terça-feira, 9 de agosto de 2016

Leis controversas

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/dois-hoteis-algarvios-so-para-adultos-processados-por-discriminarem-criancas-1740666




Vi esta noticia hoje. Não concordo. Não percebo o porquê duma queixa destas. Ou o porquê de haver pessoas que entram por estes caminhos. Atenção que eu sou plenamente a favor de as pessoas apresentarem queixas e fazerem valer os seus direitos.

Hotéis para adultos?! Sim, qual é o problema? Eu tenho um filho e usualmente vou de férias com o meu filho, que por acaso é uma criança de quase quatro anos e mediamente (para o médio alto) bem comportada. Mas admito que haja pessoas que preferem não levar com crianças a fazer birra para tomar o leite ao pequeno almoço. Admito e concordo que tenham esse direito. Se pagam por um hotel e muitas vezes até pagam pequenos balúrdios, têm o direito de usufruir do que pretendem. E como o meu filho e eu (que também pago) temos o direito que ele chore,  acho que deve haver espaços distintos, conforme as preferências e as escolhas.
Há uns anos, em 2009, estivemos numa ilha na Malásia, em que existia um único hotel. Nessa ilha, havia espaços distintos e uma pequena área, a área das water villas e do spa, destinada apenas a adultos. Tínhamos uma piscina só para adultos, sem direito a gritos, empurrões e escorregas e uma zona lounge, híper relax onde bebíamos um chá maravilhoso de lemongrass. E eu, na altura, sem filhos, adorei! Achei e continuo a achar uma excelente ideia mesmo. Não acho que as crianças sejam pequenas pestes demoníacas que estragam férias, muito pelo contrario, mas, gosto de ter liberdade de escolher para onde vou e o que ouço ou não. E como tal, também acho que quem não gosta de crianças, ou até quem gosta mas não quer levar com os filhos dos outros, tem esse direito!
O que pretendem estes pais quando apresentam queixa? Que os hotéis sejam obrigados a aceita-los? Mesmo sem o querer ou muitas vezes serem adequados a crianças? Vendo as coisas do meu ponto de vista profissional chamo a atenção para que muitas vezes, ao projectarmos, e tendo em conta o pedido pelo cliente, a questão “child” não é prioritária. Tomamos opções arquitetónica ou meramente estéticas, que de longe não são as melhores opções para crianças. Opções nas piscinas, escolhas de mobiliário ou até estruturas escolhidas para escadas e corrimões.  Atenção que são estas opções não deixam nunca de ser legais.
Eu, na minha ideia de bom senso, quero ir onde me querem. Atenção, que não encaro da mesma forma, o absurdo de hotéis proibidos a homossexuais, como vem aliás no prolongamento da noticia. Aliás, acho completamente ridículo encaixar estas recusas no mesmo caixote. Enquanto uma trata-se claramente de discriminação, a outra, como não aceitar crianças pode e deve trata-se de uma escolha do hotel. Na questão de homossexuais, julgo que sim, que os casais devem apresentar queixas e levar estas situações absolutamente discriminatórias ao limite e se for caso disso aos tribunais.
Sei que provavelmente aqui bateremos de frente no Decreto-Lei 39/2008 (regime jurídico de instalação e funcionamento dos empreendimentos turísticos), mas da mesma forma que gostava e defendo os restaurantes de fumadores específicos, defendo os hotéis “Adult Only”. Supostamente está aqui consagrado o principio do livre acesso, mas não deveríamos pensar na livre escolha de quem o projeta e é seu proprietário? Sei que poderá levantar questões muito dúbias mas quando falamos de crianças e no seu acesso e bem estar, julgo que poderíamos ter esta “alínea” no Decreto.

No outro dia na minha contínua pesquisa de hotéis, deparei-me com a Pensão Agrícola, uma espécie de turismo rural de luxo no Algarve. Uma pensão que se pretende despretensiosa mas que o quadro de chaves é executado pela vitrinista da Hérmes! Na altura, ao ler sobre o local num outro blog,  soube que não aceitavam crianças. Hoje, não encontro qualquer referência a isso.
Um outro exemplo é o Hotel Areias do Seixo, um boutique hotel lindíssimo que visitamos em 2012, perto de Peniche. No site indica zonas distintas para o alojamento de crianças até dez anos, com horários específicos e demasiado limitados para o acesso à piscina (09 as 12h). Para superiores a dez anos, é sujeito a disponibilidade! Isto para mim, é claramente não aceitar crianças e não o poder afirmar publicamente.
Relembro ainda uma situação na passagem de ano, quando tentamos reservar alojamento nas Casas do Coro em Marialva. Conseguíamos confirmar a dormida mas a resposta em relação ao jantar de passagem de ano foi negativa. Segundo eles, não havia disponibilidade na sala de jantar. Estranho não?

