Tenho vindo a escrever sobre o
Porto. Sobre a minha cidade, sobre o seu crescimento e evolução. Sobre o facto
de estar apinhada de gente diariamente e dessa mesma gente no adorar.
E é exactamente neste contexto,
que escrevo este post.
O Porto tem crescido em número de
sítios, em número de visitantes, em número de voos. Basicamente tem crescido
muito em números. E em qualidade também, não há duvida. Mas precisa crescer na
mesma proporção em formação, em educação, em cuidado no atendimento, pois a meu
ver, e sendo estes olhos, olhos de quem está fora e com saudades, ainda há
muito a fazer neste campo. Basicamente resume-se a crescer em profissionalismo. E quando
falo em profissionalismo falo em duas vertentes: turismo e população local. Porque que nós somos simpáticos, sabemos receber, cozinhamos bem, etc etc e etc, já nós sabemos e já muita gente sabe. Agora, dai até ao profissionalismo de "receber", de estar, de ser como essas grandes cidades que visitamos por esse mundo fora (nem todo o mundo é certo), ainda nos falta.
Não podemos nesta fase deste
intenso campeonato que é o turismo, dar-nos ao luxo de abrir tascos, tasquinhas
e lojinhas em cada canto e esquina, com qualquer justificação, como um qualquer
“melhor a tudo”, sem uma avaliação intensa do que se abre, de quem está à
frente dos serviços, do que se oferece. Sim, se queremos manter este número de
turistas, se queremos manter este lucro imenso anual, temos de ser bons. Muito bons! Um
turista vem uma vez e aprecia a vista, a francesinha, a Lello. Mas só volta se
valer mesmo a pena! Só se repetem sítios perfeitos.
Repete-se Roma, Londres, Paris,
Nova Iorque e Singapura. Vai-se uma vez na vida a Marselha, Cannes, Dublin,
Split. (propositadamente não refiro nenhuma 2ªcidade italiana, porque a Itália
ia, se fosse possível, semanalmente!)
E na busca desta perfeição, não
pode haver taxistas a jogar bublle em frente a São Bento, que não se dignam
sequer a olhar o turista, que simpaticamente pede umas poucas palavras em
inglês.
Não pode haver “gajos rascos,
mesmo rasca” a vender, não, a obrigar a comprar, um supermercado de droga a
quem sai de São Bento, sem um único polícia num raio de dezenas, talvez
centenas de metros.
Não pode haver 90% dos tascos
fechados à 2ªfeira, até porque, sendo os voos mais baratos neste dia, há muito
viajante que escolhe este regresso. Não pode haver trocos dados com as moedas
do bolso das calças, nem o ter de pedir factura.
E não pode, não pode mesmo haver
um desleixo com quem é de cá. Não posso de maneira alguma sentir que agora, que
há ingleses ou franceses a visitar a minha terra, e assim eu não interesso tanto. Se
calhar é ressentimento, mas no decurso da organização da festa do Guilherme, foi
impressionante a quantidade de emails enviados e da falta de respostas dos mesmos.
Tentei variadíssimos sítios, alguns da moda, outros nem por isso, e poucas,
muito poucas foram as respostas profissionais que recebi. Onde está o profissionalismo aqui? E nisto, não tenho
duvida, temos de crescer!