terça-feira, 24 de junho de 2014
Tempo
Não tenho tido tempo. Não tenho tempo. E não vou ter tempo tão cedo. Essa é a maior verdade dos meus últimos tempos. Nos meus tempos idos, eram vários os temas deste local. Agora??? Sou eu a queixar-me do tempo. Ou melhor, da falta dele. Profissionalmente a coisa parece que corre pelo melhor. Ou melhor, correria melhor se houvesse mais tempo. Mas o facto desta parte da minha vida estar a correr bem, faz, mas não devia fazer, com que a parte pessoal corra pior. Não sou daquelas mães que queria não trabalhar de tarde para ficar com a criatura, mas agradava-me chegar a casa meia hora antes de jantar. Facto que não tem sido fácil. Mas a pior parte de tudo isto é que acho que quando não se tem tempo, é fácil falhar. É fácil não percebermos que amigos precisam de nós porque simplesmente não temos tempo para falar com eles. É fácil falhar em momentos importantes no meu filho. É demasiado fácil falhar como "mulher" ou como dona de casa (love the expression!!). Tudo por culpa da falta de tempo. E eu, que por acaso me gabava de não me esquecer de nenhum aniversario. Agora??? Nem sequer tenho tido tempo para parar e me lembrar disso. Mas lembrei-me que ontem fiz nove anos ao lado do meu #gajoquemedesculpaafaltadetempo! E que hoje faz sete anos que ele aterrou nesta terra, enquanto eu recuperava. E que desde esse dia o nosso tempo tem sido traçado por aqui. E a minha vida tão a correr só é possivel porque ele ajuda. Mas hoje foi um dia bom. E mesmo com poucos minutos ou poucas horas sem trabalhar os dias têm sido bons. Hoje saí a horas e fizemos uma dança com música do panda. E dançamos, eu e o Gui. E dançamos muito. E foi bom! E melhor ainda é ter no horizonte ferias! E tempo!
quinta-feira, 12 de junho de 2014
7 anos
Faz hoje 7 anos que me tiraram um bocado. Mas um bocado mau. Um bocado que estava onde não devia. Faz hoje 7anos que pensei ao de leve que podia não acordar mais. Mas acordei. Acordei naquela 3ª feira depois de duas horas de operaçao, muito zonza e a ouvir ao fundo que correu bem.
Muito ao fundo porque o sono e a má disposição eram muitos. Faz hoje 7 anos que conheci os profissionais do IPO de muito perto e que fiquei com uma divida para todo o sempre para com eles. Faz hoje 7anos que percebi que vou ter sempre uma doença, um cancro, por muito que me custe dizer esta palavra. Que nunca se sai mesmo que se esteja bem. Que nunca acaba passem os anos que passarem. Temos sempre isto conosco, bem perto, rente. Demasiado rente. Mas faz hoje 6, 5, 4, 3, 2 anos que todos os 12 de Junho penso que tenho sorte, que vale a pena acreditar na vida. Passados 7anos tenho um filho lindo e sou feliz.
O meu muito obrigada a todos os que fizeram parte daquele 12 de Junho, mas muito especialmente ao Dr.Dinis, ao Dr.Franco, à Dra Filomena, ao Prof Agostinho Marques e ao enfermeiro que fez noite (que não sei o nome) e que até gelatina roubou para mim!
E viva o 12 de Junho! Venham mais 7!
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Educar
Este é um post controverso. Um post em que tenho a certeza que vou ser criticada. Mas sei que alguém, (tem de haver alguém) vai pensar que agiria como eu agi.
