Já aqui
falei noutra altura de amigos que mudaram de vida. Que “abandonaram” os cursos
que tinham, muitos dos quais suaram e bem para os tirar, as profissões que
praticavam para mudar radicalmente de vida.
Um grande exemplo foram as minhas
amigas Joana Conde e Sofia Príncipe. Uma psicóloga e outra socióloga abriram em
Janeiro, com outra amiga, a
Taberna do Largo. Um sítio maravilhoso na cidade do Porto, na minha (cada vez mais) amada cidade, em plena Ribeira, atualmente sempre cheio e que está a ser um sucesso. Depois
tenho o exemplo do Sérgio. Meu grande companheiro de curso, dos seis difíceis
anos de arquitetura, companheiro de noitadas e de diretas, de cigarros sem fim
e de grandes esculturas de maços, batatas fritas e latas de Coca Cola. O Sérgio,
juntamente com um grande amigo Miguel Barbot, ex consultor de marketing , abriu em Janeiro
de 2012 a
Velo Culture. Uma loja de bicicletas (e afins) no Mercado de Matosinhos. Mas
bicicletas de revista! Bicicletas lindas de morrer, daquelas clássicas, com
cores incríveis em que qualquer gaja gostaria de ser fotografada (até eu que
não morro de amores por andar de bicicleta). Outro caso de sucesso estrondoso!Além de venderem bicicletas, de adultos, de crianças e até coisas que parecem triciclos para a minha criatura (vejam fotos
aqui) servem de oficina às mesmas. Já aqui
falei também da Sara, psicóloga clínica de profissão que agora não respira pois
não tem tempo para todas as encomendas na Cutchi. A sua arte de fazer crochet
está a dar que falar na zona do Porto. E as minhas “heart” t-shirts brilham em
Luanda. Temos
também o Bruno, o meu Bruno. O meu querido Bruno. O Bruno, designer gráfico e
de equipamento de formação, (e maquilhador autodidacta e de longe o meu
favorito de todos os tempos) com imenso sucesso nesta área, desligou esse chip
e abriu com o Rui, a
Champanheria da Baixa em Janeiro de 2012. Para quem é da
zona é escusado falar na repercussão que teve! É ir e ver! Para quem mora longe
e quer saber do que se fala, recomendo um fim de tarde acompanhado duma sangria
de morangos com uma salada de salão! Sucesso estrondoso também! Agora temos também o meu afilhadão Helder Leite e o seu
Gull. Estudou para professor
de educação física, tornou-se Dj e abriu em Março deste ano, nas anteriores
instalações do Bazaar, em pleno viaduto de Massarelos, um fabuloso e lindíssimo
restaurante de sushi. Com uma esplanada de cortar a respiração a olhar para o
meu Douro, o sushi é ótimo. E juro mesmo que não é o meu orgulho de “madrinha”
a falar.
Todos os
dias ouço relatos de amigos que mudam radicalmente as suas vidas. E até à data,
todos os casos são casos de sucesso. Torna-se aqui bem evidente o velho ditado “Quem muda, Deus ajuda!”. São exemplos
de gente que não estava bem, que não era feliz, que não se sentia completa,
muitas vezes nem só por questões financeiras. E hoje, todos estes casos de que vos falei, sem
exceção, são pessoas muito mais felizes, muito mais sorridentes. De bem com a
vida. Lembro-me bem do Sergio enquanto arquitecto. Era um gajo divertido (senão também não tinha estado 6anos no mesmo apartamento que eu!) mas faltava ali qualquer coisa. Falávamos muitas vezes e eu sabia que fazer projectos nunca seria o sonho da vida do Serginho. Agora, entrar na loja é ver o Sergio sujo de oleo, de boné (especial , de certas e restritas marcas de bicicletas que não ouso sequer perceber) e de sorriso gigante. Adora o que faz. Adora o seu dia a dia! A Sofia e a Joana a mesma coisa! O Bruno igual!!
