Desde há uns tempos, demasiados até, tenho vindo a desenvolver para um amigo, uma espécie de Hotel nos Açores. Digo "espécie" porque desde o inicio o projecto moldou-se em linhas muito especiais. Como especiais são os desejos do seu criador. Não pretende este post ser nenhum profundamente elogiativo (julgo que a palavra não existe) pois não há necessidade sequer disso. Mas não posso deixar de referir que é alguém, que pensa nisto há anos e há anos, estuda o meio, estuda os Açores, estuda a questão de serviço num hotel, analisa exaustivamente o que o cliente pretende, tendo aliás aprofundado os seus conhecimentos numa pós-graduação.
Não acho que todas as pessoas que se metem num novo negócio, tenham que frequentar uma escola, mas aprecio muito, louvo até, alguém que pensa até à exaustão, estuda os factos, analisa todos os componentes do projecto, de maneira a que quando algo surgir, surgirá com certeza com menos erros.
Não acho ou não vejo necessidade de para tudo o que se faz na vida, ser necessário um Estudo de Viabilidade ou um Projecto de Negocio, mas acho que hoje em dia, no intenso e concorrente mercado existente, quer no sector do turismo, quer na restauração, há que deixar pouca margem à espontaneidade. As reservas num pedaço de papel que se coloca num bolso há muito que deixaram de ter lugar no mercado português. Ou pelo menos, num mercado de qualidade que se deve tentar atingir.
No seguimento deste assunto, deste também meu projecto, tenho andado a pesquisar o que de bom se faz nesta área. Uma pesquisa que pretendo que vá muito além da arquitectura, ou do design do espaço interior. Procuro locais com bons serviços, excelentes atendimentos, atendimentos portugueses e não necessariamente caros ou luxuosos. Procuro espaços com identidade onde se queira voltar. E é nesta pesquisa que surge este post. Sobre alguns locais, darei a minha opinião, pois já conheço. Outros, são miragens ou sonhos. Aceito e adoro conselhos e sugestões!
O primeiro hotel - "O MONVERDE WINE EXPERIENCE"
Um hotel nascido na Lixa, no meio das vinhas e que usa o vinho e as suas paisagens como principal atractivo. Passamos lá a passagem de ano, num grupo grande e com varias crianças, o que não é propriamente a melhor altura nem as melhores condições para se apreciar devidamente um hotel.
Os preços eram elevados para o pack (300€ pessoa) mas consequência da época do ano.
Arquitetonicamente falando, o hotel é muito bom! Trata-se duma reabilitação de uma quinta pré-existente com alguns volumes novos, dando assim capacidade de resposta ao hotel.
O projecto da autoria do Paulo Lobo e do gabinete FCC Arquitectura, que podem ver mais tecnicamente aqui, consegue lidar e ligar duma forma excelente a anterior quinta destinada exclusivamente à produção vinícola, com o serviço de restauração e hotelaria, fazendo dos ripados e do aço cortene os meio de conjugação perfeitos.
Interiormente, Paulo Lobo não deixa margem para erros. Segue a sua linha habitual de projecto, e apesar de nada de muito inovador, é a com a qualidade com que sempre nos habituou.
A destacar, a Instalação no Lobby central, intitulada "Chuva de Folhas" do escultor Paulo Neves, onde cada uma das 366 folhas de videira, representa o árduo e contínuo trabalho nas vinhas ao longo de todo o ano. Há também uma folha dourada (adoreiiiii) representando os anos bissextos. Em algumas das folhas é possível vislumbrar caras (mas não em todas, confesso).
Os quartos são lindos. Talvez mais bonitos exteriormente que no interior, mas muito bons. Sanitários em microcimento fabulosos, talvez um pouco frios para o nosso pico de Inverno, mas nada que pese negativamente na balança duma arquitecta.
No edifício da piscina e do spa, os espaços também são agradáveis, mas também aqui, a presença do microcimento dos balneários, extremamente (se calhar demasiado até) minimalistas, torna o espaço um pouco frio no inverno. As massagistas são boas, mas como qualquer massagista que eu tenha experimentado até à data em Portugal, ficam bastante aquém duma oriental. O ponto a favor é o preço das mesmas, bastante moderado tendo em conta a qualidade do hotel. O relax room e o chá servido no final, também são bastante agradáveis e julgo que no verão, permitirão umas fabulosas fotografias nas pequenas varandas privadas.
Apesar de ser um projecto que muito me agrada, e mesmo percebendo o porquê destas opções, não posso deixar de referir que há algumas situações, consequência deste local ser uma reabilitação, que originam casos menos felizes. Por exemplo, o trajecto entre os quartos e o restaurante, no caso de mau tempo, terá de ser efectuado com carro, pois são volumes diferentes e uns até muitos distanciados. O mesmo se passa no acesso dos quartos ao spa, e consequentemente aos tratamentos, de onde se pretende que o cliente saia relaxado. Este, é impossível de efectuar de roupão, pois assim como as restantes áreas sociais do hotel, este possui acesso apenas pelo exterior.
Como disse e repito, nada que na minha balança pese para o lado negativo, mas no caso de uns dias chuvosos e frios, como é tãoooo normal na nossa linda terra, acredito que seja uma desvantagem.
Em relação ao restaurante, achei simples, elegante, e embora nada de transcendente em termos de lista, com as melhores papas de sarrabulho que comi na minha vida! Eram absolutamente maravilhosas e o seu único pecado era a taça ser pequena.
