Já muitas vezes aqui falei sobre o tema. Adoro viajar mas mais que isso, viajar sempre foi algo que encarei como um enriquecimento pessoal.
Claro que é bom (aliás. é "para cima de espetacular!") estar deitado numa ilha de areia branca e mar azul do outro lado do mundo, mas o Viajar com V grande não é bem isso. É isso, mas agregado à lingua que se ouve, à comida estranha que se come, aos cheiros, à arquitetura que se ve. Viajar é todo o conjunto além do bronze. E por isso, sempre fui (e ainda continuo a ser) completamente contra ferias de resorts puras e duras. Embarcar em Portugal num voo charter, aterrar numa qualquer ilha, estacionar no hotel e passados dez dias vir embora.Vir embora sem uma ida à Capital, sem uma excursão, sem um querer ver ou saber mais alguma coisa. Por isso,e por todas as razões anteriormente explicadas por aqui, tentamos sempre conjugar o máximo de coisas numa viagem.
Perfeito, perfeito? uns dias numa cidade seguidas de um mar turquesa, numa língua estranha.
Mas hoje, enquanto lia um grupo do FB a que pertenço, onde centenas de mães se ajudam (ou não!) em variados temas, pensei outra vez sobre este tema - viajar com crianças! Mães que têm medo de viajar com crianças,mães que acham que os voos vão ser medonhos, mães que acham que as crianças não usufruem, etc etc.. muitas são as questões levantada sobre o assunto.
No outro dia, falava com a minha comadre (uma delas) que como eu, tem o gosto pelas viagens e ela contava-me que o meu afilhado lhe disse que não se lembrava de Barcelona, a sua primeira grande viagem! Lembro-me bem do (também meu) Pedro falar do carro do hotel em Barcelona, absolutamente maravilhado. E hoje, passados cerca de dois anos, as suas memórias recordam apenas o que nas fotos conseguem ver.
Julgo que isso é muito normal e nem sequer me admirei. A memória das crianças tem (julgo eu) um espaço temporal ainda curto, relativamente à sua vida. E mesmo uma criança, com uma memória excepcional como o Pedro, chega a uma altura e desliga dessa viagem, concentrando-se apenas na mais recente.
Mas o que acho acerca disto? Não deveremos nós levar as crianças? Claro que sim! Claro que elas devem ir! E claro que elas, apesar de não se lembrarem, usufruem e ganham muito. Aliás, não tenho qualquer duvida que o Pedro usufruiu de Londres, porque antes já tinha estado em Barcelona. E assim consecutivamente. Quanto mais viajar, mais lucrará, mais ganhará em cada viagem, mais gostará de conhecer cada dia mais e mais.
O Guilherme, por questões que nada têm a ver com férias, cedo se adaptou a aeroportos, aviões, cá e lá, camas diferentes e até meteorologias distintas. E talvez por isso, a qualquer lado que vamos, a adaptação é fácil. Memórias? Provavelmente, (muito!!) não as irá guardar. Mas um dia, quem sabe, vai ter o gosto que nós temos e vai correr mundo!
"uma especie de rapaz de aeroporto"
tentado perceber a explicação do representante duma Tribo da Swazilandia
p.s: Quanto mais escrevo sobre o tema, mais acho que um dia vou fazer uma mega viagem, e vou levar o Guilherme!
p.s 2: atenção que com isto, não defendo ferias sem crianças! Nada disso! Nunca as tive mas apenas e só por questões logísticas da minha vida de emigrante. Mas as ferias sem crianças , para mim, acontecerão por algum motivo especial e não por achar que a pequena criatura não aproveita!
Um safari no Botswana (para maiores de 16 anos) é um (muito) excelente motivo para um exemplo destes :)