem dos carros, ou se metem onde não devem. Ainda há pouco tempo, no Kruger, dois elefantes viraram um carro (um mini carro) que se meteu no meio da manada. Indo com um ranger, isto não acontece. Eles conhecem os locais, os melhores trilhos e sobretudo os sinais passados pelos animais. Além disso, comunicam entre si, via rádio, partilhando informações e localizações, muitas vezes secretas.




uma girafa Massai - especie existente no Kenya e Tanzania com manchas mais escuras







o adeus ao Tsavo

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Leis controversas

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/dois-hoteis-algarvios-so-para-adultos-processados-por-discriminarem-criancas-1740666




Vi esta noticia hoje. Não concordo. Não percebo o porquê duma queixa destas. Ou o porquê de haver pessoas que entram por estes caminhos. Atenção que eu sou plenamente a favor de as pessoas apresentarem queixas e fazerem valer os seus direitos.

Hotéis para adultos?! Sim, qual é o problema? Eu tenho um filho e usualmente vou de férias com o meu filho, que por acaso é uma criança de quase quatro anos e mediamente (para o médio alto) bem comportada. Mas admito que haja pessoas que preferem não levar com crianças a fazer birra para tomar o leite ao pequeno almoço. Admito e concordo que tenham esse direito. Se pagam por um hotel e muitas vezes até pagam pequenos balúrdios, têm o direito de usufruir do que pretendem. E como o meu filho e eu (que também pago) temos o direito que ele chore,  acho que deve haver espaços distintos, conforme as preferências e as escolhas.
Há uns anos, em 2009, estivemos numa ilha na Malásia, em que existia um único hotel. Nessa ilha, havia espaços distintos e uma pequena área, a área das water villas e do spa, destinada apenas a adultos. Tínhamos uma piscina só para adultos, sem direito a gritos, empurrões e escorregas e uma zona lounge, híper relax onde bebíamos um chá maravilhoso de lemongrass. E eu, na altura, sem filhos, adorei! Achei e continuo a achar uma excelente ideia mesmo. Não acho que as crianças sejam pequenas pestes demoníacas que estragam férias, muito pelo contrario, mas, gosto de ter liberdade de escolher para onde vou e o que ouço ou não. E como tal, também acho que quem não gosta de crianças, ou até quem gosta mas não quer levar com os filhos dos outros, tem esse direito!
O que pretendem estes pais quando apresentam queixa? Que os hotéis sejam obrigados a aceita-los? Mesmo sem o querer ou muitas vezes serem adequados a crianças? Vendo as coisas do meu ponto de vista profissional chamo a atenção para que muitas vezes, ao projectarmos, e tendo em conta o pedido pelo cliente, a questão “child” não é prioritária. Tomamos opções arquitetónica ou meramente estéticas, que de longe não são as melhores opções para crianças. Opções nas piscinas, escolhas de mobiliário ou até estruturas escolhidas para escadas e corrimões.  Atenção que são estas opções não deixam nunca de ser legais.
Eu, na minha ideia de bom senso, quero ir onde me querem. Atenção, que não encaro da mesma forma, o absurdo de hotéis proibidos a homossexuais, como vem aliás no prolongamento da noticia. Aliás, acho completamente ridículo encaixar estas recusas no mesmo caixote. Enquanto uma trata-se claramente de discriminação, a outra, como não aceitar crianças pode e deve trata-se de uma escolha do hotel. Na questão de homossexuais, julgo que sim, que os casais devem apresentar queixas e levar estas situações absolutamente discriminatórias ao limite e se for caso disso aos tribunais.
Sei que provavelmente aqui bateremos de frente no Decreto-Lei 39/2008 (regime jurídico de instalação e funcionamento dos empreendimentos turísticos), mas da mesma forma que gostava e defendo os restaurantes de fumadores específicos, defendo os hotéis “Adult Only”. Supostamente está aqui consagrado o principio do livre acesso, mas não deveríamos pensar na livre escolha de quem o projeta e é seu proprietário? Sei que poderá levantar questões muito dúbias mas quando falamos de crianças e no seu acesso e bem estar, julgo que poderíamos ter esta “alínea” no Decreto.

No outro dia na minha contínua pesquisa de hotéis, deparei-me com a Pensão Agrícola, uma espécie de turismo rural de luxo no Algarve. Uma pensão que se pretende despretensiosa mas que o quadro de chaves é executado pela vitrinista da Hérmes! Na altura, ao ler sobre o local num outro blog,  soube que não aceitavam crianças. Hoje, não encontro qualquer referência a isso.
Um outro exemplo é o Hotel Areias do Seixo, um boutique hotel lindíssimo que visitamos em 2012, perto de Peniche. No site indica zonas distintas para o alojamento de crianças até dez anos, com horários específicos e demasiado limitados para o acesso à piscina (09 as 12h). Para superiores a dez anos, é sujeito a disponibilidade! Isto para mim, é claramente não aceitar crianças e não o poder afirmar publicamente.
Relembro ainda uma situação na passagem de ano, quando tentamos reservar alojamento nas Casas do Coro em Marialva. Conseguíamos confirmar a dormida mas a resposta em relação ao jantar de passagem de ano foi negativa. Segundo eles, não havia disponibilidade na sala de jantar. Estranho não?

