domingo, 20 de abril de 2014

Domingo de Páscoa

Quem me conhece sabe que não ligo nenhuma à Páscoa. Nunca liguei. Para mim desde muito cedo a Páscoa resumia-se a oferecer o ramo à minha madrinha e depois ir com ela escolher a minha prenda. Normalmente as sapatilhas desse ano!! (Recordo especialmente umas Le Coq Sportif vermelhas lindasss). E esse era o programa dos dois fins de semana de Páscoa. Sempre adorei a minha madrinha e a ideia de dois fins de semana com ela e com os meus primos, era sempre coisa divertida. Mais tarde, a piada da Páscoa começou a ser as ferias, primeiro da escola, depois da faculdade e com estas a possibilidade de viajar. Mais tarde ainda, com o trabalho e salario (ainda que fraco!!) a ideia de uns dias fora era sempre a tentação. Pois, o conceito católico da Páscoa, esse, sempre me passou muito ao lado. Acho que parte desse "passar ao lado" também vem da minha mãe me acordar às oito da manha para receber o Compasso. Compasso este que nunca, mas repito-vos nunca, entrou em minha casa antes do meio dia! Mas e convencer a Sra. Dona minha mãe de tal facto? Impossível! Adiante...
As amêndoas ou os ovos da Páscoa também nunca foram a minha perdição. Nem tão pouco o folar ou o cabrito, animal este que nem como. Ou seja, a Páscoa nunca me disse muito e talvez por isso, desde que sou emigrante e que tenho de programar as minhas idas a Portugal, nunca foi data que fizesse questão. Até ter um afilhado! Quando o Pedro nasceu pensei com tristeza que não ia receber o ramo, tradição que gosto e que sempre que posso ainda cumpro. Pensei também que o meu afilhado não ia crescer com este ritual e tive pena. Claro está que continua a receber a sua prenda, mas nunca conhecerá a Páscoa como eu me lembro e tenho pena por isso. Este sentimento ficou ainda mais forte quando o Guilherme nasceu. Também ele apesar de ter madrinha, não saberá o que é ir comprar o ramo, escolher o mais bonito e entregar com todo o carinho que a madrinha lhe merece. E apesar da madrinha também lhe comprar o folar, também ele nao saberá o que é receber no dia certo, no dia de Páscoa. São estas algumas das nossas perdas aqui. São estas pequenas tradições, impossíveis de manter em Angola que me fazem agora ter pena. Que me fazem sentir que há fotografias que o meu filho ou o meu afilhado nunca terão. Há vidas que terão sempre sentimentos e momentos vividos com um continente no meio.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Chove e chove forte

São fins de tarde como o de ontem que me relembram que isto é Africa. Muito, muito Africa! E Africa em toda a sua força e esplendor. A tempestade surgiu repentina. A chuva caia como uma cortina espessa, os relâmpagos iluminavam os céus de Luanda segundos  sem fim. O vento levantava chapas, telhados de alguém, como folhas de papel. Lá fora tudo as escuras. E de repente... Tudo normaliza! Tudo passa! Fica uma chuva miudinha para hoje de manha o cheiro a terra ainda ser mais intenso. A humidade relativa do ar esta em 94% e por agora não chove. 

Sempre gostei de ver tempestades. Acho que nos "colocam no nosso lugar". Que nos fazem sentir o quanto temos muitas vezes de ser espectadores desta vida. Há muitas tempestades numa vida. Há muitas mais do que as que gostaríamos. Mas eu gosto das tempestades de Africa. Talvez seja das coisas que mais gosto aqui. Ela chega, sem aviso, com força e determinação. Varre e levanta tudo. Ilumina os céus fantasticamente. Mas depois segue viagem pelo continente e de manha o sol brilha num céu limpo. É um recomeço. Mais um! E eu prefiro a chuva assim do que a "morrinha" meses sem fim. No tempo e na vida. 

Africa é bruta e selvagem mas forte e directa. E eu gosto da vida assim. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tudo se mantém

Quando achamos que Luanda já não é assim tão mau, que até já há (duas!!) gelatarias fantásticas, pizzas maravilhosas (num sítio!), alguns supermercados com produtos mais alternativos, eis que surge um dia de temporal, que nos corta o telefone, a internet e nos deixa ficar sem gasolina paradas uma hora no meio do transito. Sim, podia ser pior. Foi só isto. 

