quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo

Podia desejar muita coisa! E desejo... Coisas fúteis, e outras absurdamente fúteis. Outras só bastante! Mas acima de tudo e antes de tudo, desejo saúde! Desejo saúde para mim e para os meus. E desejo a todos vocês : saúdinha!!! Muita! Porque com saúde a gente arranja o resto! 

Um feliz Ano e que venha carregado de bons momentos*

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Natal

Natal. Já foi. Já era. Mais um. Mais um que queria que fosse diferente e não foi como eu quis. Este ano especialmente soube-me a pouco. A muito pouco. E não devia ter sido assim. Devia ter sabido a muito, pois foi o primeiro Natal que o Guilherme "apreciou". No ano passado era demasiado pequeno e este ano as expectativas (as minhas claro) eram enormes! Roupa a fazer pandan, cortina de luzes na parede, arvore com bonequinhos etc.. E resultado final: tufo a correr! Nunca comprar presentes me soube a tão pouco! Nunca andei tão chateada (literalmente de trombas) no Shoping. Nunca tive tão poucos jantares de Natal. Andei a mil, e ainda ao dia 29, nem sequer comprei tudo!!! Detesto confusão nas lojas, detesto roupa por passar, detesto compras por obrigação e foi tudo isso que tive este ano! Realmente o pais até pode estar em crise, mas o certo é que as lojas estão "esgotadas"! Não há livros que procuro, tamanhos que quero, presentes especiais como gosto! Cada vez mais aprecio presentes feitos, personalizados, daqueles que nos enchem a alma. Este ano tive alguns. O meu filho recebeu uma carta, uma carta que me faz ter a certeza da nossa escolha. Uma carta que me mostra que há amizades grandes. Eu recebi um coração cheio de doces. Um coração duma amiga que alimenta a alma. Recebi também o símbolo do amor infinito e uma pedaço de "mãe". São presentes destes, pensados, que me fazem gostar do Natal. São presentes destes que me fazem ter vontade de no próximo ano insistir outra vez e não correr tudo a vales de compras!!! 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A caminho de casa

A caminho de casa! Após três meses e meio, dois aniversários ( o meio e o do Guilherme), muitas idas à praia, muitos progressos, algumas birras, algumas mini (felizmente) maleitas e duas picadas no dedo, voamos até casa. Com direito a um pequeno almoço no Dubai (sim,o pessoal curte dar meia volta ao mundo para ir a casa) e 16 horas de voo (obrigada às cada vez Melhores tarifas TAP) estamos de ida para o Natal. Para matar saudades de todos, para respirar Portugal e para sentir o frio obrigatório! 
Pelo meio algumas (muitas) mudanças.. E mudanças boas, mudanças positivas. Pelo meio também já cá contam 36 verões (porque são muito melhores que primaveras). Pelo meio destes três meses também, muita arquitectura. Agora é tempo de pensar em frio, em casacos, em jantares de Natal e em prendas! Em prendas a pedir e em prendas a oferecer. É tempo de repetir fotos do ano passado, fotos com luzes, fotos com bolas, fotos no meu Porto que se veste tão bem para o Natal. É tempo de fazer a arvore, e já vai tarde! 
Agora sim, começou o Natal para nós!


Post escrito no primeiro voo Luanda-Dubai : 7 horas e meio! 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dias novos

Os dias passam a uma velocidade louca e as horas não chegam para metade do que quero e preciso fazer. Voltei ao activo e logo a 200%! Como o velho ditado tão sabiamente diz: "não há fome que não dê fartura". O Guilherme habituou-se lindamente a esta nova fase e eu apesar das saudades durante o dia, estou feliz! Como já aqui tinha dito não fui feita para "mãe a tempo inteiro" e ultimamente mesmo estando a fazer uns projectos em casa, sentia-me a sufocar! O stress dos projectos para ontem, do escritório, das reuniões, das saídas, das impressões, catálogos e afins fazia-me falta! Foi bom! Foi bom poder passar uma gravidez descansada aproveitando cada minuto, fazendo praia, descansando e tendo tempo para tratar se tudo para a chegada do Gui (apesar de não ter a mala pronta quando a primeira contração chegou!!). Foi bom estar com ele em casa, e foi melhor ainda estar com ele em Luanda. Fazer um verão quase nove meses com direito a muita piscina. Foi muito bom! Foi muito bom preparar a babá (sim, tenho uma babá nova simplesmente fantástica) para ficar com ele. Foi tudo muito bom mas já chegava! Trabalhos em casa ou esporádicos não é bem a minha onda! Sou mãe, mas preciso e muito de ser arquitecta!!! (A não ser claro que fique milionária de repente e vá dar a volta ao mundo!) Estou cansada, estou muito ocupada, mas estou muito contente!!! E o Gui está feliz e abraça-me com força e gargalhadas quando chego a casa! E melhor ainda... Na próxima semana voamos até casa!!! 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Madiba*

Palavras? São claramente insuficientes para descrever tal homem. Tamanho herói! Homem verdadeiramente bondoso, honesto, lutador, corajoso. Sem duvida O Herói! Um homem que conhecia África como ninguém, que criou uma nação num emaranhado de tribos, um homem que soube manter as diferenças para criar uma unidade. Um homem que não quis vingança depois de sofrer 27 anos. Um homem culto, generoso, divertido. Um homem que dançava, que ria, que maravilhava políticos de renome, crianças, tudo e todos. Alguém que eu admirava profundamente e que fazia deste continente um sítio melhor!! 

