terça-feira, 21 de junho de 2016

Férias 2016

Este ano, para não variar muito (para ser sincera, desde que o Guilherme nasceu!) ainda não sei para onde vamos de ferias.
Vamos de férias no próximo mês e nada de certezas a esta hora. Mas também ando com azar. Acho mesmo que tudo isto não passa duma conspiração dos deuses conta a minha pessoa e em particular, contra as minhas férias.
Tendo em conta a actual conjuntura nacional (angolana) e a imensa dificuldade (vulgo total incapacidade) de transferência de salários para Portugal, decidimos ir de férias a partir de cá. Com esta "milagrosa" ideia, pagaríamos o voo em kwnzas e assim "só" utilizaríamos os preciosos euros que temos em Portugal para pagar o hotel. Até aqui, tudo maravilhoso. Eis que surgem as dificuldades.. Dificuldades essas que em África, são muito mais que o dia a dia, infelizmente!
Primeira opção (desde há meses) - Madagascar! Simulação de bilhetes feita e começo eu a procurar itinerários e programas. Nesta pesquisa, deparo-me com um simpatico (ou não) aviso da UK Embassy a desaconselhar visitas ao local!
Segunda opção - Mauricias. Visito o accuweather e desisto ao ver as temperaturas máximas de 20ºC;
Terceira opção - Já um pouco à desamão - Maldivas. O accuweather prevê a pior semana do trimestre entre 18 e 24 de Julho. O mesmo se passando, em copia perfeita, nas Seycheles.
Quarta opção (completa louca e e fase de desespero)- Bali (com voos de 34 horas). Opção em que concordamos os dois e que desistimos os dois em uníssono ao saber do preço dos bilhetes. Qualquer coisa como 650.000,00 Akz. Para o comum dos mortais, e ao cambio do banco comercial, o equivalente a 3.000€ para voos por pessoa. Qualquer coisa que 1.150€ resolveriam, se partisse de Lisboa com a mesma companhia, Emirates.
Quinta opção: Moçambique. Não porque me desagrade, mas porque já estivemos em Maputo e não gosto muito de repetir. Pensei em Maputo apenas para recordar e depois, uma ilha para descansar. Talvez Banzaruto ou até Quirimbas. Apesar de saber dos noticiados conflitos actuais, fui ver. Desisti ao fim da segunda noticia. 
Vivendo em África há uns anos, tenho a consciência que as noticias que passam na televisão, principalmente na Sic, têm um "quê" grande de exagero, e por isso, muitas vezes nos próprios locais a coisa não é tão grave como parece. Mas neste caso,mesmo que seja apenas um terço, é demasiado agressivo para arriscar.

Resumindo, ontem tínhamos na mão, ou na cabeça, já muito desiludida, três alternativas: São Tomé e Príncipe e Victoria Falls ou Sossuvlei na Namibia. Tendo o meu gajo torcido  nariz a férias sem praia, virei-me para São Tomé. Pesquisei, vi, analisei e o que li agradou-me. Parece-me um sitio engraçado e com algum interesse.
África é um continente sem igual. É um continente com uma capacidade absolutamente brutal em termos turísticos.Tem praias no Indico paradisíacas, tem florestas, tem safari, tem histórias de reis para contar, tem gorilas, tem tudo. Mas, neste momento...é difícil poder ir a algum lado!! Os conflitos têm-se espalhado bastante nos últimos tempos e os países em paz, e turisticamente apelativos, são considerados turismo de luxo, o que inviabiliza a grande maioria das carteiras.

p.s: Quanto à conversa com o São Pedro sobre o tempo nessa semana,será outro campeonato.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Maior dia do ano

Se há dia que tenho saudades de casa é hoje (acho que digo isto, vezes demais). Não especialmente hoje, dia 20 de Junho, mas destes dias. Dos dias longos, quando na minha terra, o sol dura até à noite. Lembro-me de estudar na faculdade e adorar esta altura. Apesar de andar sempre com horas e sonos trocados, está era a altura que saímos das aulas e por mais que ficássemos na conversa, ainda era de dia. Ainda era dia. Os dias não acabavam nunca. E a beleza do meu Porto, aquela varanda de São Bento da Vitória, menos ainda. Nunca fui mulher de manhãs. Nunca acordei cedo e sempre me custou viver logo de manhã. Mas o fim do dia para mim é uma hora boa. Uma hora que me lembra tempos indos, luzes antigas. Esta é a hora que começam os santos populares, que se janta mas de dia, que se sai. Que a penumbra permite nas persianas tão portuenses, os mais belos jogos de reflexos. 