Será preferível desta forma? Eu julgo que não. Eu prefiro que me digam directamente as coisas e reservar locais onde o meu filho seja bem vindo!
 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Kenya e os safaris

Julgo, apesar de não ter grandes fontes que o comprovem, que o turismo do Kenya, o que suporta ou pelo menos já suportou cerca de 60% do PBI deste simpático pais africano, nasceu graças aos safaris. 
Os seus gigantescos parques naturais e os seus animais são o ex-libris deste belo país.
Apesar de nós termos seguido directamente (ou quase) para Mombassa, a segunda cidade do pais, na costa do Indico, a grande percentagem dos visitantes que aterra em Nairobi vindo de grande parte do mundo (maioritariamente EUA e centro e norte da Europa) segue para os parques no interior, nomeadamente para o Maasai Mara Natural Reserve, Amboseli National Park e para o Lake Nakaru National Park. Estes são os melhores safaris do Kenya, mas nós infelizmente, e também porque os dias não esticam (infelizmente), reservamo-nos apenas ao East Tsavo, (o maior parque do Kenya e um dos maiores do mundo com cerca de 22.000km2- quase um 1/4 de Portugal, e um dos mais antigos) localizado mais perto da costa e dos nossos hotéis de praia.

Férias de safari não são férias baratas e por isso, não estão ao alcance da maioria dos portugueses. Julgo também que a tradição "tuga", prefere uma boa praia nas Caraíbas ou na Ásia que um jipe com pó atrás da "possibilidade" de encontrar uns leões. Nós já fizemos alguns (Namíbia, Tanzânia, Kruger) e dada a alegria que Guilherme demonstrou em Fevereiro no Kruger, achamos que estando no berço deste tipo de turismo, era um sacrilégio não ver mais umas espécies. Ou, ver as mesmas novamente!
Os safaris no Kenya e na Tanzânia são os mais antigos e os mais clássicos/tradicionais por assim dizer. Quem não se lembra do "África Minha" (1985 de Sydney Pollack)? Nos últimos anos África do Sul tem ganho muitos pontos neste tipo de férias, graças ao grande investimento nos seus hotéis e lodges, mas neste momento o top dos safaris é o Botswana e esse sim, está sem duvida na nossa lista de prioridades. No Botswana existe o Delta do Okavango e o Chobe e ambos (segundo relatos próximos) são fenomenais! No entanto e para quem está a pensar nisso, salvaguardo que a idade mínima é de 16 anos, pois há imensas zonas de pântano/delta e os tours são feitos de canoas. Além deste, sobra-nos os gorilas do Ruanda! Mais um item da nossa Africa List!

Desta vez, fomos ao East Tsavo! Depois da Wild Kenya Safari, e após variosssss contactos via email, nos ter deixado ficar na mão (pois não possuía livre o carro escolhido) encontramos um guia local que nos pareceu de confiança e bastante mais barato que as grandes agências. Por norma, detesto confiar em situações aparentemente não "legalizadas" (Africa não permite estes "arriscanços" e improvisos) mas desta vez e mediante a  gigantesca oferta deste tipo de guias em Mombassa, decidimos arriscar. E arriscamos bem!
À parte do jipe ter 400mil km tudo correu lindamente. Tinha lido anteriormente que a luz no Tsavo era especial e comprovei. Já estive no "mais lindo por do sol do mundo" em Santorini, mas aqui em África, principalmente na savana, e quase em cima do Equador, posso-vos garantir que o pôr do sol bate tudo! O vermelho toma mesmo outra dimensão, outra grandiosidade.
Conseguimos ver novamente leões, girafas, búfalos, gigantescas famílias de elefantes (às dezenas!) , zebras, de tudo um pouco. Foi um bom safari! Falhamos o leopardo e os rinocerontes, que por se encontrarem em perigo de extinção, face à cada vez maior estupidez gigantesca dos homens (noutro post falarei disto!) encontram-se protegidos numa outra área do parque (a área oeste).
O Guilherme já esta o verdadeiro ranger, e quando vê um animal, não fala, ou fala baixinho, o que prova que crianças de três anos, podem (e devem) fazer safaris! Claro que na fantástica ideia dele, vimos o Simba, a mãe e o pai, mas isso é mesmo a beleza dos três anos. 

