13 Novembro 2011
Hoje é um dia especial. Ou deveria ser pelo menos. Ou no mínimo é um
dia que terá (e será) de ser lembrado. Faz hoje quatro anos que fui embora. Quatro anos
que apanhei um avião de lágrimas nos olhos e fui embora de Luanda. Andava
cansada de cá estar, cansada desta vida de emigrante, com saudades do meu pais,
e consequência de conjunturas empresariais daquela altura fomos forçados a ir embora
de repente.
Um dia estávamos cá, recém chegados de Buenos Aires, recém chegados do
tango e da força das aguas do Iguaçu e no dia a seguir soubemos que íamos embora.
Não deu tempo para pensar, para despedir, para ponderar. Fizemos as malas e no
dia 13 de Novembro, domingo, voamos na Tap para Portugal.
Para quem na altura não queria cá estar, aquele dia custou. A nossa mente (e coração) é estranha. Parecia um
filme a passar diante dos meus olhos. A nossa vida de quatro anos cabia em sete
malas. Nunca mais me esqueci deste numero. Sete malas eram o resumo da nossa
vida de cá.
Os sentimentos eram contraditórios, ambíguos. Estava feliz de voltar a
Portugal, apreensiva face ao que me esperava, com pena de deixar os meus amigos
de cá, contente de rever os de lá. Confusa, feliz, com lágrimas. O voo foi mais
ao menos igual ao meu interior. Uma turbulência tal que houve momentos que
achamos que não íamos chegar! O teco-teco que nos levou ao Porto teve alguma (seria/muita
dificuldade em passar a grande e fabulosa Ponte da Arrabida. Chovia tanto…O dia
era de Inverno puro, duro, e nós, morenos, tostados.
Faz hoje quatro anos foi assim. Chegamos e fizemos as compras de
Natal. Não conseguíamos fazer planos sequer. Quando passou o Natal, vieram os
planos. Engravidar, ter um filho, arranjar emprego e ficar. Ou ir
até ao Brasil. E passar o Carnaval em Veneza. E ir à neve, e às Maldivas.
Voltar não fazia parte dos planos.
Fomos à neve, engravidei em Janeiro, não fui ao Carnaval a Veneza, nem
tão pouco às Maldivas. Também não fomos trabalhar para o Brasil. E em Abril, o
Nuno aceitou voltar para cá. Voltou em Maio.
E cá estamos, quatro anos depois. Cá estamos felizes os três, em família,
em Luanda. A tentar levar… A tentar aguentar, quatro anos depois, a três.