Que África do Sul honre a sua memória e floresça como era seu desejo. 
Como disse Obama.. Agora pertence à eternidade!

Madiba* 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

5 anos depois #2


 

Desta vez a historia não é ...1 ano depois. Cinco anos e uns meses e muita história, muita vida, muitos kms, milhares de milhas, duvidas, certezas, alegrias, saudades, choros, viagens, separam estas duas fotos. Em 2008, recém chegada a Angola, a minha primeira ida a Benguela. Em 2013 a nossa primeira ida a Benguela em família. Parece que a três é tudo novo. E é bom que seja assim. Sabe a novidade e a novidade sabe a ferias e sabe bem.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Guilherme a passear por Angola #2 - Benguela

Este fim de semana fomos a Benguela. Um sitio que eu gosto muito e onde já passei muito bons tempos nos primeiros anos de estadia neste pais. Uma cidade calma, arejada, com uma belissima arquitectura e com um tempo fantástico. Há mitos que dizem que em Benguela não há cacimbo e o que é certo é que raramente vi um dia inteiro nublado naquela terra. Este fim de semana era prolongado e aproveitamos para um passeio alargado e para mostrar a cidade das acácias rubras ao Guilherme. Mostrar ao Guilherme e apanhar ar porque Luanda muitas vezes consegue ser muito claustrofóbica. 
Fizemos mais 1200km neste pais. Mais 1200km de África na pele do Guilherme. E como sempre ele fantástico na sua cadeira. Intercalando entre dormir, ver a paisagem, ou o Pocoyo fez as 7horas de viagem de uma forma impecável.
Vimos Benguela, vimos uma "cara da família" (o que soube quase a casa), fizemos boa praia e constatamos a evolução possível duma cidade em pouco mais de dois anos. A ultima vez que tinha ido a Benguela tinha sido em meados de 2011 e a transformação é notória. Ainda que do ponto de vista urbanístico e arquitetônica haja muitos (demasiados até) elementos que tenho de por em causa, a evolução de toda a zona do Lobito e de Benguela é incrível. Vários hotéis novos, imensos restaurantes (e com bom aspecto) e até uma fabulosa padaria, a Artdoce, ao estilo português, onde nos consolamos ao pequeno almoço.
Relembramos um dos mais lindos hotéis deste pais, o Terminus na Restinga e até deu para dar um salto à praia da Baia Azul com as suas límpidas aguas (ainda que em fim de semana prolongado não seja a melhor opção para aproveitar). 

Foi bom. Foi muito bom bater kms outra vez. Fazer esta estrada. Parar no Sumbe e tirar a foto da praxe e desta vez a três. Foi bom mostrar mais um pouco de Angola ao Guilherme. Foi um belo fim de semana!

 aldeia piscatoria da praia da Caota





   
peixe a secar




        
a propósito de segurança ....



 


 Sumbe

 Benguela é assim : "Provou e gostou!"

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Igrejas vs educação e efeito nas pessoas

É sabido, pelo menos entre quem me conhece mais ou menos bem, que não sou grande pessoa de Igreja. Não sou de ir à missa nem tão pouco de defender a instituição, muito pelo contrario ultimamente. Mas isso não quer dizer, pelo menos para mim, facto que também sei que muita gente não percebe, não entende e nem aceita, que não seja uma pessoa de fé. Acredito! Sei no que acredito, sei o que isso me conforta, e quem me conhece (aqui tem de conhecer um bocadinho melhor) sabe como acredito. Mas isso são outros quinhentos e outros posts. Aqui a questão baseia-se em Igreja enquanto instituição e o seu efeito. Aqui em Luanda, muitas são as igrejas existentes. Para além da católica normal (vou chamar normal propositadamente) que eu "pertenço" existem umas dezenas de outras que eu vou mais ou menos conhecendo e vendo proliferando por este pais fora. Lembro-me de ver num ano de grandes cheias, penso que 2010, a Igreja do Reino de Deus do Bairro de Alvalade a carregar camiões para distribuir nas províncias mais atingidas. E lembro.me que isso me pareceu bem, apesar de não ser grande adepta desta igreja. lembro de pensar que era das primeiras vezes que via uma "igreja" a ser verdadeiramente útil. Não quero com isto dizer que não o são, mas eu nunca tinha "visto"! Desta vez vi a fé transformada em farinha, toneladas de farinha, em colchões, em arroz, em leite, e achei que isto era o que devia ser sempre. Este ano tive outro contacto com outra Igreja, a Igreja de Sétimo Dia, que até aqui não conhecia. Tive alunos que faltaram porque não podem ter aulas ou trabalhar ao sábado. E não houve quem os demovesse. E agora tive o meu segundo contacto. Entrevistei uma babá na 2ºfeira que pertence a esta igreja e de um modo muito franco, honesto e directo me disse que nunca trabalharia ao sábado mas que aos outros dias estava disponivel para qualquer horário. E a moça ficou com o emprego. E como disse o Nuno à saida " pertence à Igreja e isso é bom". Pode-vos parecer uma visão simplista ou até contraditória de alguém como eu, mas a verdade é que aqui em Luanda isso é real. Quem "pertence" à Igreja tem "mais" regras. Cumpre mais. Chega a horas. É na generalidade muito mais limpo e mais cumpridor. Não sei os metodos são os correctos sequer. Se há promessas de céu ou de eternidade dourada mas o que é certo é que as missas fazem efeito nas pessoas.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Wish list#5 - sempre as Hip Tee

