terça-feira, 24 de março de 2015

Quase em casa

Mais uma semana. A última antes de ir a casa. Passou mais um trimestre. Mais três meses cá. Mais uma viagem a casa. Uma viagem que se adivinha estranha. Uma viagem sem data marcada de regresso. Não, não vou regressar à terra mãe (infelizmente) ... (Ou não!!!) .. (Ou sei lá !!). Vou apenas renovar o visto, para continuar por aqui mais uns tempos. Ontem mais uma notícia que um de nós vai embora. A segunda notícia destas do trimestre. Custa ouvir, porque aqui, mais que em qualquer outro lado, habituamo-nos que a família são os amigos. E estes já vão. Vão começar outra vez lá na "nossa casa". Vão e fazem bem em ir. Mas custa a quem fica. Custa porque eles vão. Custa porque nós ficamos. Custa porque nos obriga a pensar se um dia será o nosso dia de ir. 
(Também custa mais porque hoje chove e estou nostálgica! Se estivesse esticada na piscina ao sol, não me custava tanto!!) 
Aqui no trânsito (sim, hoje com motorista) penso na família que tenho cá. Nas amizades que criei do zero e que nos irão acompanhar na vida. Nas pessoas que conheci e que são parte de nós. Em quem agora nós é tão próximo. E penso nas que estão longe. Na família/amigos de lá. Nós que a distância mantém, afasta ou até aproxima. Penso nas conversas que tenho cá, nas que falto lá. Penso em tudo porque o dia está cinzento e chove lá fora. E há lama! Muita lama! Demasiada lama. Penso e penso que daqui a uma semana estou quase a ver o azul do meu céu! 

sábado, 14 de março de 2015

Dias rapidos

Estes dias têm corrido a um ritmo alucinante. Festas, trabalho, feriados que me sabem pela vida, mais trabalho, clientes emocionados, desilusões, e muita praia da boa! Mesmo da boa. Daquela com pouco espaço, muita confusão, mas muitas gargalhadas e conversas das que valem a pena. Tudo passa pelas nossas vidas a correr e lembrei-me hoje que já passaram dois anos que o Guilherme fez de Luanda a sua casa. Não posso, nem quero deixar de assinalar esta data. Esta data será sempre um registro das nossas vidas. Aterramos os três pela primeira vez cá, dia 7 de Março de 2013. E dia 8, feriado, o Guilherme ia à praia pela primeira vez. Já vai tão longe o dia...
Dois anos passaram. Saldo? Continua positivo! A praia faz parte da sua vida, o calor também. Já se aguenta sozinho (com braçadeiras, claro) na piscina grande. E viveu a grande, grande maioria dos seus dois anos e meio cá. 
Este ano não se adivinha fácil. Muitos serão os problemas, as dificuldades, mas vamos continuar por aqui. Há amigos a irem embora. Nós vamos continuar no ritmo de África. Sol tórrido de manhã e tempestades assustadoras pela tarde. Vamos continuar no verão. Um dia a seguir ao outro, vamos continuar os dois anos que aqui passamos os três!

sexta-feira, 6 de março de 2015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Mais do mesmo

Ao fim de 40 minutos a secar e a destilar numa pastelaria sem ac e com 40 graus lá fora, em pleno centro de Luanda, recebo um telefone a confirmar a hora da reunião (que era há 35m atrás!!!). Nada de mais por estes lados. O único burro aqui sou eu que continuo a chegar a horas, ao fim de sete anos nesta terra.

Reunião feita. Objetivo atingido. Resultado: Mais do mesmo. 

Agora rumo a Talatona. Esperam-me seguramente duas horas de transito. Mais do mesmo. Revejo o fim de semana  que foi só metade, (e aqui nem vou dizer novamente "mais do mesmo" porque a burra mais uma vez sou eu!!) e penso no panicanço que tive quando vi sangue na cabeça do Guilherme (que afinal se veio a revelar um mini mini mini golpe).
Penso que tenho de mudar e ter mais calma. E penso no aperto que me dá quando ele chora com dores.
Penso e espero no transito. Vou começar seriamente a pensar utilizar o motorista da empresa nestas idas à cidade. Rentabiliza o meu tempo e descansa a minha mente, já para não falar que poupa os meus tacões.