Mudei-me para um país dos trópicos. De verão o ano todo, mas de dias curtos. De dias pequenos. E é desse sol das oito da noite que tenho saudades hoje. Hoje mais que os outros dias. 

Coisas que não interessam a ninguém mas que me fazem pensar #2 - Estar grávida na fila




O post de hoje é controverso. Ontem, até lhe chamei “post de queijinho ou de confusão” no fb.
Sei que algumas concordarão comigo, outras acham idiota sequer eu pensar assim.
Ontem, estávamos na fila para comprar bilhetes de cinema, aqui em Luanda. Cinema novo, sitio com qualidade e consequentemente, dezenas de pessoas à espera por algum tempo.
E eis que mesmo quando íamos ser atendidos, os três, surge uma senhora gravida (pouco gravida diga-se a bem da verdade) e passa descaradamente à frente de todos. Quando por nós confrontada, responde naturalmente “estou gravida” e mostra a barriga. Como se a barriga desse direito a tudo.
Pois, na minha opinião, aquela barriga fabulosa, que lá dentro certamente o mais adorado dos filhos, não lhe dá direito a tudo. Ou aliás, dá, mas não deveria dar.
O pai da criança, ou pelo menos, acompanhante da Sra., estava descansadamente cá atrás a ver lojas, enquanto ela, coitadinha, grávida, teve de passar à frente pois não podia estar de pé. 
Ora bolas!!!!!  WTF!!!!

Vamos por partes na escrita. Ponto um: concordo absolutamente com a prioridade. Concordo mesmo a 100%, embora nas trinta e sete semanas de gravidez, muito pouco a tenha usado. Mas sim, concordo. Mas acho que deve ser utilizada em situações do chamado “serviço público, obrigatório”. Acho que devem passar à frente nos hospitais, nas farmácias, nos correios, nos aeroportos, supermercados, padarias etc., nos autocarros. Acho que devem apanhar um táxi primeiro, ou entrar nas casas de banho à frente de qualquer pessoa. Totalmente de acordo!

Agora, “bater perna” no shopping e depois ter prioridade para pagar na Zara?! A sério que a lei portuguesa diz isto?
Uma vez vi uma Sra. grávida, em pleno Mar shopping, a usar da sua fabulosa prioridade para pagar no Macdonalds, e o coitado do rapaz, nem teve coragem de a mandar dar uma grande e maravilhosa curva! Diga-se que a Sra. em questão estava lindamente de sapatos de tacão. Provavelmente aqui era uma situação de desejo incontrolável sob pena do bebe nascer com cara de Big Mac!

Claro está, que como disseram algumas das comentadoras do meu post de ontem no fb, é preciso haver bom senso. Mas não há, minha gente. Lamentavelmente não há mesmo!
E como disse uma grande amiga, é preciso sermos menos egoístas, mais amigos, mais solidários. Concordo! Mas também muito mais respeitadores de quem nos rodeia.

Também houve quem comentasse o meu post com a nova lei portuguesa, que permite a prioridade em todos os serviços. Ainda não tinha tido a oportunidade de a ler e ontem saciei parte da minha curiosidade.
Então a partir de agora, segundo o meu amado país, uma grávida tem prioridade no restaurante, ou até num cabeleireiro. Diz a Sra. Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que “esta legislação é o exemplo de legislação que seria necessária se conseguíssemos aplicar no nosso dia a dia uma coisa simples que se chama bom senso”. 
Ora ai está Sra Secretaria de Estado. Bom senso é uma coisa que se precisa. Até a fazer leis!

Sendo que agora, com a nova lei portuguesa, toda a minha indignação, vai para a “gaita”! Mas fica a minha opinião registada….

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Hoteis que valem a pena #1 Monverde Wine Experience Hotel

Desde há uns tempos, demasiados até, tenho vindo a desenvolver para um amigo, uma espécie de Hotel nos Açores. Digo "espécie" porque desde o inicio o projecto moldou-se em linhas muito especiais. Como especiais são os desejos do seu criador. Não pretende este post ser nenhum profundamente elogiativo (julgo que a palavra não existe) pois não há necessidade sequer disso. Mas não posso deixar de referir que é alguém, que pensa nisto há anos e há anos, estuda o meio, estuda os Açores, estuda a questão de serviço num hotel, analisa exaustivamente o que o cliente pretende,  tendo aliás aprofundado os seus conhecimentos numa pós-graduação.