Domingo

Já cheguei, já matei saudades, já mergulhamos juntos e já demos muitos abraços. Saudades "matadas". Trabalho?? Em pilha em cima da mesa. Em pilhas sucessivas. Mas sentimento de sucesso, de êxito. Apesar de me faltar resolver uma centena de assuntos, consegui ir a Milão, ver a feira, voltar, abraçar o meu filho e marido e até ir à praia. Consegui ser mãe, mulher e arquitecta. E até consegui fazer as unhas  no meio disto tudo. O que falta? Finalizar a mudança da casa. Esta semana é a vez da ausência do pai. Ficamos nós pá dois, viaja o pai. E a recompensa será um fim-de-semana dos compridos. Três dias de abraços com sabor a sal e a sol! 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Arriverdeci Milano

Estou cansada. Muito cansada mas satisfeita. Milão é sem duvida alguma uma cidade que respira design, moda, bom gosto, qualidade, etc e afins. A feira de Milão é um verdadeira "ajuntamento" de gente ligada à arquitectura, ao mobiliário, ao design de interiores. Claro que vimos imensas coisas que não interessam a ninguém, mas também vi coisas muito boas. Stands fabulosos, moveis incríveis e gente cheiinha, mas cheiinha de pinta! Daquela que dá gosto ver. Daquela que nos inspira e nos faz acreditar que uma pessoa assim só pode projectar coisa fantásticas. E Milão? Milão vale a pena! E vale muito a pena nesta semana. A animação na rua é frequente e em imensas lojas vemos festas que se prolongam pelo passeio. E festas com um glamour inacreditável. Cada vez que convenço mais que é muito importante viajar. Mas para a minha profissão, a minha ocupação é mesmo imprescindível! Preciso de ver, de conhecer, de tocar naquele marmore ou naquela parede. Vou cansada repito, com os pés desfeitos mas com a cabeça cheia. Por agora esperam-me 10horas de voo, mais duas de alfândega até abraçar o meu pequeno! Porque a cabeça vai cheia mas as saudades apertam. Amanha é dia de passar para o papel as ideias e dia de abraços! Amanha vai ser um dia muito bom! 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vou ali e venho já

Post escrito ontem. 

Fomos a casa e viemos. Eu acho que cada vez sabe a menos. Não vimos todos os que queríamos, não fomos a todos os lados e nem descansamos. Alias, essa é a minha maior certeza-não descansei! Mas cortei o cabelo, fiz compras (e boas) matei algumas saudades, conheci uma princesa nova que já faz parte de nós e soube de duas novidades que me encheram o coração. E no entretanto, enquanto fui e voltei, mudamos de casa. E voltei ao trabalho. Voltei para uma pilha de projectos. E ainda não arrumei os caixotes das mudanças nem fiz a mala para partir de novo amanha. Mas já fomos à praia. E à piscina. Já actualizamos os nossos Ss (sun, sea, salt and sand) na pele. Sim, porque a praia é parte do que nos aguenta aqui. Hoje sigo para Milão para ver as novidades. Sigo a trabalho mas o coração fica cá. Quando voltar terei de actualizar trabalho, arrumar caixotes e organizar uma casa nova. Devo abrandar lá para Maio!!! 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Nova etapa


Hoje sou assim. Toda eu sou flores. Vou a casa. E vou sair de casa.
Mais uma casa que nos viu passar. E seguir. E ter contrariedades. E ser felizes. Aliás a ser muito felizes. Vamos a casa hoje e quando voltarmos vamos para uma nova casa. Hoje é dia da arvore, hoje começa a Primavera e eu tenho motivos para sorrir. Mais uma nova etapa e que seja esta tão feliz como a anterior ( e com mais m2!!!).