e assim para esquecer os temas sérios e voltar à minha wish list (não é que não seja um assunto serissimo!!) descobri esta t-shirt hoje....


Emigrar

Na sexta feira passada foi o primeiro dia, ou melhor primeira noite que saímos a dois em Luanda. A dois propriamente não, (saímos nós e mais um bando gigante de gente) mas sem o meu pimpolho. Fomos ao concerto de Seu Jorge e a minha querida M, mais conhecida por babá de Braga ficou cá em casa a fazer a substituição (que só para quem quer saber, correu maravilhosamente bem). também quem estiver curioso acerca do concerto fica a saber que foi fraco. Demasiado fraco até para as expectativas luandenses que são sempre inferiores às dum concerto num Coliseu. Enfim, adiante...O Seu Jorge não está certamente interessado na minha opinião, mas se cá voltar não me apanha mais usd. O que eu tirei de resumo desta noite de amigos no concerto foi que há muita "xavalada" emigrante. Mas mesmo muita, muita. Demasiada até. Preocupantemente muita. Passo a explicar..
Quando viemos para Luanda, em Janeiro de 2008, eu tinha acabado de fazer 30 anos. O Nuno estava prestes a fazer 31 e ambos já tínhamos trabalhado uns longos anitos em Portugal. Não eramos a voz da sabedoria mas já tinhamos algum calito em obra e projecto. E quando chegamos, cada vez que olhávamos em volta, éramos dos mais novos. Nós e o nosso grupo, que não era assim tão grande na altura eramos os putos na praia. E eram só quase rapazes/homens. Hoje vejo milhares de jovens aqui. Demasiado jovens até. Vi caras que são certamente saídas da faculdade. Vi jovens (sim, já falo do alto de 35 quase quase 36 verões) que devem ter vindo estagiar para cá. Que saíram da queima e acham (muitos deles) que vêm termina-la aqui. Juventude não é sinonimo de leveniedade certamente mas representa de certo alguma falta de experiência. Claro está que isto é um pau de muitos bicos. Porque eles vêm porque não conseguem ficar no país deles, na casa deles, como tantos de nós. Mas vêm "frescos", vêm à pressa, vêm sem pensar muito. e Angola é um pais de oportunidades é certo mas não é um país facil. Não é a mesma coisa de estagiar na Europa, a duas horas e duzentos euros de distancia de casa. Aqui esta-se longe de todas as maneiras. onge de tempo, de kms, de vida, de dinheiro. Eu já sabia desta situação no mercado actual do emprego cá mas o que vi na sexta à noite fez-me ter uma ideia do panorama real da coisa. Se não devem vir? Acho que sim, que devem. Não têm outra hipotese! Agora, outros valores se levantam. Se vêm para um pais onde é preciso "ensinar", onde há falta de técnicos especializados, como ganharão eles mesmo a experiência que nunca tiveram? 

Por outro lado ontem na praia vi imensas famílias. Coisa que não se via em 2008. Em 2008 viam-se homens mais ou menos velhos, que iam e vinham e deixavam a família em casa, na segurança da Europa e do país à beira mar plantado. Agora vêm-se muitas senhoras que deixaram as coisinhas e "ala que se faz tarde". Vem-se muitas, muitas crianças na praia e isto é a parte boa desta reviravolta da emigração. Já não emigra quem quer arriscar, quem quer coisas novas ou melhores. Agora emigra toda a gente pois não tem mais hipótese. Vai o miudo, a mãe, o pai, o jovem licenciado e o arquitecto senior que perdeu o gabinete. 

Agora quando saio em "casa" metade das pessoas vai emigrar, ou já emigrou ou namora com alguém que está emigrado. Neste verão, duas pessoas muito próximas de mim, iniciaram realções com homens emigrados. Já não há homens do Porto e a trabalhar no Porto e com futuro no Porto? Uma outra amiga de longa data veio para cá também e outra está a tentar. Um outro amigo depois de ter ido embora há dois anos regressou hoje e um outro está a sondar o regresso. Agora já há grupos de mães no fb de "emigradas". Já não somos a novidade, o casal/bichinho do zoo que está emigrado. Agora somos apenas mais uns dos que estão fora. Dos que estão longe. 

Qualquer dia Portugal está vazio.....