Hoje vim a Cabinda. Andei a adiar esta viagem, nos últimos meses do ano passado, principalmente pelas notícias sobre o Ebola rondar estas paragens, mas esta semana teve de ser.
E cá vim eu. Um voo às 10h, que acabou por ser às 11.30m para o qual tive de sair de casa às 6 da manha. Já não me lembrava destas maratonas de voos regionais em África. E era coisa que não tinha saudades.
Escrevo, sentada no chão duma sala de embarque carregada de mosquitos e de gente, que como eu aguarda o avião que deveria ter saído daqui as 20.30! São 23.16, ou seja, coisa pouca de atraso.
Acabei de pagar 100usd para arranjar um lugar em executiva no próximo avião, pois tudo apontava para que o meu lugar só saísse daqui por volta das 2 da manha, no avião seguinte, que ainda não saiu de Luanda! E julgo ter conseguido ir no voo mais cedo. Sim, esse que ainda não chegou sequer!
Não me lembrava destes dramas de "aviões carreira" que vão e vêem e acumulam atrasos que podem chegar a um dia! E disto não tinha saudades, confesso.
Mas estar aqui, de mochila às costas, de botas, sentada no chão, traz-me saudades. Lembra-me bons velhos tempos!
Isto de ver uma cidade pela primeira vez aguça-me o apetite. Em Cabinda, como na maioria das províncias angolanas, sente-se África. Cabinda é verde, muito verde mesmo, incrivelmente húmida e no horizonte inúmeras são as plataformas de petroleo visíveis. As senhoras donas deste pais. Deste pais e de muitos outros. Vêm-se chamas ao longe, silhuetas de aranhiços gigantes, enquanto miúdos tomam banho em praia que podiam ser de filme. Areal fino, não sei se um dia branco, mas hoje negro, com palmeiras e bambus a marcar presença.
Dizem que subindo poucos kms a norte, já perto da fronteira do Congo, a areia é branca e a agua límpida. Vou ter se voltar e comprovar.
Por hora, uma cidade em crescimento. Menos suja, mais verde. Uma cidade angolana com certeza.
(Escrito 2feira, 2 Fevereiro)
Cheguei a Luanda dia 3 Fevereiro!!





















