Este é um post controverso. Um post em que tenho a certeza que vou ser criticada. Mas sei que alguém, (tem de haver alguém) vai pensar que agiria como eu agi.
Desde que sou mãe, e se calhar até antes disso, desde que tenho amigas próximas mães e por isso convivo mais com estes temas, que tenho vindo a pensar sobre os "limites" da educação. Sobre os limites das crianças. Sobre o que deve ou pode ser permitido e quais as consequências que trará cada proibição ou permissão. Sobre dar uma sapatada ou não. Sobre hoje em dia isso ser quase "o dilema". Ainda não tenho uma conclusão e como tal umas vezes permito, outras nem tanto. Mas acho que na generalidade hoje em dia permiti-se muito, demasiado mesmo. E eu corro o risco de falar e se calhar ir por esse mesmo caminho. Tenta-se compreender tudo, mesmo o que por vezes não tem compreensão nem tão pouco explicação do meu ponto de vista. Acho que grande parte das birras do meu filho, (nos últimos tempos mais frequentes) são só birras porque são. Porque ele quer. Ou porque lhe dizem não a virar o piripiri no chão da cozinha, ou porque não pode trepar para cima da mesa da sala de jantar ou simplesmente porque sim. E para mim, estas são as birras sem sentido. Até podem ter sentido para a pequena criatura mas para mim não e como tal não há volta! E aqui vem a pior parte. Se há dias em que até tento explicar o porquê do não, há outros que nem isso adianta ou não me apetece, ou o "não" não tem nenhuma explicacao sequer e só se resolve a cena teatral ao fim de dez minutos de pranto. Prantos profundos que por vezes termina sozinho por baixo da sala de jantar (é aqui que vou começar a ser chamada de má mãe!!) . Mas adiante. Fomos jantar a um restaurante giro aqui em Luanda. Daqueles giros, cheios de gente animada, onde se come e bebe bem e com bom ambiente. E eis que o sr Guilherme, que nos acompanhou ao jantar, (aqui não há avós para "cravar") se lembrou que queria andar a passear pelo restaurante inteiro. Passeou dez, quinze minutos talvez mas a comida estava na mesa e era preciso sentar. Até porque nesta terra, os pratos não têm preços possíveis para se deixar a comida arrefecer. E eis que surge o drama, o horror , a tragédia! O Guilherme não se queria sentar e nem iPad, nem carrinho, nem caderninho de desenhos o demoveram. E é aqui que surgem as duvidas e as questões. Vou deixar de jantar para andar a passea-lo?? Ou vou contraria-lo fazendo prevalecer o bom senso? Ganhou a hipótese dois. A criatura foi sentada (literalmente à força) no carrinho, com uma animação frontal. Dez minutos de pranto depois calou-se. Meia hora depois dormia e nós jantávamos com o nosso grupo de amigo. Fiz bem? Não sei.. Ele chorou é verdade. Chorou até soluçar. Mas percebeu que eu não ia ceder e que tinha de estar sentado também. Que desta vez ia fazer o que a mama mandava. Eu sei que a melhor opção seria não o levar a estes jantares tardios, mas aqui não temos outra hipótese. Aqui não há avós nem família para ajudar. E nós temos de continuar a ter vida. Menos vezes é certo e em locais escolhidos mas tem de haver um meio termo, pois amo de paixão o meu filho mas tenho de sair com gente adulta. E ele tem de cooperar e acima de tudo saber o que é um sim e um não da nossa parte.
Post escrito no passado domingo. A net por aqui está lenta!





