segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Sapatos


Confesso que nao tenho opinião definida sobre estes sapatos da Zara. Não sei se são muito bonitos ou se não ridículos. Estou naquele fio da navalha 8/80, se é que me entendem. Mas uma certeza tenho... Seriam os sapatos ideais para Luanda! Com este pozinho que se faz sentir nesta terra que não chove desde 15 de Maio, os pompons seriam uma especie de espanador por onde eu passasse! 

p.s: quem desenha isto anda onde?




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mombassa #2

Os primeiros dias ficamos na Costa Sul de Mombassa, na Diani Beach. Privilegiamos a belíssima praia na escolha do hotel. Não era um hotel fabuloso, mas era muito agradável. A praia era muito boa, a piscina era grande com um escorrega que fez as delicias do Guilherme e a vegetação era imensa. Os jardins ocupavam grande parte da área do hotel e eram incríveis.
E estar no Kenya, equivale a ter macacos como companhia na cadeiras da piscina, o que fazia as delicias do Gui. Aproveitando a gigantesca diferença das marés e ao seu efeito nestes areais, organizávamos o nosso dia entre a praia de manha, onde tínhamos sol, areia e maré baixa (e alguns vendedores) e a piscina depois de almoço, protegida do vento que fazia as delicias dos kitesurfers, entre palmeiras gigantescas. 
À semelhança do que acontece em Zanzibar, que é coisa uma copia destas praias, estes hotéis têm praias onde o acesso de locais é permitido, ainda que controlado pela segurança. Assim, e nestes casos, há uma (natural) tentativa dos locais de fazer negocio. Existiam dois Masaai habituais a tentar vender artesanato, e um a passear dois camelos. Apesar de noutras alturas (e ainda hoje) não achar grande piada a este tipo de entretimento que de natural não tem nada, o passeio de camelo na praia foi  a alegria do Guilherme. Como ele diz, o Areias estava no Kenia! Que sorte a nossa!
 
Conseguimos assim aproveitar todo o hotel, inclusive o spa, uma "casita" de portas abertas para o mar, onde uma queniana me pôs as costas no sitio! Uma hora a ouvir o bater das ondas, e a ser amassada! Haja lá coisinha melhor nesta vida?!
 














quinta-feira, 4 de agosto de 2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Medo de viajar



Ontem, falava com uma amiga sobre o Kenya e sobre o ir viajar com a insegurança que se faz sentir estes dias. Não sou “corajosa”. Mas tão pouco me acho imprudente. Penso nos sítios para onde viajo e hoje em dia, o factor terrorismo/política, pesa muito (demasiado) nas minhas decisões. Há sítios belíssimos do mundo, que eu anseio por conhecer e que neste momento não tenho coragem. E um deles é o Sul da Turquia. Ou Israel, ou Karachi, ou Damasco que já pouco deve ter para conhecer. Há uns anos tive o privilégio de passar uma semana em Istambul e lembro-me de na altura, um amigo nosso brincar e dizer que íamos festejar a entrada do ano com bombas. Foi isso mesmo na altura- uma brincadeira, em que nos rimos do ridículo da situação. Estávamos em finais de 2005 e falar de bombas na Turquia era de todo isso - ridículo! Não podia ter sido uma semana mais feliz. Os turcos foram impecáveis, ainda que à moda de um povo verdadeiramente comerciante, fossem um bocado chatos nas compras, e a cidade é simplesmente fabulosa. Tem uma vida, um frenesim, uma agitação, um cheiro próprio duma grande capital, aliada à particularidade de ser uma verdadeira rótula entre civilizações, entre mundos, entre continentes, mas e acima de tudo, entre mentalidades e religiões. E isto, infelizmente nos dias de hoje, tornou-se o motivo pelo qual eu não viajaria com o meu filho a Istambul, nem tão pouco à Turquia. O que noutra época me fascinou a mim e a todos os autores de livros incríveis sobre o Bósforo, a todos os realizadores de tantos maravilhosos filmes, é o que nos afasta hoje. A sua multiculturalidade hoje, lamentavelmente, afasta-nos ou faz-nos ter medo.

Ao ver a foto da homenagem às vitimas de Nice, lembrei-me das primeiras férias que passei com o Guilherme. Ele tinha três meses e escolhemos a Cote D’Azur para o seu primeiro destino. Ficamos no Meriden no Passeio dos Ingleses, e à meia noite do ultimo dia do ano, viemos, juntamente com uns milhares de pessoas, a essa mesma marginal, festejar a entrada do ano e uma nova vida a três. Hoje, esse local, está carregado de tristes acontecimentos e memórias e isso custa-me muito.