Ficamos no Voi Safari Lodge, mesmo no interior do parque, numa zona alta, com vistas deslumbrantes.  As vistas são mesmo tão fabulosas que quase nos fazem esquecer da falta de manutenção (também aqui) do hotel. Um hotel de 1967, que noutros tempos deve ter sido de autentico luxo e uma belíssima peça de arquitectura. Escavado e pousado na rocha, possuiu recantos de rara beleza, onde os materiais locais e o tecidos africanos brilham em todo o seu esplendor. Também aqui, aliás, sobretudo aqui, onde tivemos uma conversa com o Chef, tive pena do que se passa com o turismo no Kenya, fruto da sua instabilidade política e do terrorismo latente na região.
Mas a grande maravilha deste lodge é um túnel escavado na rocha, que liga a um "water hole". Water hole são zonas de agua, muitas vezes asseguradas pelo próprio parque (como neste caso) onde os animais matam a sua sede. São normalmente locais onde se podem ver durante o dia, mas principalmente ao nascer e ao por do sol, muitos animais. Em altura de chuvas, até é possível vislumbrar belos episódios de banhos, o que não foi, infelizmente, o caso desta vez. 
Percorrendo o dito túnel, chegamos a uma sala, com grades, onde ficamos a escassos três metros de uma grande família de elefantes! Foi sem duvida, o ponto alto do hotel e do dia!



p.s : por curiosidade, Simba é leão em swahili!

a entrada do parque


 
uma leoa escondida do sol



ovolume dos quartos do hotel virado à fabulosa paisagem

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  o hotel e as rochas

 
o acesso ao "water hole"
o delirio!





Sapatos


Confesso que nao tenho opinião definida sobre estes sapatos da Zara. Não sei se são muito bonitos ou se não ridículos. Estou naquele fio da navalha 8/80, se é que me entendem. Mas uma certeza tenho... Seriam os sapatos ideais para Luanda! Com este pozinho que se faz sentir nesta terra que não chove desde 15 de Maio, os pompons seriam uma especie de espanador por onde eu passasse! 

p.s: quem desenha isto anda onde?




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mombassa #2

Os primeiros dias ficamos na Costa Sul de Mombassa, na Diani Beach. Privilegiamos a belíssima praia na escolha do hotel. Não era um hotel fabuloso, mas era muito agradável. A praia era muito boa, a piscina era grande com um escorrega que fez as delicias do Guilherme e a vegetação era imensa. Os jardins ocupavam grande parte da área do hotel e eram incríveis.
E estar no Kenya, equivale a ter macacos como companhia na cadeiras da piscina, o que fazia as delicias do Gui. Aproveitando a gigantesca diferença das marés e ao seu efeito nestes areais, organizávamos o nosso dia entre a praia de manha, onde tínhamos sol, areia e maré baixa (e alguns vendedores) e a piscina depois de almoço, protegida do vento que fazia as delicias dos kitesurfers, entre palmeiras gigantescas. 
À semelhança do que acontece em Zanzibar, que é coisa uma copia destas praias, estes hotéis têm praias onde o acesso de locais é permitido, ainda que controlado pela segurança. Assim, e nestes casos, há uma (natural) tentativa dos locais de fazer negocio. Existiam dois Masaai habituais a tentar vender artesanato, e um a passear dois camelos. Apesar de noutras alturas (e ainda hoje) não achar grande piada a este tipo de entretimento que de natural não tem nada, o passeio de camelo na praia foi  a alegria do Guilherme. Como ele diz, o Areias estava no Kenia! Que sorte a nossa!
 
Conseguimos assim aproveitar todo o hotel, inclusive o spa, uma "casita" de portas abertas para o mar, onde uma queniana me pôs as costas no sitio! Uma hora a ouvir o bater das ondas, e a ser amassada! Haja lá coisinha melhor nesta vida?!
 














quinta-feira, 4 de agosto de 2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Medo de viajar