O jantar, como era uma noite especial de Ano Novo, não serve de comparação, mas estava absolutamente divinal. Um jantar requintado acompanhado de uma breve descrição de cada vinho servido (um por cada prato, como manda a etiqueta!). Deste jantar, destaco a "canja de pombo bravo com cerefolio" e os "medalhões de lavagante azul com pistacho" servidos com uma espécie de risoto (sem o ser). Posso dizer-vos que elevei a canja a um nível de paraíso!
Já no pequeno almoço, tive foi uma pequena desilusão. É sempre um item a que presto muita atenção e achei que era fraquito. Não era mau, e até posso dizer que tinha tudo o que devia ter, mas esperava mais. Esperava uns sumos de fruta naturais, umas compotas milagrosas, uns bolos caseiros diferentes, uns crepes ou panquecas...Enfim, esperava o que me maravilha num pequeno almoço de hotel, vulgo diferente do de casa.
O staff é maioritariamente local, o que a mim me agrada particularmente. É uma forma de dinamizar a economia e o trabalho destes locais menos urbanos e permite sempre uma opinião mais honesta e até uma ou outra sugestão de passeio menos turística.
Os preços eram elevados para o pack (300€ pessoa) mas consequência da época do ano.
Arquitetonicamente falando, o hotel é muito bom! Trata-se duma reabilitação de uma quinta pré-existente com alguns volumes novos, dando assim capacidade de resposta ao hotel.
O projecto da autoria do Paulo Lobo e do gabinete FCC Arquitectura, que podem ver mais tecnicamente aqui, consegue lidar e ligar duma forma excelente a anterior quinta destinada exclusivamente à produção vinícola, com o serviço de restauração e hotelaria, fazendo dos ripados e do aço cortene os meio de conjugação perfeitos.
Interiormente, Paulo Lobo não deixa margem para erros. Segue a sua linha habitual de projecto, e apesar de nada de muito inovador, é a com a qualidade com que sempre nos habituou.
A destacar, a Instalação no Lobby central, intitulada "Chuva de Folhas" do escultor Paulo Neves, onde cada uma das 366 folhas de videira, representa o árduo e contínuo trabalho nas vinhas ao longo de todo o ano. Há também uma folha dourada (adoreiiiii) representando os anos bissextos. Em algumas das folhas é possível vislumbrar caras (mas não em todas, confesso).
Os quartos são lindos. Talvez mais bonitos exteriormente que no interior, mas muito bons. Sanitários em microcimento fabulosos, talvez um pouco frios para o nosso pico de Inverno, mas nada que pese negativamente na balança duma arquitecta.
No edifício da piscina e do spa, os espaços também são agradáveis, mas também aqui, a presença do microcimento dos balneários, extremamente (se calhar demasiado até) minimalistas, torna o espaço um pouco frio no inverno. As massagistas são boas, mas como qualquer massagista que eu tenha experimentado até à data em Portugal, ficam bastante aquém duma oriental. O ponto a favor é o preço das mesmas, bastante moderado tendo em conta a qualidade do hotel. O relax room e o chá servido no final, também são bastante agradáveis e julgo que no verão, permitirão umas fabulosas fotografias nas pequenas varandas privadas.
Apesar de ser um projecto que muito me agrada, e mesmo percebendo o porquê destas opções, não posso deixar de referir que há algumas situações, consequência deste local ser uma reabilitação, que originam casos menos felizes. Por exemplo, o trajecto entre os quartos e o restaurante, no caso de mau tempo, terá de ser efectuado com carro, pois são volumes diferentes e uns até muitos distanciados. O mesmo se passa no acesso dos quartos ao spa, e consequentemente aos tratamentos, de onde se pretende que o cliente saia relaxado. Este, é impossível de efectuar de roupão, pois assim como as restantes áreas sociais do hotel, este possui acesso apenas pelo exterior.
Como disse e repito, nada que na minha balança pese para o lado negativo, mas no caso de uns dias chuvosos e frios, como é tãoooo normal na nossa linda terra, acredito que seja uma desvantagem.
Em relação ao restaurante, achei simples, elegante, e embora nada de transcendente em termos de lista, com as melhores papas de sarrabulho que comi na minha vida! Eram absolutamente maravilhosas e o seu único pecado era a taça ser pequena.
O jantar, como era uma noite especial de Ano Novo, não serve de comparação, mas estava absolutamente divinal. Um jantar requintado acompanhado de uma breve descrição de cada vinho servido (um por cada prato, como manda a etiqueta!). Deste jantar, destaco a "canja de pombo bravo com cerefolio" e os "medalhões de lavagante azul com pistacho" servidos com uma espécie de risoto (sem o ser). Posso dizer-vos que elevei a canja a um nível de paraíso!
Já no pequeno almoço, tive foi uma pequena desilusão. É sempre um item a que presto muita atenção e achei que era fraquito. Não era mau, e até posso dizer que tinha tudo o que devia ter, mas esperava mais. Esperava uns sumos de fruta naturais, umas compotas milagrosas, uns bolos caseiros diferentes, uns crepes ou panquecas...Enfim, esperava o que me maravilha num pequeno almoço de hotel, vulgo diferente do de casa.
O staff é maioritariamente local, o que a mim me agrada particularmente. É uma forma de dinamizar a economia e o trabalho destes locais menos urbanos e permite sempre uma opinião mais honesta e até uma ou outra sugestão de passeio menos turística.
parte do grupo animado da festa