Nunca tive medo de visitar um país árabe até porque o Islão sempre me fascinou. Sempre achei que quanto mais “diferente” fosse o local, mais me sentiria em férias. Adorei o Egipto, amei loucamente Marrocos onde passamos mais de três semanas a fazer kms com a alegria da primeira grande viagem aos vinte e dois anos e também Istambul me fascinou. E hoje, que tenho um filho, queria partilhar com ele, parte deste mundo tão bom que conheci e de outro tanto (muito mais) que me falta ver. E tristemente dou por mim, a riscar destinos da minha lista. A riscar a Europa porque está perigosa, a riscar o Médio Oriente porque parece um barril de pólvora, a escolher muito bem em Africa, porque o terrorismo alastra. 

Lia ontem que o turismo na Turquia desceu 35% este ano. Na Tunísia cerca de 40% face aos últimos dois anos. Até Paris, a cidade mais visitada do mundo, perdeu cerca de 15% das suas visitas.

No Kenya, em Mombassa, o cenário é desolador. Nos 60 km que ligam Mombassa ao ponto sul da Diani Beach, são dezenas os imóveis, na sua maioria hotéis, abandonados. Dezenas! Hotéis que outrora foram cenários paradisíacos,  hoje estão abandonados e quase em ruínas. Em conversa com os locais, a tristeza é generalizada e o motivo bem conhecido – a violência pós eleições e o terrorismo de alguns grupos disseminados pelo país. O turismo, grande pilar da economia na década de 70, 80 e 90 (já atingiu cerca de 60%do PIB) foi diminuindo nos últimos anos, mas desde 2014 e os últimos problemas nas fronteiras do Kenya, a queda foi abrupta. É possível ver hotéis lindos, bem desenhados, de um charme incrível que hoje a sua ocupação não justifica sequer a manutenção. 

Sim, pensando friamente, o que é o problema de viajar e conhecer mundo, face à perda de vidas diárias? Não há comparação possível logicamente. Mas custa-me. Doí-me pensar em todas as vidas que não se perdem numa bomba, mas que ficarão limitadas no pensamento, nos sonhos. Custa-me pensar que tenho medo de ir, de aterrar num sitio longínquo (ou não). Custa-me pensar que há cidades a ficar desertas (mesmo as que não têm bombas e mortos) apenas consequência do medo. Custa-me pensar que não vou visitar a Siria e os seus tesouros inigualáveis. Custa-me pensar que o medo vai ganhar e instalar-se por esse mundo fora. 

E o medo, é a maior e a mais perigosa de todas das armas.

 imagem retirada do Publico. Mais informações em Global Terrorism Index

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mombassa - o programa #1

Como já tinha dito fomos de ferias ao Kenya. A prioridade era voar desde Luanda, para para os bilhetes em kwanzas e por exclusão de partes (mau tempo e condições políticas) a escolha acabou por ser o Kenya. Quando digo "acabou por ser" não por não querer conhecer o país, longe disso, mas havia sem dúvida outros prioritários. Sempre achei e acabei por confirmar, que o Kenya seria uma outra Tanzânia e por isso, tínhamos em mente outras paragens (Madagascar) mas ficaram para outros verões, em que espero, o país esteja mais calmo.
E assim, seguimos para umas férias os três, à semelhança dumas outras que fizemos em 2010 a dois ainda. Também na altura era época de grandes jogos de futebol. Nesse ano, vimos Portugal em a ser ganhar estrondosamente (7/0) em Cape Town e vimos Espanha a ser campeã do Mundo em Roma. Aliás vimos a luas das espanholas a mergulhar na Fontana de Trevi nessa noite! Este ano, fomos de férias como campeões e reconhecidos, até no Kenya, como tal.