Não acho que todas as pessoas que se metem num novo negócio, tenham que frequentar uma escola, mas aprecio muito, louvo até, alguém que pensa até à exaustão, estuda os factos, analisa todos os componentes do projecto, de maneira a que quando algo surgir, surgirá com certeza com menos erros.
Não acho ou não vejo necessidade de para tudo o que se faz na vida, ser necessário um Estudo de Viabilidade ou um Projecto de Negocio, mas acho que hoje em dia, no intenso e concorrente mercado existente, quer no sector do turismo, quer na restauração, há que deixar pouca margem à espontaneidade. As reservas num pedaço de papel que se coloca num bolso há muito que deixaram de ter lugar no mercado português. Ou pelo menos, num mercado de qualidade que se deve tentar atingir.

No seguimento deste assunto, deste também meu projecto, tenho andado a pesquisar o que de bom se faz nesta área. Uma pesquisa que pretendo que vá muito além da arquitectura, ou do design do espaço interior. Procuro locais com bons serviços, excelentes atendimentos, atendimentos portugueses e não necessariamente caros ou luxuosos. Procuro espaços com identidade onde se queira voltar. E é nesta pesquisa que surge este post. Sobre alguns locais, darei a minha opinião, pois já conheço. Outros, são miragens ou sonhos. Aceito e adoro conselhos e sugestões!

O primeiro hotel - "O MONVERDE WINE EXPERIENCE"

Um hotel nascido na Lixa, no meio das vinhas e que usa o vinho e as suas paisagens como principal atractivo. Passamos lá a passagem de ano, num grupo grande e com varias crianças, o que não é propriamente a melhor altura nem as melhores condições para se apreciar devidamente um hotel.
Os preços eram elevados para o pack (300€ pessoa) mas consequência da época do ano.


Arquitetonicamente falando, o hotel é muito bom! Trata-se duma reabilitação de uma quinta pré-existente com alguns volumes novos, dando assim capacidade de resposta ao hotel.
O projecto da autoria do Paulo Lobo e do gabinete FCC Arquitectura, que podem ver mais tecnicamente aqui, consegue lidar e ligar duma forma excelente a anterior quinta destinada exclusivamente à produção vinícola, com o serviço de restauração e hotelaria, fazendo dos ripados e do aço cortene os meio de conjugação perfeitos.
Interiormente, Paulo Lobo não deixa margem para erros. Segue a sua linha habitual de projecto, e apesar de nada de muito inovador, é a com a qualidade com que sempre nos habituou.
A destacar, a Instalação no Lobby central, intitulada "Chuva de Folhas" do escultor Paulo Neves, onde cada uma das 366 folhas de videira, representa o árduo e contínuo trabalho nas vinhas ao longo de todo o ano. Há também uma folha dourada (adoreiiiii) representando os anos bissextos. Em algumas das folhas é possível vislumbrar caras (mas não em todas, confesso).
 

Os quartos são lindos. Talvez mais bonitos exteriormente que no interior, mas muito bons. Sanitários em microcimento fabulosos, talvez um pouco frios para o nosso pico de Inverno, mas nada que pese negativamente na balança duma arquitecta.

No edifício da piscina e do spa, os espaços também são agradáveis, mas também aqui, a presença do microcimento dos balneários, extremamente (se calhar demasiado até) minimalistas, torna o espaço um pouco frio no inverno. As massagistas são boas, mas como qualquer massagista que eu tenha experimentado até à data em Portugal, ficam bastante aquém duma oriental. O ponto a favor é o preço das mesmas, bastante moderado tendo em conta a qualidade do hotel. O relax room e o chá servido no final, também são bastante agradáveis e julgo que no verão, permitirão umas fabulosas fotografias nas pequenas varandas privadas.

