É impressionante como as ideias ou os objectivos para o ano que entram em menos de nada se desfazem. Queria saber mais cedo do gabinete à semana e dou por mim a viajar para as províncias, saindo de madrugada de noite, e aterrando já de noite, num outro dia!
Queria dedicar mais tempo a brincar com o Guilherme e hoje, domingo, estou à espera dum cliente numa obra. E quanto a actualizações de blogs ou dos diários do Gui, nem sequer fiz tentativas!
Dou por mim a pensar que a vida nos comanda. O trabalho dita as ordens, as horas, os dias e grande parte dos pensamentos. E não deveria ser assim. Não deveria mas é. E pouco ou nada consigo fazer para combater isso.
Há muita gente em Portugal que acha que vivemos na "praia"(aliás, há muita gente em Portugal e há muitas meninas em Luanda que também acham que vieram trabalhar para a praia, e não para um pais que tem mais verão-calor que o normal!! - o que é muito diferente), que acha que a vida é fácil e se ganha muito.
Ganha-se bem é certo (ou já se ganhou) mas trabalha-se muito. A maioria trabalha ao sábado (e domingo), começa cedo e acaba tarde. A maioria trabalha mais do que trabalhou em Portugal. A maioria não tem cá família.
À maioria custa estar cá!
E agora esta coisa da dificuldade de transferir dinheiro está a complicar as coisas. Não que já se sinta muita diferença por cá,mas psicologicamente isto abala. Não conseguir "por o dinheiro lá" é quase trabalhar sem recompensa.
Aguardam-se com ansiedade dias melhores. Dias mais calmos. Dias em que a imprensa portuguesa não "ponha mais lenha na fogueira". Dias em que nos deixem trabalhar onde ainda há trabalho.
Sim, porque a maioria a quem custa estar aqui, veio porque "teve de ser".
Veio porque o pais assim o obrigou.
Melhores e mais calmos dias se esperam.