As noticias por estes lados não são animadoras (também raramente são). Fala-se em impostos e mais impostos a serem aplicados nas transferências. As noticias de cá na imprensa portuguesa ainda são piores - Mais do mesmo!!!!!
É certo que para muita gente, perder 20% do ordenado pode inviabilizar o estar cá, pode deixar de compensar o esforço (porque ele existe e é grande), mas para a grande grande maioria, a questão continua a ser: menos 20% ou nenhum??! Ter emprego e ganhar menos, apesar de estar longe, ou não ter rendimento mensal fixo? A resposta será por demais evidente! Mas independentemente desta questão, do ir ou ficar, que a cada cabecinha cabe decidir, acho perfeitamente escusado capas da Visão com fotografias quase trágicas. Acho perfeitamente escusado a utilização de palavras como "Êxodo". Olho para as noticias na Sic e quase que nos imagino tipo gnus em plena migração. Utilizando a expressão "daquela que está aqui rentinha ao coração": MENOS!! MUITO MENOS minha gente.
Até pode haver necessidade de preocupação, que existe é certo. Mas menos show-off. Menos tragedias nas redes sociais. Menos palermices por favor.



p.s: post escrito ontem e publicado hoje por questões informáticas - Mais do mesmo!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnaval

Um profundo silêncio na sala. Na tv aguardo, quase, quase sem som o episódio da semana. Um momento meu aqui no sofá. Penso no carnaval enquanto vejo as fotos de quem gosto. Penso nas festas que fui, nas fantasias que fiz, nos maravilhosos momentos que passei. Muitos mais a preparar tudo ao mais minucioso detalhe, do que nas festas propriamente ditas. Penso nos amigos que partilhavam este gosto. Penso em ti Bruno, penso em ti Ana. Lembro-me de muitos outros que iam quase obrigados.
Lembro-me de tantas fantasias com muita alegria, com um saudoso sorriso. Lembro-me de atravessar a ponte D.Luis a pé, praticamente a morrer de hipotermia, com uma saia de sereia que permite passos de 30cm. Lembro-me que nessa noite quando tirei a fabulosa peruca, cujo cabelo terminava nos joelhos (qual sonho antigo de criança) tinha uma ferida na testa! Não referindo o facto da preparação demorar tanto, que quando chegamos à festa, a mesma estava no fim.
Lembro-me de comprar rendas para vestidos de anos 20. Lembro-me de medusas com serpentes no cabelo e olhos pintados de verde musgo. Lembro-me de fantasias inventadas onde o Gold e as flores eram o tema.
Lembro-me do ultimo Carnaval antes de decidir (aceitar) vir para Angola. Sem dizermos nada a ninguém, parecia que essa noite já tinha um sabor de saudade. 
Lembro-me da noite de Carnaval de 2012, novamente em Portugal, após a consulta onde soube (confirmei) que estava gravida. 
Parece que o Carnaval sempre esteve aqui, na minha vida. 
Cleópatras, diabos, odaliscas, todas fizerem parte da minha vida. E agora pelo terceiro ano, esforço-me que também faça parte as memórias do Guilherme. Não temos grande companhia, ainda não temos rituais escolares nem festas temáticas, mas temos vontade, temos fantasia e espero eu, temos memórias que se criam. Temos no mínimo dezenas de fotos para recordar.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Poucas horas

Mais uma vinda à cidade. Mais umas horas no transito. Mais umas caras conhecidas. Mais um almoço (que são sempre muito poucos) com as minhas amigas. Viver em Luanda Sul representa qualidade de vida é certo, mas representa afastamento destes pequenos, mas muito importantes, momentos. 
Estas "paragens" a meio da semana valem ouro. Estas conversas, mais ou menos serias, valem horas de descanso desta cidade, deste pais. 
Estes bocados "de gajas" são das coisas que tenho mais saudades de Portugal. 
Aqui é difícil ter momentos "meus" a meio da semana. E vir à cidade, a meio do dia, representa horas que não tenho. Horas que me fariam bem, mas que não cabem nas que o dia tem.
1 hora que coube hoje num almoço bom! 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dia a dia real