Apesar de ser um projecto que muito me agrada, e mesmo percebendo o porquê destas opções, não posso deixar de referir que há algumas situações, consequência deste local ser uma reabilitação, que originam casos menos felizes. Por exemplo, o trajecto entre os quartos e o restaurante, no caso de mau tempo, terá de ser efectuado com carro, pois são volumes diferentes e uns até muitos distanciados. O mesmo se passa no acesso dos quartos ao spa, e consequentemente aos tratamentos, de onde se pretende que o cliente saia relaxado. Este, é impossível de efectuar de roupão, pois assim como as restantes áreas sociais do hotel, este possui acesso apenas pelo exterior.
Como disse e repito, nada que na minha balança pese para o lado negativo, mas no caso de uns dias chuvosos e frios, como é tãoooo normal na nossa linda terra, acredito que seja uma desvantagem.

Em relação ao restaurante, achei simples, elegante, e embora nada de transcendente em termos de lista, com as melhores papas de sarrabulho que comi na minha vida! Eram absolutamente maravilhosas e o seu único pecado era a taça ser pequena.
O jantar, como era uma noite especial de Ano Novo, não serve de comparação, mas estava absolutamente divinal. Um jantar requintado acompanhado de uma breve descrição de cada vinho servido (um por cada prato, como manda a etiqueta!). Deste jantar, destaco a "canja de pombo bravo com cerefolio" e  os "medalhões de lavagante azul com pistacho" servidos com uma espécie de risoto (sem o ser).  Posso dizer-vos que elevei a canja a um nível de paraíso!

Já no pequeno almoço, tive foi uma pequena desilusão. É sempre um item a que presto muita atenção e achei que era fraquito. Não era mau, e até posso dizer que tinha tudo o que devia ter, mas esperava mais. Esperava uns sumos de fruta naturais, umas compotas milagrosas, uns bolos caseiros diferentes, uns crepes ou panquecas...Enfim, esperava o que me maravilha num pequeno almoço de hotel, vulgo diferente do de casa.

O staff é maioritariamente local, o que a mim me agrada particularmente. É uma forma de dinamizar a economia e o trabalho destes locais menos urbanos e permite sempre uma opinião mais honesta e até uma ou outra sugestão de passeio menos turística.








parte do grupo animado da festa








 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Porto - um post muito atrasado

Dei por mim a verificar textos por publicar. Muitas vezes, escrever no telemovel e confiar na net movel, não resulta. Aqui fica um texto de Janeiro! 

"Mais quinze dias na bela cidade invicta. Quinze dias que voaram entre consultas, bancos, exames médicos, compras de Natal e alguns convívios. Não tantos como gostaria ou como pretendia, mas escrever sobre é repetir-me em demasia. Estas duas semanas, com as festividades habituais, ainda dificultam mais as nossas vindas e tudo o que gostaríamos de fazer. Ou todos aqueles que gostaríamos de ver e não vimos. Mas, não foi mau de todo! Deu para passear pouco mas conhecer (e rever) alguns sítios muito agradáveis, gastronomicamente falando. 

Fomos finalmente à Cantina 32 e em nada a espera defraudou as expectativas. Adorei! Adorei o espaço, e adorei o jantar. Já tínhamos tentando lá ir diversas vezes e conseguimos um jantar desta vez. Fomos a quatro, o que permitiu provar bastantes pratos. Posso dizer que tudo estava maravilhoso. Não posso contudo deixar de referir, que o couscous de legumes fica muito, mas muito aquém do servido na Cozinha dos Loios (o melhor de toda a minha vida e alguma vasta experiência em couscous!). Além do sabores, também o atendimento foi impecável. Despretensioso ainda que educado e elegante e extremamente  rápido tendo em conta a casa cheia! A repetir várias vezes! 

Voltamos ao Kyoto num dia em que lamentavelmente quase tudo estava fechado (dia 26 ao almoço) e como sempre o sushi era bom e a relação qualidade preço ainda melhor. Mais uma vez, o Kyoto a salvar-nós dos fechos em massa da restauração da cidade, coisa que por muito que tente, ainda não consegui entender.

Experimentamos o Wish e ... Simpático, com um vinho que adoro na lista (sim, eu que sou uma nódoa no que diz respeito a perceber de vinhos) mas em nada transcendente. Um sushi bom, mas não espetacular! Uma entrada com um nome quase impronunciável e um alho francês crocante brutal! 

E nos últimos dias do ano, fomos ao Cruel, onde comi dos melhores risotos de cogumelos de sempre. À parte do conceito do restaurante, que brilha muito pelas experiências e pelos segredos nos condimentos, o que a mim pessoalmente não me fascina, tudo o que foi servido era bom! O carpaccio, os croquetes, mas especialmente o risoto! 

