Julgo, apesar de não ter grandes fontes que o comprovem, que o turismo do Kenya, o que suporta ou pelo menos já suportou cerca de 60% do PBI deste simpático pais africano, nasceu graças aos safaris.
Os seus gigantescos parques naturais e os seus animais são o ex-libris deste belo país.
Apesar de nós termos seguido directamente (ou quase) para Mombassa, a segunda cidade do pais, na costa do Indico, a grande percentagem dos visitantes que aterra em Nairobi vindo de grande parte do mundo (maioritariamente EUA e centro e norte da Europa) segue para os parques no interior, nomeadamente para o Maasai Mara Natural Reserve, Amboseli National Park e para o Lake Nakaru National Park. Estes são os melhores safaris do Kenya, mas nós infelizmente, e também porque os dias não esticam (infelizmente), reservamo-nos apenas ao East Tsavo, (o maior parque do Kenya e um dos maiores do mundo com cerca de 22.000km2- quase um 1/4 de Portugal, e um dos mais antigos) localizado mais perto da costa e dos nossos hotéis de praia.
Férias de safari não são férias baratas e por isso, não estão ao alcance da maioria dos portugueses. Julgo também que a tradição "tuga", prefere uma boa praia nas Caraíbas ou na Ásia que um jipe com pó atrás da "possibilidade" de encontrar uns leões. Nós já fizemos alguns (Namíbia, Tanzânia, Kruger) e dada a alegria que Guilherme demonstrou em Fevereiro no Kruger, achamos que estando no berço deste tipo de turismo, era um sacrilégio não ver mais umas espécies. Ou, ver as mesmas novamente!
Os safaris no Kenya e na Tanzânia são os mais antigos e os mais clássicos/tradicionais por assim dizer. Quem não se lembra do "África Minha" (1985 de Sydney Pollack)? Nos últimos anos África do Sul tem ganho muitos pontos neste tipo de férias, graças ao grande investimento nos seus hotéis e lodges, mas neste momento o top dos safaris é o Botswana e esse sim, está sem duvida na nossa lista de prioridades. No Botswana existe o Delta do Okavango e o Chobe e ambos (segundo relatos próximos) são fenomenais! No entanto e para quem está a pensar nisso, salvaguardo que a idade mínima é de 16 anos, pois há imensas zonas de pântano/delta e os tours são feitos de canoas. Além deste, sobra-nos os gorilas do Ruanda! Mais um item da nossa Africa List!
Desta vez, fomos ao East Tsavo! Depois da Wild Kenya Safari, e após variosssss contactos via email, nos ter deixado ficar na mão (pois não possuía livre o carro escolhido) encontramos um guia local que nos pareceu de confiança e bastante mais barato que as grandes agências. Por norma, detesto confiar em situações aparentemente não "legalizadas" (Africa não permite estes "arriscanços" e improvisos) mas desta vez e mediante a gigantesca oferta deste tipo de guias em Mombassa, decidimos arriscar. E arriscamos bem!
À parte do jipe ter 400mil km tudo correu lindamente. Tinha lido anteriormente que a luz no Tsavo era especial e comprovei. Já estive no "mais lindo por do sol do mundo" em Santorini, mas aqui em África, principalmente na savana, e quase em cima do Equador, posso-vos garantir que o pôr do sol bate tudo! O vermelho toma mesmo outra dimensão, outra grandiosidade.
Conseguimos ver novamente leões, girafas, búfalos, gigantescas famílias de elefantes (às dezenas!) , zebras, de tudo um pouco. Foi um bom safari! Falhamos o leopardo e os rinocerontes, que por se encontrarem em perigo de extinção, face à cada vez maior estupidez gigantesca dos homens (noutro post falarei disto!) encontram-se protegidos numa outra área do parque (a área oeste).
O Guilherme já esta o verdadeiro ranger, e quando vê um animal, não fala, ou fala baixinho, o que prova que crianças de três anos, podem (e devem) fazer safaris! Claro que na fantástica ideia dele, vimos o Simba, a mãe e o pai, mas isso é mesmo a beleza dos três anos.
Ficamos no Voi Safari Lodge, mesmo no interior do parque, numa zona alta, com vistas deslumbrantes. As vistas são mesmo tão fabulosas que quase nos fazem esquecer da falta de manutenção (também aqui) do hotel. Um hotel de 1967, que noutros tempos deve ter sido de autentico luxo e uma belíssima peça de arquitectura. Escavado e pousado na rocha, possuiu recantos de rara beleza, onde os materiais locais e o tecidos africanos brilham em todo o seu esplendor. Também aqui, aliás, sobretudo aqui, onde tivemos uma conversa com o Chef, tive pena do que se passa com o turismo no Kenya, fruto da sua instabilidade política e do terrorismo latente na região.
Mas a grande maravilha deste lodge é um túnel escavado na rocha, que liga a um "water hole". Water hole são zonas de agua, muitas vezes asseguradas pelo próprio parque (como neste caso) onde os animais matam a sua sede. São normalmente locais onde se podem ver durante o dia, mas principalmente ao nascer e ao por do sol, muitos animais. Em altura de chuvas, até é possível vislumbrar belos episódios de banhos, o que não foi, infelizmente, o caso desta vez.
Percorrendo o dito túnel, chegamos a uma sala, com grades, onde ficamos a escassos três metros de uma grande família de elefantes! Foi sem duvida, o ponto alto do hotel e do dia!
p.s : por curiosidade, Simba é leão em swahili!
a entrada do parque
o delirio!