É impressionante como as ideias ou os objectivos para o ano que entram em menos de nada se desfazem. Queria saber mais cedo do gabinete à semana e dou por mim a viajar para as províncias, saindo de madrugada de noite, e aterrando já de noite, num outro dia! 
Queria dedicar mais tempo a brincar com  o Guilherme e hoje, domingo, estou à espera dum cliente numa obra. E quanto a actualizações de blogs ou dos diários do Gui, nem sequer fiz tentativas! 
Dou por mim a pensar que a vida nos comanda. O trabalho dita as ordens, as horas, os dias e grande parte dos pensamentos. E não deveria ser assim. Não deveria mas é. E pouco ou nada consigo fazer para combater isso. 
Há muita gente em Portugal que acha que vivemos na "praia"(aliás, há muita gente em Portugal e há muitas meninas em Luanda que também acham que vieram trabalhar para a praia, e não para um pais que tem mais verão-calor que o normal!! - o que é muito diferente), que acha que a vida é fácil e se ganha muito. 
Ganha-se bem é certo (ou já se ganhou) mas trabalha-se muito. A maioria trabalha ao sábado (e domingo), começa cedo e acaba tarde. A maioria trabalha mais do que trabalhou em Portugal. A maioria não tem cá família. 

À maioria custa estar cá! 
E agora esta coisa da dificuldade de transferir dinheiro está a complicar as coisas. Não que já se sinta muita diferença por cá,mas psicologicamente isto abala. Não conseguir "por o dinheiro lá" é quase trabalhar sem recompensa. 
Aguardam-se com ansiedade dias melhores. Dias mais calmos. Dias em que a imprensa portuguesa não "ponha mais lenha na fogueira". Dias em que nos deixem trabalhar onde ainda há trabalho. 
Sim, porque a maioria a quem custa estar aqui, veio porque "teve de ser". 

Veio porque o pais assim o obrigou. 

Melhores e mais calmos dias se esperam. 



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

6/52

"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"

Um dia feliz! Aniversario do Pai *

Cabinda

Nas minha resoluções deste ano estava conhecer um sítio novo. E um já cá canta. Não era bem o que eu previa quando escrevi, mas é sempre bom juntar conhecimento. E viajar para mim, para um sítio bom ou mau, implica sempre conhecimento. Raros foram os sítios que jurei não voltar. Há sempre algo que nos marca no desconhecido.

Hoje vim a Cabinda. Andei a adiar esta viagem, nos últimos meses do ano passado, principalmente pelas notícias sobre o Ebola rondar estas paragens, mas esta semana teve de ser. 

E cá vim eu. Um voo às 10h, que acabou por ser às 11.30m para o qual tive de sair de casa às 6 da manha. Já não me lembrava destas maratonas de voos regionais em África. E era coisa que não tinha saudades. 
Escrevo, sentada no chão duma sala de embarque carregada de mosquitos e de gente, que como eu aguarda o avião que deveria ter saído daqui as 20.30! São 23.16, ou seja, coisa pouca de atraso. 
Acabei de pagar 100usd para arranjar um lugar em executiva no próximo avião, pois tudo apontava para que o meu lugar  só saísse daqui por volta das 2 da manha, no avião seguinte, que ainda não  saiu de Luanda! E julgo ter conseguido ir no voo mais cedo. Sim, esse que ainda não chegou sequer!

Não me lembrava destes dramas de "aviões carreira" que vão e vêem e acumulam atrasos que podem chegar a um dia! E disto não tinha saudades, confesso. 
Mas estar aqui, de mochila às costas, de botas, sentada no chão, traz-me saudades. Lembra-me bons velhos tempos!

Isto de ver uma cidade pela primeira vez aguça-me o apetite. Em Cabinda, como na maioria das províncias angolanas, sente-se África. Cabinda é verde, muito verde mesmo, incrivelmente húmida e no horizonte inúmeras são as plataformas de petroleo visíveis. As senhoras donas deste pais. Deste pais e de muitos outros. Vêm-se chamas ao longe, silhuetas de aranhiços gigantes, enquanto miúdos tomam banho em praia que podiam ser de filme. Areal fino, não sei se um dia branco, mas hoje negro, com palmeiras e bambus a marcar presença.
Dizem que subindo poucos kms a norte, já perto da fronteira do Congo, a areia é branca e a agua límpida. Vou ter se voltar e comprovar. 
Por hora, uma cidade em crescimento. Menos suja, mais verde. Uma cidade angolana com certeza. 


(Escrito 2feira, 2 Fevereiro)

Cheguei a Luanda dia 3 Fevereiro!!