O Porto soma e segue! "


Imagens que sim #4


Eu a sair de casa de manha, para o trabalho! 
Sonhos meus!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Coisas que não interessam a ninguém mas que me fazem pensar #1 - novelas


Os meus serões aqui em Luanda, quando não são passados a trabalhar, passam por me sentar no sofá, a ver um bocado e televisão. Gosto de ver programas que me distraiam, que não me façam preocupar ou pensar muito. E é neste contexto que sou muito papa-series. Vejo a "Anatomia de Grey" religiosamente, o "Scandal",  a "Good Wife", etc etc. Mas antes, "boto" sempre as vistas na novela que dá no momento. E como a Tv Cabo aqui em Angola deixou de ter a Globo, não há nem cinco minutos de telenovela brasileira para ver. Sim, porque independentemente de qualquer defesa de produto nacional, as novelas brasileiras são melhores. Com isso, de há uns meses para cá, só me contento com os  trinta minutos da Sic Internacional da novela nacional (nacional de Portugal, claro está! porque me recuso a ver novelas portuguesas com histórias e cenários muitoooooo aldrabados de Angola- mas isso seriam outros quinhentos!) Adiante.

Na actual novela da Sic Internacional, "Coração D'Oiro" a historia gira à volta do Porto, do Norte, muito em particular do Douro e das suas fabulosas e inigualáveis paisagens. Até aqui, tudo perfeito!
O Porto aparece nas filmagens em todo o seu esplendor e euzinha, eu própria, apareci dez segundos num episódio, enquanto passeava na Rua das Flores, no passado dia 29 de Setembro de 2015. Sei com precisão o dia pois é o aniversario do Guilherme, e passeávamos os três com um balão azul. Ou seja, não há que enganar, apesar de só ser visível aos espectadores mesmo muito atentos. Até aqui, tudo excelente! Quem melhor para aparecer numa novela do Porto, que a sua mais fervorosa fã?

Mas agora começam as criticas, embora que duvide que construtivas, porque tenho sérias certezas que ninguém que faça novelas me lê.
 - a casa fabulosa do Henrique (protagonista mau da novela) que se trata das ainda mais fabulosas moradias do fim da Avenida da Boavista, as intituladas Villas do Parque (porque se vê claramente nas imagens exteriores) não tem átrio de entrada! Não tem um hall, não tem um espaço de recepção, além de ter uma sala perfeitamente minúscula. Mas alguém acredita mesmo, que uma casa daquelas, ou uma gente rica como a que eles se fazem passar, vive numa casa sem um hall de entrada em condições? Com uma mini sala de estar onde estão todos sempre muito juntinhos no sofá?
-  depois, esta nova moda de usar as novelas para publicitar artigos, moda que até faz sentido. Mas façam-no bem feito!! Sem parecer tãoooooo forçado. Quando uma amiga diz a outra que usa este ou aquele creme, não lhe mostra a embalagem, lê o rotulo de enfiada e diz todas as qualidade do mesmo como um papagaio. Diz apenas algo do gênero "experimenta! Eu uso e estou a adorar..."
- depois, o escritório do administrador da clinica (ex Henrique e actual Diogo). Mas que escritório de administrador é aquele? Entra-se de lado para a secretária? Num escritório e ainda por cima de uma pessoa importante, supostamente o melhor daquela clinica, a secretária ficaria sempre virada para a porta, permitindo a visualização frontal quer de quem entra, quer de quem está sentado.
- Acho também que toda o cenário da novela devia passar por um especialista em iluminação. Tirando a casa da "médica Joana" e da Beatriz , todas as outras dependências, são incrivelmente escuras e soturnas. Onde estão as paredes brancas minha gente?

- e ultrapassando as criticas "espaciais" mais da minha área, pergunto, - o melhor sitio que aquela gente toda, todos primos, irmãos ou ex-maridos, têm para tomar café, é um café dumas bombas de gasolina? WTF!!!??? Não há um tasco melhor em toda a cidade para se tomar um cafezinho em condições?
Não seria esta novela uma boa maneira de publicitar outros espaços? Porque não perguntar a alguns proprietários o que achariam de filmar um jantar um café, um lanche nas suas instalações? Não...Vamos comer ao "Sirga" em toda a novela e tomar café nas bombas!