Desde que sou mãe, e se calhar até antes disso, desde que tenho amigas próximas mães e por isso convivo mais com estes temas, que tenho vindo a pensar sobre os "limites" da educação. Sobre os limites das crianças. Sobre o que deve ou pode ser permitido e quais as consequências que trará cada proibição ou permissão. Sobre dar uma sapatada ou não. Sobre hoje em dia isso ser quase "o dilema". Ainda não tenho uma conclusão e como tal umas vezes permito, outras nem tanto. Mas acho que na generalidade hoje em dia permiti-se muito, demasiado mesmo. E eu corro o risco de falar e se calhar ir por esse mesmo caminho. Tenta-se compreender tudo, mesmo o que por vezes não tem compreensão nem tão pouco explicação do meu ponto de vista. Acho que grande parte das birras do meu filho, (nos últimos tempos mais frequentes) são só birras porque são. Porque ele quer. Ou porque lhe dizem não a virar o piripiri no chão da cozinha, ou porque não pode trepar para cima da mesa da sala de jantar ou simplesmente porque sim. E para mim, estas são as birras sem sentido. Até podem ter sentido para a pequena criatura mas para mim não e como tal não há volta! E aqui vem a pior parte. Se há dias em que até tento explicar o porquê do não, há outros que nem isso adianta ou não me apetece, ou o "não" não tem nenhuma explicacao sequer e só se resolve a cena teatral ao fim de dez minutos de pranto. Prantos profundos que por vezes termina sozinho por baixo da sala de jantar (é aqui que vou começar a ser chamada de má mãe!!) . Mas adiante. Fomos jantar a um restaurante giro aqui em Luanda. Daqueles giros, cheios de gente animada, onde se come e bebe bem e com bom ambiente. E eis que o sr Guilherme, que nos acompanhou ao jantar, (aqui não há avós para "cravar") se lembrou que queria andar a passear pelo restaurante inteiro. Passeou dez, quinze minutos talvez mas a comida estava na mesa e era preciso sentar. Até porque nesta terra, os pratos não têm preços possíveis para se deixar a comida arrefecer. E eis que surge o drama, o horror , a tragédia! O Guilherme não se queria sentar e nem iPad, nem carrinho, nem caderninho de desenhos o demoveram. E é aqui que surgem as duvidas e as questões. Vou deixar de jantar para andar a passea-lo?? Ou vou contraria-lo fazendo prevalecer o bom senso? Ganhou a hipótese dois. A criatura foi sentada (literalmente à força) no carrinho, com uma animação frontal. Dez minutos de pranto depois calou-se. Meia hora depois dormia e nós jantávamos com o nosso grupo de amigo. Fiz bem? Não sei.. Ele chorou é verdade. Chorou até soluçar. Mas percebeu que eu não ia ceder e que tinha de estar sentado também. Que desta vez ia fazer o que a mama mandava. Eu sei que a melhor opção seria não o levar a estes jantares tardios, mas aqui não temos outra hipótese. Aqui não há avós nem família para ajudar. E nós temos de continuar a ter vida. Menos vezes é certo e em locais escolhidos mas tem de haver um meio termo, pois amo de paixão o meu filho mas tenho de sair com gente adulta. E ele tem de cooperar e acima de tudo saber o que é um sim e um não da nossa parte.
Post escrito no passado domingo. A net por aqui está lenta!
domingo, 11 de maio de 2014
Sábado
Mais um sábado. Mais uma semana que passou e menos uma que falta para irmos de ferias. Sim, verdades absolutas e sem necessidade de confirmação mas assim parece que é mais real. Mais perto de se concretizar. As ferias ainda não estão decididas e contava com a tarde de hoje para me debruçar sobre esse tema. O cansaço evidente, a tosse do Gui, a ausência do pai e a falta de net fizeram com que os planos se alterassem. Uma tarde de pesquisa foi substituída por uma tarde de sono com o meu filho. Por isso continuo sem destino certo mas mais refeita desta ultima (pesada) semana que passou!
A falta de net e mesmo de rede telefónica vai fazer com que provavelmente so publique este post amanha!! Ou segunda ... Nunca se sabe o que acontece nesta terra!
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Dias compridos
Já devo ter escrito sobre este tema uma meia dúzia de vezes mas começam a chegar os dias que mais me custam por cá. Nem é o frio, pois esse nunca chega. Nem tão pouco é a falta de sol. O que me falta são os dias compridos. Os jantares com claridade na esplanada ou no jardim dos meus pais. Fosse Angola um pais com sol até as 9h da noite e eu seria tão mais feliz. Aquele ritual de ficar na praia até tarde. De jantar com sol. Esta época em Portugal é grande. Os dias duram e duram. Combinam-se programas depois do trabalho. Tenho tantas saudades dos meus cafés de fim de tarde com as minhas amigas. Aqueles momentos de descontração depois dum dia de trabalho e antes de voltar a casa. Os dias compridos permitem isso. Os dias grandes cheiram a passeio, a festa, e sabem a martini ou sangria. Nos dias compridos vive-se mais e eu tenho saudades disso.