Ontem, falava com uma amiga sobre o Kenya e sobre o ir viajar com a insegurança que se faz sentir estes dias. Não sou “corajosa”. Mas tão pouco me acho imprudente. Penso nos sítios para onde viajo e hoje em dia, o factor terrorismo/política, pesa muito (demasiado) nas minhas decisões. Há sítios belíssimos do mundo, que eu anseio por conhecer e que neste momento não tenho coragem. E um deles é o Sul da Turquia. Ou Israel, ou Karachi, ou Damasco que já pouco deve ter para conhecer. Há uns anos tive o privilégio de passar uma semana em Istambul e lembro-me de na altura, um amigo nosso brincar e dizer que íamos festejar a entrada do ano com bombas. Foi isso mesmo na altura- uma brincadeira, em que nos rimos do ridículo da situação. Estávamos em finais de 2005 e falar de bombas na Turquia era de todo isso - ridículo! Não podia ter sido uma semana mais feliz. Os turcos foram impecáveis, ainda que à moda de um povo verdadeiramente comerciante, fossem um bocado chatos nas compras, e a cidade é simplesmente fabulosa. Tem uma vida, um frenesim, uma agitação, um cheiro próprio duma grande capital, aliada à particularidade de ser uma verdadeira rótula entre civilizações, entre mundos, entre continentes, mas e acima de tudo, entre mentalidades e religiões. E isto, infelizmente nos dias de hoje, tornou-se o motivo pelo qual eu não viajaria com o meu filho a Istambul, nem tão pouco à Turquia. O que noutra época me fascinou a mim e a todos os autores de livros incríveis sobre o Bósforo, a todos os realizadores de tantos maravilhosos filmes, é o que nos afasta hoje. A sua multiculturalidade hoje, lamentavelmente, afasta-nos ou faz-nos ter medo.

Ao ver a foto da homenagem às vitimas de Nice, lembrei-me das primeiras férias que passei com o Guilherme. Ele tinha três meses e escolhemos a Cote D’Azur para o seu primeiro destino. Ficamos no Meriden no Passeio dos Ingleses, e à meia noite do ultimo dia do ano, viemos, juntamente com uns milhares de pessoas, a essa mesma marginal, festejar a entrada do ano e uma nova vida a três. Hoje, esse local, está carregado de tristes acontecimentos e memórias e isso custa-me muito.

Nunca tive medo de visitar um país árabe até porque o Islão sempre me fascinou. Sempre achei que quanto mais “diferente” fosse o local, mais me sentiria em férias. Adorei o Egipto, amei loucamente Marrocos onde passamos mais de três semanas a fazer kms com a alegria da primeira grande viagem aos vinte e dois anos e também Istambul me fascinou. E hoje, que tenho um filho, queria partilhar com ele, parte deste mundo tão bom que conheci e de outro tanto (muito mais) que me falta ver. E tristemente dou por mim, a riscar destinos da minha lista. A riscar a Europa porque está perigosa, a riscar o Médio Oriente porque parece um barril de pólvora, a escolher muito bem em Africa, porque o terrorismo alastra. 

Lia ontem que o turismo na Turquia desceu 35% este ano. Na Tunísia cerca de 40% face aos últimos dois anos. Até Paris, a cidade mais visitada do mundo, perdeu cerca de 15% das suas visitas.

No Kenya, em Mombassa, o cenário é desolador. Nos 60 km que ligam Mombassa ao ponto sul da Diani Beach, são dezenas os imóveis, na sua maioria hotéis, abandonados. Dezenas! Hotéis que outrora foram cenários paradisíacos,  hoje estão abandonados e quase em ruínas. Em conversa com os locais, a tristeza é generalizada e o motivo bem conhecido – a violência pós eleições e o terrorismo de alguns grupos disseminados pelo país. O turismo, grande pilar da economia na década de 70, 80 e 90 (já atingiu cerca de 60%do PIB) foi diminuindo nos últimos anos, mas desde 2014 e os últimos problemas nas fronteiras do Kenya, a queda foi abrupta. É possível ver hotéis lindos, bem desenhados, de um charme incrível que hoje a sua ocupação não justifica sequer a manutenção. 

Sim, pensando friamente, o que é o problema de viajar e conhecer mundo, face à perda de vidas diárias? Não há comparação possível logicamente. Mas custa-me. Doí-me pensar em todas as vidas que não se perdem numa bomba, mas que ficarão limitadas no pensamento, nos sonhos. Custa-me pensar que tenho medo de ir, de aterrar num sitio longínquo (ou não). Custa-me pensar que há cidades a ficar desertas (mesmo as que não têm bombas e mortos) apenas consequência do medo. Custa-me pensar que não vou visitar a Siria e os seus tesouros inigualáveis. Custa-me pensar que o medo vai ganhar e instalar-se por esse mundo fora. 