quinta-feira, 20 de março de 2014

Quase de ida

Véspera de ir a casa. Trabalho para deixar pronto equivalente a cinco vezes as horas que tenho disponíveis. Reunião marcada para as 7 da manha. Adiada (praticamente à hora da mesma) para as 8. E às 8.55, no local, já ferradinha que chegue pela estupor mosquitagem desta terra, e já depois de uma sauna de 55minutos, aviso de cancelamento da mesma! Humor : mau! Tentativa de recuperação do mesmo com uma maravilhosa nata (sim, já há maravilhosas  em Luanda) e um café (quase) à nossa boa moda! Segunda tentativa de reunião as 14h! (Post escrito as 14.31 em fase de espera!). Enquanto estou aqui reflito. Penso que ontem foi dia do Pai. E eu tenho um dos dois melhores pais do mundo. E o meu filho tem outro. E tiramos a foto da praxe. Não houve tempo para mais mas as fotos estão lindas. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Conciliar tudo

Cansada. Sem horas para dormir. Sem horas para descansar. Sem horas para brincar com o meu filho (que não é por ser meu mas esta um espectáculo!). Sem horas para as minhas series de tv ou os meus livros. Estes últimos dias tenho pensado, (normalmente no meu tempo de descanso no transito) em ser mãe e trabalhar. Mais que isso, em ser mãe e progredir na carreira. Sempre me interessei bastante por este tema e esta polémica pois como já aqui disse muitas vezes, não me imagino a ser mãe a tempo inteiro (nem que tivesse dinheiro pra tal!!). Acho super bem quem é feliz a se-lo mas eu não o seria e por isso o caso aqui é diferente. Eu estou longe da familia e isso dificulta bastante as coisas. Como é que se trabalha até mais tarde ou ao fim de semana sem avós por perto? Não é fácil. Nós temos empregada e babá e eu sinto que o dia precisava do dobro de horas. Tenho um marido que me ajuda, que me deixa ter tempo para ser arquitecta, para estar com a cabeça nos tijolos e mesmo assim sinto que não faço tudo. Nao aspiro nem passo a ferro e ando cheia de sono. E as maes que aspiram, que tratam dos filhos e ainda têm trabalho para fazer em casa???!WTF quantas horas dormem?? E Como fazem as mães sozinhas? As mães (e há tantas!) que não têm ajudas e querem subir na carreira? E ser mães na mesma e que não tem "pai" para partilhar??! Nao faço a mais leve ideia!!! A minha preocupação está longe de ser das mais graves porque a casa está arrumada, a roupa passada e o meu filho anda feliz da vida. Mas penso... Penso que para ser o que sou tenho de fazer horas, muitas desenhos no pc e isso é roubar-lhe tempo a ele. É roubar tempo de sorrisos, de passeios, de felicidade. Mas depois pondero, paro, raciocino e penso que a desenhar também eu sou feliz. Por isso e como tenho o marido que tenho, consigo (ou acho que vou conseguindo!) conciliar tudo. Fazer bons projectos e ouvir a gargalhada mais fabulosa do mundo quando chego à hora de jantar!! 

Obrigada marido, Laura e Andreza*

quarta-feira, 12 de março de 2014

um ano de Luanda


Agora com o trabalho novo não há tempo para blogs como havia. E para grande pena minha! Uma das coisas que mais gozo me dava era diariamente ler a minha lista de favoritos. Era um bocadinho só meu. Mas entre work, Gui e mais mil e trezenta e cinquenta e sete coisas, os blogs ficam para trás.
Ficam os outros e fica este infelizmente. Hoje já é dia 12 e desde o ultimo post já houveram fotos de Carnaval (dois dias), dias de praia maravilhosos, dias de trabalho com 37 horas e mais mil assuntos sobre os quais devia ter parado para escrever. Mas há um que quero marcar. Há que que não quero esquecer e quero deixar registado. Há um que vai passar a fazer parte das nossas vidas. Na passada sexta feira, dia 7 de Março, véspera do dia da mulher (esse é outro tema que dava para muitas palavras), o Guilherme fez um ano que aterrou em Luanda, Angola, África! Passou um ano que concretizamos uma decisão que apesar de (quase) inevitável, foi das mais difíceis da minha/nossa vida. O Guilherme vive (com interrupções, claro) há um ano em Luanda. Felizmente o saldo é extremamente positivo e apesar dos solavancos da vida posso dizer com segurança que espero que todos os anos futuros sejam assim. Com muitas descobertas, alegrias, saúde, praia e África. Que África nos(O) continue a tratar com o carinho que tratou até agora, pois o certo é que o meu mais que tudo já conta com mais dias neste continente que no "nosso".