Na sexta feira passada foi o primeiro dia, ou melhor primeira noite que saímos a dois em Luanda. A dois propriamente não, (saímos nós e mais um bando gigante de gente) mas sem o meu pimpolho. Fomos ao concerto de Seu Jorge e a minha querida M, mais conhecida por babá de Braga ficou cá em casa a fazer a substituição (que só para quem quer saber, correu maravilhosamente bem). também quem estiver curioso acerca do concerto fica a saber que foi fraco. Demasiado fraco até para as expectativas luandenses que são sempre inferiores às dum concerto num Coliseu. Enfim, adiante...O Seu Jorge não está certamente interessado na minha opinião, mas se cá voltar não me apanha mais usd. O que eu tirei de resumo desta noite de amigos no concerto foi que há muita "xavalada" emigrante. Mas mesmo muita, muita. Demasiada até. Preocupantemente muita. Passo a explicar..
Quando viemos para Luanda, em Janeiro de 2008, eu tinha acabado de fazer 30 anos. O Nuno estava prestes a fazer 31 e ambos já tínhamos trabalhado uns longos anitos em Portugal. Não eramos a voz da sabedoria mas já tinhamos algum calito em obra e projecto. E quando chegamos, cada vez que olhávamos em volta, éramos dos mais novos. Nós e o nosso grupo, que não era assim tão grande na altura eramos os putos na praia. E eram só quase rapazes/homens. Hoje vejo milhares de jovens aqui. Demasiado jovens até. Vi caras que são certamente saídas da faculdade. Vi jovens (sim, já falo do alto de 35 quase quase 36 verões) que devem ter vindo estagiar para cá. Que saíram da queima e acham (muitos deles) que vêm termina-la aqui. Juventude não é sinonimo de leveniedade certamente mas representa de certo alguma falta de experiência. Claro está que isto é um pau de muitos bicos. Porque eles vêm porque não conseguem ficar no país deles, na casa deles, como tantos de nós. Mas vêm "frescos", vêm à pressa, vêm sem pensar muito. e Angola é um pais de oportunidades é certo mas não é um país facil. Não é a mesma coisa de estagiar na Europa, a duas horas e duzentos euros de distancia de casa. Aqui esta-se longe de todas as maneiras. onge de tempo, de kms, de vida, de dinheiro. Eu já sabia desta situação no mercado actual do emprego cá mas o que vi na sexta à noite fez-me ter uma ideia do panorama real da coisa. Se não devem vir? Acho que sim, que devem. Não têm outra hipotese! Agora, outros valores se levantam. Se vêm para um pais onde é preciso "ensinar", onde há falta de técnicos especializados, como ganharão eles mesmo a experiência que nunca tiveram?
Por outro lado ontem na praia vi imensas famílias. Coisa que não se via em 2008. Em 2008 viam-se homens mais ou menos velhos, que iam e vinham e deixavam a família em casa, na segurança da Europa e do país à beira mar plantado. Agora vêm-se muitas senhoras que deixaram as coisinhas e "ala que se faz tarde". Vem-se muitas, muitas crianças na praia e isto é a parte boa desta reviravolta da emigração. Já não emigra quem quer arriscar, quem quer coisas novas ou melhores. Agora emigra toda a gente pois não tem mais hipótese. Vai o miudo, a mãe, o pai, o jovem licenciado e o arquitecto senior que perdeu o gabinete.
Agora quando saio em "casa" metade das pessoas vai emigrar, ou já emigrou ou namora com alguém que está emigrado. Neste verão, duas pessoas muito próximas de mim, iniciaram realções com homens emigrados. Já não há homens do Porto e a trabalhar no Porto e com futuro no Porto? Uma outra amiga de longa data veio para cá também e outra está a tentar. Um outro amigo depois de ter ido embora há dois anos regressou hoje e um outro está a sondar o regresso. Agora já há grupos de mães no fb de "emigradas". Já não somos a novidade, o casal/bichinho do zoo que está emigrado. Agora somos apenas mais uns dos que estão fora. Dos que estão longe.
Qualquer dia Portugal está vazio.....