Detesto dias feitos. Aliás, tentando não ser bruta, um dos meus maiores defeitos, posso dizer que não gosto de dias ditos especiais. Para mim, não há dia dos namorados, do pai, da mãe, do filho, do irmão, do cão etc etc etc, mas a sociedade em que vivemos não sou eu, e na medida do possível há que viver na dita normalidade. E como tal, tentando não correr o risco do Guilherme achar que eu não gosto do dia da mãe (e ainda não ter idade para perceber o porquê) ou achar que não quero, que ele, celebre o seu pai (que é o melhor pai que ele poderia ter) celebramos estes dias.
Hoje, estou deitada na praia, a escrever. A praia quase deserta, o sol fantástico, a água perfeita, fazem-me pensar. Os dias perfeitos fazem-me reflectir.
Que quero eu para o dia da Mãe?
Isto, apenas e só isto. Que é tudo!
Sou mãe como sei e como posso. Tenho um filho feliz. Tremendamente feliz! Tenho uma mãe feliz e com saúde. Isto é ser feliz no dia da Mãe.
Hoje em dia, deparo-me com imensos artigos sobre "ser mãe". Ou ser melhor mãe. Atingir quase uma perfeição em algo que é mais antigo que tudo. Há cursos, palestras, artigos e é muitas vezes tema de conversa entre jantares. Quanto a isso, tenho muitas e variadas dúvidas. Sim, temos de aprender, sim, temos de melhorar, mas como em tudo na vida! Mas tanto curso, tanto livro, e tanta palestra, não posso deixar de dizer, fazem-me demasiada confusão. Se dou uma palmada ao meu filho? Dou! Dou algumas vezes e sem qualquer consciência de culpa. Se tento falar com ele e explicar-lhe o motivo? Quando a situação o permite! Se acho que sou melhor pessoa desde que sou mãe? Acho que sou diferente! Mais paciente sem dúvida.
São tudo questões em que penso, mas penso quando calha e julgo que não em demasia. Da mesma forma que não me sento a pensar em como ser melhor mulher, ou melhor arquitecta, também não paro muito a pensar em como ser melhor mãe. Se calhar, erro grave e meu, mas vou agindo como o instinto me diz, e tendo por base quem sou, fruto de quem me criou!
Fui mãe na altura que quis (tive essa felicidade e sorte!), na altura em que pessoalmente e profissionalmente entendi que o deveria ser. Talvez por isso, sempre entendi, que apesar do meu filho, ser o meu mundo, aquilo que me tira o ar e é a coisa mais importante da minha vida, chegou a uma vida que já existia e por isso, há uma adaptação mútua. Eu e a minha vida a ele, mas ele , à nossa vida também. E correndo o risco de ser mal interpretada, não mudei assim tanto de mim ou de nós.
Vivemos longe da família, num país sozinhos (com maravilhosos amigos) e a vida nem sempre é fácil. Por isso, o Gui desde cedo, vai para todo o lado connosco. Faz viagens, voos de longo curso, férias, come comida em locais estranhos. Raramente deixei de fazer algo por sua causa. E para mim, isso é tão natural que não penso muito. Inconsciência? Espero que não! Quero mais usar o termo "naturalidade"!
Penso muito e hoje ainda mais, no que desejo para o Guilherme. E certezas sobre isso tenho muito poucas. Gostava que tivesse um "bocadinho de mundo" nele. Que viajasse muito, que tivesse interesse em conhecer, em ver. Que falasse com todos e tudo quisesse aprender. Muitas línguas, várias comidas, tudo o que fosse oposto. Isso e todo o meu amor, são o legado que lhe quero deixar.
Tudo o que quero e desejo hoje, são dias da mãe assim.. Com sol, sal, sand e milhões de sorrisos e gargalhadas.
Que o futuro, cada vez mais incerto, nos permita isso!
Um feliz Dia da Mãe, a todas as mães *






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