O Porto é lindo, e as paisagens que são mostradas são incríveis, mas podiam facilmente corrigir estes detalhes, que na minha modesta opinião, são de "palmatória"!
O melhor, são mesmo as fotos e a Luciana Abreu na bomba de gasolina! Viva o PORTO, carago!











domingo, 12 de junho de 2016

12 Junho . 9 anos

12 Junho  de 2007 . 9 anos passados deste dia

Quase nem pensei bem durante o dia.Quase nem me lembro que passaram 9 anos. 9 anos com saúde, depois daquela operação que correu tão bem. Às vezes dou por mim a pensar que gostava que já tivessem passado vinte, se vinte fosse sinal que continuava tudo bem. Outras vezes, penso que gostava de estar apenas no ano a seguir, pois tinha a garantia de oito seguros pela frente. Há pouco tempo, uma pessoa que passou por um problema disse-me "quem tem uma vez cancro, tem para sempre". Concordo. Por muito que os exames corram bem, por muita confiança que se tenha, fica connosco para sempre. À mínima coisa, o fantasma reaparece. Uma simples dor, uma simples infecção, relembram dias, exames, medos. Há 9 anos entrei naquela sala confiante. Hoje, mulher e mãe, quero e preciso, manter para sempre essa confiança, essa força. 

Que os 12 de Junho sejam sempre com saúde. É o que peço...A cada exame, mais seis meses de validade como o grande Dr. Dinis me diz tantas vezes.


outros anos aqui

sexta-feira, 10 de junho de 2016

PORTUGAL

Portanto, já viste, ó Portugal: não preciso de nenhuma razão para te amar. Amo-te sem razão. Amo-te às cegas, antes sequer de olhar para ti. Podes ser o pior país do mundo, ou o melhor, ou o mais monotonamente assim-assim. Não me interessa. Amo-te. Amo-te à mesma. Amo-te antes de falarmos nisso.  


Dia de Portugal 

Dia dos Portugueses 


Gosto muito do meu país. Tenho saudades. Tenho saudades de lá viver (embora não saiba se voltarei a ser totalmente feliz a viver lá) ou não fosse saudade uma palavra só portuguesa.
Sempre fui patriota, sempre vibrei muito mais com a seleção do que com qualquer clube. Sempre defendi a minha zona, a minha cidade, intensamente até, o meu país.
Não percebo quem diz mal da sua terra ou dos seus. Nunca percebi, mas cada vez percebo menos. 
Tenho orgulho no que é meu, nosso. Tenho muito orgulho naquele rectangulo de terra que cheira a paz, a sol, a mar. Onde se come como em nenhum outro lado. Onde se recebe melhor que ninguém. Onde nos rimos de nós próprios.Onde somos amigos!
Temos defeitos sim. Temos muitos problemas. Temos muito que aprender e corrigir. Mas somos muito bons! Eu diria, os melhores! Vamos para qualquer parte deste mundo, habituamo-nos ao pior, e levantamos a cabeça. Também somos demasiado calmos actualmente. Também devíamos batalhar com mais intensidade pelo que queremos. Somos nós, onze milhões mal medidos, porque em cada canto há um de nós. Somos nós que fazemos Portugal.


"Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu não queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti - e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar à conclusão que te amava por uma lenta acumulação de razões, emoções e vantagens. Mas foi ao contrário. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso, e desde esse dia, que remédio, lá fui acumulando, lentamente, as razões por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras razões, para não te amar, ou não querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti. És difícil. És muito bonito e és doce mas és pouco dado a retribuir o amor de quem te ama. Até dás a impressão que tanto te faz seres odiado como amado; que gostas de fingir que estás acima disso, olhando para os portugueses de agora como o céu olha para os passageiros nos aviões.

Já que estava apaixonado, sem maneira de me livrar - nem sequer voltando para ti e vivendo contigo mais trinta anos - que remédio tinha eu senão começar a convencer-me que havia razões para te amar.

Encontram-se sempre. E, a partir de certa altura, quando já são seis ou sete razões que se foram arranjando ao longo dos anos, deixamos de amaldiçoar este amor que nos prende a ti e, inevitavelmente, começamos a sentir-nos, muito estúpida e secretamente, vaidosos por te amarmos. Como se fôssemos nós que tivéssemos sido escolhidos.