O programa estava estabelecido: três dias na costa, em Diani Beach, Mombassa, dois dias de Safari no East Tsavo Park e quatro dias numa mini ilha ao largo da costa, a Chalé Island.
Começamos mal com aviões super atrasados e uma escala em Nairobi quase complicada.  Fica o aviso: quando voarem para o Kenya e tiverem um voo interno, saibam que a passagem de malas dum aeroporto para o outro, é feita pelos passageiros! À moda de Luanda :(

Ou seja, aterramos em Nairobi muito atrasados, num aeroporto grande (há imensos voos de ligação à Europa e à Ásia) com um trafego considerável, com muita segurança (militar) e poucas indicações e informações. Ao fim de algum tempo "perdidos" lá fomos tirar o "Visa" a correr (as filas eram medonhas, o que prova que não funciona muito bem)passando à frente de dezenas de pessoas e fomos informados que tínhamos de retirar a bagagem e mudar de aeroporto. Aiiiiiiiii! Mudar de aeroporto, que por acaso é do outro lado da imensa praça/rotunda, com três malas e uma criança de três anos num carrinho! Valha-nos nesta altura o belo Maclaren! Literalmente a correr feitos tolinhos e já com a língua de fora, chegamos ao outro aeroporto, para descobrir que "a onda é ter calma, porque tudo se resolve", e o avião para Mombassa estava também atrasado. O verdadeiro Wakuna Matata! 

Descansamos um bocado e aproveitamos para ver as noticias. A televisão alternava entre Nice e a Turquia a braços com um possível golpe de estado. É estranho o sentimento de estar longe de tudo, num pais desconhecido, numa sala de embarque estranha a ver estas noticias. Parece que o mundo não para de nos aterrorizar. Reconheci o hotel onde fizemos as primeiras férias a três em Nice nas imagens e custou-me. Custou-me saber que o medo se instala em sítios tão lindos e onde fui tão feliz.
E apesar da minha convicção ser de que temos de continuar a ir, a viajar e a não ter medo, estar no Kenya a ver estas imagens, fez-me logicamente pensar na nossa segurança.

Quando aterramos em Mombassa, o meu medo aumentou. Os acessos ao aeroporto (também por estarem em obras) são indescritíveis, mesmo para quem está muito habituada a África e ao menos bom deste continente. Penso mesmo que ao comum turista, aqueles 40km às duas da madrugada seriam motivo para um retorno a casa. A passagem para a costa sul de Mombassa(Diani Beach) é feita numa breve passagem de ferry. Ou seja, aqueles dez minutos foram a cereja no topo do bolo.  Àquela hora e depois de ter saído de casa há mais 28 horas (fizemos Porto-Lisboa-Luanda, e após uma ida a casa para trocar de malas, Luanda-Nairobi-Mombassa) ter de entrar num ferry para atravessar algo em que a iluminação e todo o envolvente deixa muito a desejar, fizeram-me seriamente pensar que estava louca, em ter escolhido o Kenya para viajar com o Guilherme.  Enfim, tudo correu lindamente e às três da manha estávamos deitados no quarto do primeiro hotel escolhido. O Guilherme dormia desde que entramos no carro, o que mais uma vez, veio comprovar a minha ideia, que é fácil viajar com crianças! Como a minha, claro!


















segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sempre o meu Porto



As férias foram boas. Quase muito boas, mas..Nem sempre as coisas correm como temos esperança. Estivemos em Portugal com os nossos a matar saudades, vimos Portugal a ser campeão e festejamos em casa. Melhor? Impossível! Andamos de comboio, de riquexó e passeamos na mais linda cidade. Fizemos mais uma sessão de fotografias com a Marcia, que conto mostrar em breve. E experimentamos mais dois restaurantes novos.

Fomos finalmente ao Romando Sushi Caffé, a Vila do Conde comer sushi. Já muitas e muitas vezes tinha ouvido falar deste restaurante, e as opiniões tinham sido sempre as melhores. Talvez por isso, e pela ausência de três meses de Portugal, as expectativas fossem tão altas.
O sushi é bom, mas não é o “melhor que já comi”. O sashimi é o que mais surpreende, quer pela variedade, quer pela frescura, mas a espera de 1h e 30m aproximadamente, numa esplanada junto ao Rio, sem aquecedor, quase que estraga qualquer jantar. Não fosse as saudades das amigas e a boa conversa e a espera tinha sido desastrosa. Há duas ou três mesas na esplanada sem aquecedor superior, o que num espaço exterior em Vila do Conde, não se consegue compreender. Valeram as gargalhadas e o preço, que é bastante agradável.