E temos
também o caso da minha comadre Ana. A Ana é advogada e gosta de ser advogada. E
é uma brilhante advogada. Dedicada, competente, esforçada, como aliás em tudo o
que faz na vida. E no entanto, este ano, tivemos uma conversa em que me fala em
“mudar de vida”. Em que discutimos uma possibilidade duma nova profissão, duma
nova ocupação. Duma nova forma de olhar os dias e as horas a passar e sem ser
necessariamente num tribunal.
Todas
estas mudanças, estas interrogações levam-me a pensar…Será que chegamos a um
certo ponto da nossa vida e há necessidade de variar? Será que todas as
profissões sentirão isso, ou apenas as mais monótonas? Será que algum dia
deixarei de querer “desenhar casas” para me dedicar a outras funções? Hoje em
dia encontro-me a dar aulas numa faculdade em Luanda, como já aqui falei,
mas são aulas de desenho. Não é projetar casas mas é desenho. Não é arquitetura
mas acaba por ser falar daquilo que melhor faço - desenhar!
Eu gosto
de ser arquiteta. Houve alturas da minha vida, quando era adolescente, com os
meus 15/16 anos que queria ser fotografa e percorrer mundo. Depois optei por um
futuro mais “terreno” ou supostamente mais “futuro”. Como se hoje em dia alguma
coisa fosse concreta ou tivesse futuro. Se calhar optei mal porque a esta hora
podia ser repórter fotográfica de alguma mega revista. Ou não! Mas quando vejo
tanta gente e tão próxima a mudar radicalmente de vida e a ser feliz, penso no
que me poderia fazer feliz. Em que outra profissão sentir-me-ia eu realizada? E
sinceramente não vejo qual…
Penso por
exemplo no Bruno, e vejo que adorava fazer um projeto como a Champanheria, mas
lá está- FAZER! Desenhar! Projectar! Porque geri-lo nunca estaria nos meus planos. Olho para o Gull
e penso o mesmo. O projeto é fantástico, fazer algo do género agrada-me, mas
ter um restaurante de sushi, nem pensar! E assim sucessivamente… Lembro-me de
uma pessoa que conheci há uns anos. Aliás que conheci o cunhado, não o indivíduo em questão. Era fotografo de catálogos de agências de viagens. Achei
que isso era igual ao euromilhões. Achei e continuo a achar. Haja profissão
perfeita! Mas olhando para o futuro, que profissionalmente no meu país não se
apresenta nada risonho, pelo menos nos próximos 10 anos (e estou a ser sempre
positiva=, penso no que poderia “criar” para poder voltar. Para dar ao Guilherme
uma infância “tuga”. E dou voltas e voltas à minha cabeça todos os dias, e
todas as vezes que vou a casa. E até à data só tenho um sonho, um projeto com o
qual me identifico mas para isso ainda preciso de trabalhar mais uns anos..Mais
uns valentes anos.
Gostava de
ter um hotel. De projetar um hotel. De fazer a obra de um hotel. Um pequeno
hotel, com poucos quartos, mas um hotel de classe, de charme , como agora é
moda chamar, de design. Qualquer coisa do gênero do Areias do Seixo (ahhh que pouco
ambiciosa que eu sou!!!). Um hotel no Alentejo onde se pudessem fazer eventos.
Onde os amigos pudessem passar férias e fins-de-semana. Onde as crianças
pudessem brincar mas onde houvesse zonas sem gritos e brinquedos no chão. Um
hotel com sushi e sangria à beira da piscina. Um local digno de fotos de
revistas. Com fogueiras e micro cimento. E mobiliário Dedon. E oliveiras! E
pratos com lousa (como o Aquapura). E vistas de cortar a respiração como a do Douro (mas no
Alentejo!!!). E um spa com tailandesas e aroma de lemongrass. E lençois de
algodão egípcio. E que pudesse crescer.
Que começasse pequeno mas com ideias grandes. Para me manter ocupada, porque lá está…Ficar a gerir stocks, empregados,
reservas e manutenções não era bem o meu sonho de vida!