Digo nós mas falo por mim. Digo eu sabendo que não sou só eu, que nós somos muitos. Possivelmente todos. Tragicamente todos, um bocadinho. Se calhar estamos todos, de vez em quando, um bocadinho apaixonados por ti.

A tua pergunta bocejada, de país farto de ser amado, amado de mais, aborrecido com tanto amor, apesar da merda que tens feito e da maneira como nos pagas, é sempre a mesma: «Diz-me lá, então, porque é que me amas...»

Pois hoje vou-te dizer. Não me interessa nada a tua reacção. Estás a ver? Já comecei a mentir. É sinal que a minha carta de amor já começou.

Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça.

Mesmo que não achasse em ti senão defeitos e razões para deixar de te amar, preferia isso, mesmo deixando de te amar, a que não existisses.

Se deixasses de existir, o meu olhar ficava de luto e nunca mais podia olhar para o resto do mundo com os olhos inteiramente abertos ou secos ou interessados.

Para que continuasses a existir, mesmo fazendo cada vez mais merda, trocava imediatamente ir-me embora de ti e nunca mais poder voltar e nunca mais poder ver-te, e nunca mais encontrar um português ou uma portuguesa, e nunca mais poder ler ou ouvir a língua portuguesa.

E olha que este é um desejo que muitas vezes tenho.

Esta é a única verdadeira prova de amor: fazer tudo para que sobreviva quem se ama. Mesmo que nunca mais te víssemos, Portugal, saberíamos que continuavas a existir, que as nossas saudades teriam onde se agarrar. Por muito que mudasses, mal te deixássemos e nunca mais te víssemos, já não mudavas mais.

Mesmo que não houvesse em ti um único pormenor que não houvesse nos restantes países do mundo, que são muitos; mesmo que houvesse um país escondido que fosse igualzinho a Portugal em todos os pormenores; mesmo assim eu amar-te-ia como se fosses o único país do mundo, diferente em tudo.

Portanto, já viste, ó Portugal: não preciso de nenhuma razão para te amar. Amo-te sem razão. Amo-te às cegas, antes sequer de olhar para ti. Podes ser o pior país do mundo, ou o melhor, ou o mais monotonamente assim-assim. Não me interessa. Amo-te. Amo-te à mesma. Amo-te antes de falarmos nisso.

Amo-te tanto que, quando perguntas porque é que eu te amo, não fico nervoso nem irritado. Não preciso de tentar dar uma razão convincente. Amo-te à mesma, fiques ou não convencido.

E, mesmo que te aborreças de ouvir todas as razões que tenho para te amar, eu continuarei a dizê-las, porque gosto de dizê-las e porque, que diabo, também eu preciso, às vezes, de me lembrar e de me convencer do quanto eu te amo.

Amo-te mesmo que sejas impossível de conhecer ou de descrever. Isto é muito importante. O Portugal que eu conheço e descrevo é apenas o Portugal que eu julgo, se calhar, conhecer (pouco) e descrever (mal).

Cada pessoa apaixonada por ti está apaixonada por um Portugal diferente do meu. Até o meu Portugal é, conforme os climas, bastante diferente do meu - para não dizer estrangeiro.

Por exemplo, uma das razões por que te amo é o teu clima. Acho que tens um bom clima. Mas não julgues que há muitos portugueses apaixonados por ti que concordam comigo. Esses julgam o teu clima dia a dia e hora a hora e gostam dele, quando muito, vinte por cento do ano. Em cada cinco horas do teu clima, gostam de uma e odeiam quatro.

Pois eu amo-te sem saber sequer se o teu clima é bom ou mau. Não tenho a certeza, mas não interessa: amo-te mesmo ignorando tudo a teu respeito. Amo-te mesmo estando completamente enganado. A pessoa convencida sou eu. Quem está convencido que ama, quando fala do seu amor, não quer convencer ninguém. Quer declarar que ama. Se é bom ou mau nem secundário é. Fica noutro mundo, onde vivemos.

Como vês, não preciso de razões para te amar. Mas tenho muitas. E boas. A primeira delas é secreta e embaraça-me confessá-la: amo-te, Portugal porque, não sei como e contra todas as provas e possibilidades, acho que és o melhor país do mundo.

