Acabo de escrever um relatório medico. Sim, eu, eu mesminha, arquitecta de profissão (e contente com a mesma, diga-se a bem da verdade!), acabo de escrever um relatório "medico". Passo a explicar... Acabo de escrever, como quem diz passar a limpo, transpor para o papel (ou iPhone neste caso), tudo o que aconteceu há três fins de semana atrás com um amigo/colega de trabalho. E este relatório será entregue a um medico em Portugal, esperando que com isto ele perceba melhor o que aconteceu naqueles dias. Daí o nome que escolhi para o "relato"! Relatar aqueles dias foi revive-los e como tal reviver todas as dúvidas e medos que me assaltaram naquelas horas que pareciam não ter fim. Passo a explicar resumidamente... FMG (para proteger a sua indentidade ;) ) teve um episódio de malária, supostamente curado, e passados quinze dias volta a sentir-se mal. Com febre, repete os exames e tudo dá negativo. Dois dias depois, fica confuso, febre alta e basicamente entra num estado "meio coma meio sedado". E aqui começa o pânico. Começam as duvidas, os menos, as incertezas. As conversas inconclusivas, as perguntas sem resposta, o "vamos aguardar e ver". Surgem os telefonemas horríveis para quem a 6mil km de distancia chora. Somos impotentes para nesta altura ajudar e explicar alguma coisa a quem nunca cá esteve. Começa a nossa incerteza com o sistema de saúde local. É melhor transferir?? Pode-se sequer transferir? E para onde? Africa do Sul, Portugal? Ficar cá?!! Vêm à baila todos os medos de sempre. Surgem na nossa mente todas as questões sobre viver em Africa vs viver na Europa. Surge em particular na minha mente a imagem do meu filho e de EU o sujeitar a estes mosquitos, a estas doenças, a estes cuidados. Lembro com angustia a certeza e confiança que deposito nos meus médicos portugueses. E a falta que aqui fazem. Algumas horas de aflição e duvidas depois, entre episódios de transferências de clinicas que noutro contexto até podiam ter piada, o FMG, ainda sem diagnostico, acorda! E isso é o único resulto que interessa. Hoje tive de reviver essas horas de medo e rezar para que elas nunca mais voltem. Tenho de viver aqui pelas condições que a vida me trouxe. E se tenho de o fazer, prefiro fazê-lo feliz! "Relatórios" destes dispenso!