E o medo, é a maior e a mais perigosa de todas das armas.

 imagem retirada do Publico. Mais informações em Global Terrorism Index

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mombassa - o programa #1

Como já tinha dito fomos de ferias ao Kenya. A prioridade era voar desde Luanda, para para os bilhetes em kwanzas e por exclusão de partes (mau tempo e condições políticas) a escolha acabou por ser o Kenya. Quando digo "acabou por ser" não por não querer conhecer o país, longe disso, mas havia sem dúvida outros prioritários. Sempre achei e acabei por confirmar, que o Kenya seria uma outra Tanzânia e por isso, tínhamos em mente outras paragens (Madagascar) mas ficaram para outros verões, em que espero, o país esteja mais calmo.
E assim, seguimos para umas férias os três, à semelhança dumas outras que fizemos em 2010 a dois ainda. Também na altura era época de grandes jogos de futebol. Nesse ano, vimos Portugal em a ser ganhar estrondosamente (7/0) em Cape Town e vimos Espanha a ser campeã do Mundo em Roma. Aliás vimos a luas das espanholas a mergulhar na Fontana de Trevi nessa noite! Este ano, fomos de férias como campeões e reconhecidos, até no Kenya, como tal.

O programa estava estabelecido: três dias na costa, em Diani Beach, Mombassa, dois dias de Safari no East Tsavo Park e quatro dias numa mini ilha ao largo da costa, a Chalé Island.
Começamos mal com aviões super atrasados e uma escala em Nairobi quase complicada.  Fica o aviso: quando voarem para o Kenya e tiverem um voo interno, saibam que a passagem de malas dum aeroporto para o outro, é feita pelos passageiros! À moda de Luanda :(

Ou seja, aterramos em Nairobi muito atrasados, num aeroporto grande (há imensos voos de ligação à Europa e à Ásia) com um trafego considerável, com muita segurança (militar) e poucas indicações e informações. Ao fim de algum tempo "perdidos" lá fomos tirar o "Visa" a correr (as filas eram medonhas, o que prova que não funciona muito bem)passando à frente de dezenas de pessoas e fomos informados que tínhamos de retirar a bagagem e mudar de aeroporto. Aiiiiiiiii! Mudar de aeroporto, que por acaso é do outro lado da imensa praça/rotunda, com três malas e uma criança de três anos num carrinho! Valha-nos nesta altura o belo Maclaren! Literalmente a correr feitos tolinhos e já com a língua de fora, chegamos ao outro aeroporto, para descobrir que "a onda é ter calma, porque tudo se resolve", e o avião para Mombassa estava também atrasado. O verdadeiro Wakuna Matata! 

Descansamos um bocado e aproveitamos para ver as noticias. A televisão alternava entre Nice e a Turquia a braços com um possível golpe de estado. É estranho o sentimento de estar longe de tudo, num pais desconhecido, numa sala de embarque estranha a ver estas noticias. Parece que o mundo não para de nos aterrorizar. Reconheci o hotel onde fizemos as primeiras férias a três em Nice nas imagens e custou-me. Custou-me saber que o medo se instala em sítios tão lindos e onde fui tão feliz.
E apesar da minha convicção ser de que temos de continuar a ir, a viajar e a não ter medo, estar no Kenya a ver estas imagens, fez-me logicamente pensar na nossa segurança.

Quando aterramos em Mombassa, o meu medo aumentou. Os acessos ao aeroporto (também por estarem em obras) são indescritíveis, mesmo para quem está muito habituada a África e ao menos bom deste continente. Penso mesmo que ao comum turista, aqueles 40km às duas da madrugada seriam motivo para um retorno a casa. A passagem para a costa sul de Mombassa(Diani Beach) é feita numa breve passagem de ferry. Ou seja, aqueles dez minutos foram a cereja no topo do bolo.  Àquela hora e depois de ter saído de casa há mais 28 horas (fizemos Porto-Lisboa-Luanda, e após uma ida a casa para trocar de malas, Luanda-Nairobi-Mombassa) ter de entrar num ferry para atravessar algo em que a iluminação e todo o envolvente deixa muito a desejar, fizeram-me seriamente pensar que estava louca, em ter escolhido o Kenya para viajar com o Guilherme.  Enfim, tudo correu lindamente e às três da manha estávamos deitados no quarto do primeiro hotel escolhido. O Guilherme dormia desde que entramos no carro, o que mais uma vez, veio comprovar a minha ideia, que é fácil viajar com crianças! Como a minha, claro!