Fomos também ao Panca - Chevicheria, no Parque da Cidade.  Provamos dois menus, sendo o do Nuno superior ao meu, de salmão (acho que foi castigo de não querer arriscar e manter-me sempre na segurança do salmão). Mas além do ceviche ser muito bom, o ambiente e o conceito são fabulosos. Os funcionários/donos são duma simpatia incrível e ainda nos rimos com o contexto de “emigra que vem à terra e tem de provar tudo”!! As empadas sinceramente não gostei, mas o gelado é muito bom.

E em termos gastronómicos foram as únicas novidades, lamentavelmente. O Porto está no seu auge e é impossível jantar nos novos restaurantes sem reservas muito antecipadas. Repetimos o Cozinhados Loios onde o chefe, super simpático, fez questão de nos explicar e dar umas luzes sobre o seu maravilhoso cous-cous, apesar da estrela do jantar ter sido o risotto de sapateira! Haja coisa deliciosa!
Repetimos ainda o Tapabento almoçar (jantar é completamente impossível) onde nos degustamos até nos empanturrar! Literalmente, a gulodice ganhou, quando pedimos a segunda dose de tortilha!

O meu Porto está cada dia mais bonito, com restaurantes, tascos e tasquinhos em cada esquina. Ficaram por conhecer o Puro 4050, o Belos Aires, e o SOS!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ainda o Comboio ao Douro


Ainda o Douro.
Ainda os bons passeios. 
Ainda os bons amigos.
Ainda Portugal e os meus.


Foto maravilhosa cedida pela minha comadre :)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Comboio Historico do Douro - O nosso Douro





 

Umas semanas antes de ir e após ter visualizado uma reportagem na tv, tratei de organizar, ou tentar pelo menos, uma viagem à Régua.
Um primeiro post a dizer mal do site da CP, e ainda a procissão ia no adro.
A fase da compra dos bilhetes não foi fácil. A compra é apenas física, o que na minha opinião inviabiliza compras por parte de estrangeiros, as informações são diminutas e até muito contraditórias.
Os próprios bilhetes possuem informações erradas, ao indicar apenas a viagem de ida, e não de ida e volta como deveriam. Não é esta a imagem que queremos passar deste nosso tão maravilhoso pais. O Porto tem o turismo a atingir valores históricos e urge reformular este serviço. Urge promover mas de uma forma completa e correcta.

Mas adiante! Chegou o dia e fomos, felizes e contentes! Fomos em gênero excursão como qualquer emigrante que se preze e só faltou mesmo a Renex e o farnel, com o garrafão devido. 

Fomos de manhã cedo e almoçamos na Régua, no restaurante Castas e Pratos. Além do restaurante ser lindíssimo e ter vistas directas para a Estação de Comboio, comemos lindamente. O restaurante e todo o seu staff estão atentíssimos à questão da viagem de comboio e têm imenso cuidado com as horas, o que no nosso caso, grupo atrasado por natureza e a gostar de provar, e provar e comer e beber, foi muito importante!

E às 15h20m (pontualidade a parabenizar) e após terem vindo confirmar a nossa presença, lá fomos nós, numa carruagem cheia, mas com os nossos lugares marcados, como me tinha sido garantido telefonicamente (e como tinha sido negado pela funcionária da bilheteira), em direção ao Tua. Crianças, adultos, turistas, naturais da terra, rancho folclórico inclusive, em direção ao Tua. E absolutamente maravilhados. A viagem é linda. A paisagem é do melhor que temos no nosso belo país. O dia era de calor, de sol aberto, com amigos, e por isso, só podia correr bem! Mas correu muito melhor do que pensava. A viagem é muito acima de tudo o que pensei, e mesmo conhecendo, e bem, as paisagens do nosso Douro, fiquei deslumbrada.
Não posso também deixar de referir que o comboio está belissimamente bem recuperado, tanto interiormente como pelo exterior.

E talvez por isso, quando vi a noticia do vandalismo às carruagens esta semana, grafitadas por uma cambada de palermas, só penso que este tipo de coisas devia ser resolvido à bofetada! Mas à bofetada valente! O que passa na cabeça destes palermas para “sprayzar” (julgo que grafitar até é enaltecer o que não pode ser enaltecido) um comboio histórico? Que raio de divertimento é este?

Gentes de Portugal, talvez por estar fora, eu dê mais valor ao que é nosso. Talvez a saudade faça os meus olhos olharem com mais amor para tudo o que é português e tão genuíno. Mas a bem da vossa cultura, do vosso conhecimento do vosso país, façam esta viagem!

Post (infelizmente) não patrocinado pela CP :)