Dias menos bem
Há dias em que não tenho tempo para almoçar. Ou parar para actualizar os meus blogs favoritos (demasiados dias!!). Há muitos dias mesmo que chego tarde para jantar ou que não consigo fazer seque metade da minha lista. E outros que só sobram seis horas para dormir. Mas tudo isso, mesmo tudo, eu levo "na boa" (ou quase!). Mas basta o Guilherme não estar a 100% ou tossir de manha para eu ir de coração apertado. Já nada me corre bem. Já a minha cabeça está constantemente fora do autocad. Preciso que ele esteja bem para eu poder estar "fora", mais ausente, mais lá na obra, menos "aqui" em casa.
terça-feira, 6 de maio de 2014
wish list de vida
É nestes dias que tenho (ainda) mais certezas que quero um dia viver na Asia. Nem digo especificamente onde, pois tenho algumas (varias) opções. Mas quero ir viver para lá. O cheiro a "humidade", a chuva, a calor transpirante. Gosto tanto. O contraste entre verde, praia, milhoes de pessoas e cidades imensas. Onde tudo é bruto. Tudo é intenso. Tudo é Muito. Tudo é imensamente forte. Não há meios termos. A beleza é imensa. A tragédia também. Lembra-me sempre alguns dos dias mais felizes da minha vida. Este cheiro é feito para mim. Sou eu e é disto que eu gosto.
Wish list #6 . Colares
E porque nem só de conversas serias ou desabafos vive este blog, e porque sim...Hoje só precisava dum destes! Qualquer um!
Haja colarzinhos bonitos!!!
Todos na Uterque*
sábado, 3 de maio de 2014
Véspera de dia da mãe . Sábado
O dia hoje começou cedo. Muito cedo. Demasiado cedo, aliás! O Guilherme acordou as 6.50!!! Madrugada, bom dia! O sol já ia alto por estes lados e muita gente já trabalhava na rua. Mas aqui no meu subconsciente ainda era madrugada. Trouxe-o para a minha cama, em modos que zoombie, na tentativa de aproveitar mais meia hora de sono. Mas...passada essa meia hora, já riamos os três à gargalhada. Nestas coisas posso garantir com certeza, que o meu filho não sai à minha pessoa. Mesmo com sono, acorda com uma boa disposição incrível e nos primeiros minutos já fazia palhaçadas. Ainda que com os olhos meus abertos. E os meus quase fechados. Volvida a desilusão de poder descansar mais uns minutos, levantamo-nos os três e enquanto os homens desciam para o pequeno almoço eu arranjei-me para trabalhar e para uma reunião com uma possível grande cliente. Hoje foi dia de pineappleaddicted! Gosto de ananases e gostos de pineapple prints. Seja em roupa seja em home decor. Adiante. A reunião concretizou-se após 1h e 25 minutos de atraso, em que estive literalmente plantada a escorrer ao sol! Ao género perfeito do ananás. Like um fruto tropical! Acabar a reunião e vir a correr para casa para sair o pai, já por sua vez, 1h atrasado para a sua reunião. E assim só as duas da tarde começou o meu fim de semana. As duas da tarde parei, respirei fundo, almocei com o meu filho (ele já estava no fim diga-se) e comecei a abrandar o ritmo. E agora, enquanto escrevo, ele dorme ao meu lado. A primeira parte da sesta dormiu-a na cama dele, enquanto eu li umas revistas trazidas esta semana da "civilização". Depois acordou, pediu colo, e viemos os dois para a minha cama, para o mimo.
Enquanto olho para ele penso que amanha é dia da mãe. E, apesar de como já aqui o disse, não apreciar especialmente estes "dias de alguma coisa", lembro-me de mães que sofrem. Nem sou muito de tristezas, mas vem-me à cabeça mais que perderam filhos, mães que lutam para não os perder, mães que amanha vão sofrer se calhar ainda mais que em outros dias, ditos normais. Nem sei bem porque me ocorreram estas ideias tão tristes mas sinto que essas são as mães a ser homenageadas amanha. Para essas mães e mulheres que lutam, lutaram, ou que sofrem vai a minha homenagem amanha. Porque a maternidade devia ser uma fonte inesgotável de alegrias, de sorrisos, de vitorias. E muitas vezes não é. Porque nessas vidas e nessas vezes a "vida" é injusta.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
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