Será preferível desta forma? Eu julgo que não. Eu prefiro que me digam directamente as coisas e reservar locais onde o meu filho seja bem vindo!
 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Kenya e os safaris

Julgo, apesar de não ter grandes fontes que o comprovem, que o turismo do Kenya, o que suporta ou pelo menos já suportou cerca de 60% do PBI deste simpático pais africano, nasceu graças aos safaris. 
Os seus gigantescos parques naturais e os seus animais são o ex-libris deste belo país.
Apesar de nós termos seguido directamente (ou quase) para Mombassa, a segunda cidade do pais, na costa do Indico, a grande percentagem dos visitantes que aterra em Nairobi vindo de grande parte do mundo (maioritariamente EUA e centro e norte da Europa) segue para os parques no interior, nomeadamente para o Maasai Mara Natural Reserve, Amboseli National Park e para o Lake Nakaru National Park. Estes são os melhores safaris do Kenya, mas nós infelizmente, e também porque os dias não esticam (infelizmente), reservamo-nos apenas ao East Tsavo, (o maior parque do Kenya e um dos maiores do mundo com cerca de 22.000km2- quase um 1/4 de Portugal, e um dos mais antigos) localizado mais perto da costa e dos nossos hotéis de praia.

Férias de safari não são férias baratas e por isso, não estão ao alcance da maioria dos portugueses. Julgo também que a tradição "tuga", prefere uma boa praia nas Caraíbas ou na Ásia que um jipe com pó atrás da "possibilidade" de encontrar uns leões. Nós já fizemos alguns (Namíbia, Tanzânia, Kruger) e dada a alegria que Guilherme demonstrou em Fevereiro no Kruger, achamos que estando no berço deste tipo de turismo, era um sacrilégio não ver mais umas espécies. Ou, ver as mesmas novamente!
Os safaris no Kenya e na Tanzânia são os mais antigos e os mais clássicos/tradicionais por assim dizer. Quem não se lembra do "África Minha" (1985 de Sydney Pollack)? Nos últimos anos África do Sul tem ganho muitos pontos neste tipo de férias, graças ao grande investimento nos seus hotéis e lodges, mas neste momento o top dos safaris é o Botswana e esse sim, está sem duvida na nossa lista de prioridades. No Botswana existe o Delta do Okavango e o Chobe e ambos (segundo relatos próximos) são fenomenais! No entanto e para quem está a pensar nisso, salvaguardo que a idade mínima é de 16 anos, pois há imensas zonas de pântano/delta e os tours são feitos de canoas. Além deste, sobra-nos os gorilas do Ruanda! Mais um item da nossa Africa List!

Desta vez, fomos ao East Tsavo! Depois da Wild Kenya Safari, e após variosssss contactos via email, nos ter deixado ficar na mão (pois não possuía livre o carro escolhido) encontramos um guia local que nos pareceu de confiança e bastante mais barato que as grandes agências. Por norma, detesto confiar em situações aparentemente não "legalizadas" (Africa não permite estes "arriscanços" e improvisos) mas desta vez e mediante a  gigantesca oferta deste tipo de guias em Mombassa, decidimos arriscar. E arriscamos bem!
À parte do jipe ter 400mil km tudo correu lindamente. Tinha lido anteriormente que a luz no Tsavo era especial e comprovei. Já estive no "mais lindo por do sol do mundo" em Santorini, mas aqui em África, principalmente na savana, e quase em cima do Equador, posso-vos garantir que o pôr do sol bate tudo! O vermelho toma mesmo outra dimensão, outra grandiosidade.
Conseguimos ver novamente leões, girafas, búfalos, gigantescas famílias de elefantes (às dezenas!) , zebras, de tudo um pouco. Foi um bom safari! Falhamos o leopardo e os rinocerontes, que por se encontrarem em perigo de extinção, face à cada vez maior estupidez gigantesca dos homens (noutro post falarei disto!) encontram-se protegidos numa outra área do parque (a área oeste).
O Guilherme já esta o verdadeiro ranger, e quando vê um animal, não fala, ou fala baixinho, o que prova que crianças de três anos, podem (e devem) fazer safaris! Claro que na fantástica ideia dele, vimos o Simba, a mãe e o pai, mas isso é mesmo a beleza dos três anos. 

Ficamos no Voi Safari Lodge, mesmo no interior do parque, numa zona alta, com vistas deslumbrantes.  As vistas são mesmo tão fabulosas que quase nos fazem esquecer da falta de manutenção (também aqui) do hotel. Um hotel de 1967, que noutros tempos deve ter sido de autentico luxo e uma belíssima peça de arquitectura. Escavado e pousado na rocha, possuiu recantos de rara beleza, onde os materiais locais e o tecidos africanos brilham em todo o seu esplendor. Também aqui, aliás, sobretudo aqui, onde tivemos uma conversa com o Chef, tive pena do que se passa com o turismo no Kenya, fruto da sua instabilidade política e do terrorismo latente na região.
Mas a grande maravilha deste lodge é um túnel escavado na rocha, que liga a um "water hole". Water hole são zonas de agua, muitas vezes asseguradas pelo próprio parque (como neste caso) onde os animais matam a sua sede. São normalmente locais onde se podem ver durante o dia, mas principalmente ao nascer e ao por do sol, muitos animais. Em altura de chuvas, até é possível vislumbrar belos episódios de banhos, o que não foi, infelizmente, o caso desta vez. 
Percorrendo o dito túnel, chegamos a uma sala, com grades, onde ficamos a escassos três metros de uma grande família de elefantes! Foi sem duvida, o ponto alto do hotel e do dia!



p.s : por curiosidade, Simba é leão em swahili!

a entrada do parque


 
uma leoa escondida do sol



ovolume dos quartos do hotel virado à fabulosa paisagem

.

  o hotel e as rochas

 
o acesso ao "water hole"
o delirio!