Pronto. Está dito. É uma vergonha pôr as coisas de uma maneira tão simples. Mas era isto que eu estava há que séculos para te dizer: amo-te, Portugal, por seres o melhor país do mundo.

Como vês não sou o romântico que estava a fingir ser, que te ama sem precisar de razões para isso. Tenho uma razão muito interesseira para te amar: acho que és o melhor país do mundo. Por muito relativista que eu seja noutras coisas, acho mesmo que tive sorte de nascer aqui. Em ti. Aqui, entre nós.

Desculpa.

Mesmo assim, insistes em perguntar: que tens tu de tão especial, que os outros países não têm?

Essa íntima vaidade, por exemplo. Tu não és orgulhoso. Mas, muito bem disfarçada, tens uma vaidade sem fim. Dizes-te feio e vestes-te mal mas, quando passas por um espelho, espreitas e achas-te giro. E se alguém te diz que és feio e estás mal vestido, não ficas ofendido - achas que aquela pessoa é obviamente estúpida e não tem olhos na cara.

Ou, pelo menos, não tem o discernimento e o bom gosto necessários para apreciar a tua oblíqua mas inegável formosura. A tua beleza, estás convencido, está reservada para os apreciadores. A ralé passa ao lado e não vê: deixá-la passar.

A tua vaidade é tanta que até te permites um grande desleixo. Sabes que, na terra onde nada plantaste, há-de crescer um jardim preguiçoso que um dia será selvagem e bonito, sem qualquer esforço teu. Deus e o tempo trabalham por tua conta.

Sabes que a tinta fresca salta muito à vista e que é cansativa. Esperas, despreocupado, pela beleza que há-de vir com a passagem dos tempos. E a vaidade que sussurra, preguiçosamente, a quem insista em aproximar-se: «Sim, eu sei que sou uma casa bonita e não, não me lembro da última vez que fui pintada. Eu cá não preciso de me abonecar.»

Graças ao desleixo que a tua vaidade consente, mudas menos do que os outros países. As pessoas acham que és conservador, que és contra a mudança. Mas não é isso. És vaidoso e preguiçoso porque achas que não precisas de grandes esforços ou mudanças: sabes que continuas encantador.

O teu desleixo também é causa de muito sofrimento mas não é numa carta de amor que vou falar dele. Também tem consequências agradáveis.

Por exemplo, dizes que queres ser um país de primeira categoria. Mas sabemos todos que não queres. Gostas de ser de segunda, como gostas de não ser de terceira. Gostas de ter países melhores do que tu, para visitar ou invocar, quando fazes aquela fita de lamentar que não seja possível teres tudo o que tens de bom, menos tudo o que tens de mau, trocado pelo melhor que houver nos outros países.

Tu não queres nada a não ser que gostem de ti. E não estás disposto a fazer nada por isso. Nem é preciso serem muitos a gostar. Se calhar, até te bastava um. Aposto que é essa a impressão que consegues dar a cada um dos desgraçados, como eu, que estão apaixonados por ti.

Eu poderia perder anos a fazer um cuidadoso retrato de ti. Por muito verosímil que fosse, davas uma olhadela e dizias com desdém, a fazer-te caro ao mesmo tempo: «Isso não sou eu. Isso é outro país qualquer que inventaste...»

É a tua maneira, Portugal amado, de garantir que continuaremos a tentar retratar-te. Tanto te faz que o retrato seja feio ou bonito, desde que seja de ti.

Quanto mais variados forem, mais gostas. Até tu, nas tuas paisagens, varias e hesitas tanto e recusas-te a decidir, como quem não tem pressa e, no fundo, não escolhe nem decide, porque quer tudo.

Preferias ser amado por quem tem razões para te odiar? Isso sei eu. Paciência. Eu amo-te porque mereces. Eu amo-te pelas tuas qualidades. Preferias não tê-las. Para que o amor fosse mais puro, mais contraditório, mais injustificável. Mas tens qualidades.
Desculpa lá dizer-te isto, Portugal, mas amar-te é uma coisa simples.

Amo-te, aconteça o que acontecer. Amo-te por causa de ti. Não é apesar de ti. É por causa de ti. Não há outra razão. Nem podia haver uma razão mais simples.

Por muito que te custe ouvir (apesar de eu saber que não só não te custa nada como gostas de ouvir), digo-te: é tão grande o meu amor por ti que até consigo amar-te sem dar por isso.

Já viste? 

By MEC"