quinta-feira, 1 de agosto de 2013

26h em transito

A saga de chegar a casa.. o correr meio mundo porque a Tap rouba demais! ! 

Depois de 6 horas no aeroporto de JNB que deu direito a uma massagem nas costas/ombros, outra a pernas e pés, a compras de elefantes e à intensa procura dum livro que quero muito oferecer ao Guilherme mas não arranjei, eis que vejo o bicho em que vou voar: Airbus 380-800! Jasussss que o gajo é grande! Daqui espera-me ainda um voo de ... Horas e depois um pequenino Frankfurt/Porto. E 26 horas depois de sair de Luanda, estarei a aterrar no Porto e a apertar os meus rapazes!
Visto haver voos (quase) directos estas horas até têm piada, não? 



terça-feira, 30 de julho de 2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

10*

* DEZ MESES *

aos dez meses de felicidade
o Gui grita -ultima novidade!
O Gui dá gargalhadas, cada vez maiores e mais sonoras
O Gui gatinha tudo 
O Gui levanta-se sozinho e cai sozinho também
O Gui já deu algumas (varias) cabeçadas
o Gui come sólidos e detesta
O Gui adora iogurte de limão
O Gui bate na televisão com os carros
O Gui cola a ver tv
O Gui adora a Xna TocToc e o Pocoyo (e distingue o genérico, ao qual não acha piada)
O Gui adora tudo o que é correria e sustos
O Gui adora tomar banho de chuveiro e grita lá dentro
O Gui já come ovo

...e hoje pela primeira vez em dez meses o Gui vai ficar longe da mãe....

Por questões burocráticas, relacionas com os vistos de Angola (ahhh toda a gente conhece alguém que já teve stress com vistos para cá) o Nuno teve de ir a Portugal. E por muito que me doa o coração, não fazia sentido o meu pisco ficar cá. Assim, a esta hora, voam pelos céus africanos. Destino - o nosso Porto! A nossa terra! O nosso Portugal! Aliás como bons emigrantes que são, irão passar uns dias do querido mês de Agosto à nossa linda terra. Mas custa! Custa mesmo..Custa ve-lo a ir no aeroporto e a ficar a chorar por eu não ir. Custa pensar que é a primeira noite em dez meses que vou dormir inteirinha (ou não!). Custa-me mas TEM DE SER! e o que conta é que são dez meses MUITO FELIZES!


*nós os dois no aeroporto nas ultimas palhaçadas*
Próximos episodios em breve :)



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mudança de vida


Já aqui falei noutra altura de amigos que mudaram de vida. Que “abandonaram” os cursos que tinham, muitos dos quais suaram e bem para os tirar, as profissões que praticavam para mudar radicalmente de vida.
Um grande exemplo foram as minhas amigas Joana Conde e Sofia Príncipe. Uma psicóloga e outra socióloga abriram em Janeiro, com outra amiga, a Taberna do Largo. Um sítio maravilhoso na cidade do Porto, na minha (cada vez mais) amada cidade, em plena Ribeira, atualmente sempre cheio e que está a ser um sucesso. Depois tenho o exemplo do Sérgio. Meu grande companheiro de curso, dos seis difíceis anos de arquitetura, companheiro de noitadas e de diretas, de cigarros sem fim e de grandes esculturas de maços, batatas fritas e latas de Coca Cola. O Sérgio, juntamente com um grande amigo Miguel Barbot, ex consultor de marketing , abriu em Janeiro de 2012 a Velo Culture. Uma loja de bicicletas (e afins) no Mercado de Matosinhos. Mas bicicletas de revista! Bicicletas lindas de morrer, daquelas clássicas, com cores incríveis em que qualquer gaja gostaria de ser fotografada (até eu que não morro de amores por andar de bicicleta). Outro caso de sucesso estrondoso!Além de venderem bicicletas, de adultos, de crianças e até coisas que parecem triciclos para a minha criatura (vejam  fotos aqui) servem de oficina às mesmas. Já aqui falei também da Sara, psicóloga clínica de profissão que agora não respira pois não tem tempo para todas as encomendas na Cutchi. A sua arte de fazer crochet está a dar que falar na zona do Porto. E as minhas “heart” t-shirts brilham em Luanda. Temos também o Bruno, o meu Bruno. O meu querido Bruno. O Bruno, designer gráfico e de equipamento de formação, (e maquilhador autodidacta e de longe o meu favorito de todos os tempos) com imenso sucesso nesta área, desligou esse chip e abriu com o Rui, a Champanheria da Baixa em Janeiro de 2012. Para quem é da zona é escusado falar na repercussão que teve! É ir e ver! Para quem mora longe e quer saber do que se fala, recomendo um fim de tarde acompanhado duma sangria de morangos com uma salada de salão! Sucesso estrondoso também! Agora temos também o meu afilhadão Helder Leite e o seu Gull. Estudou para professor de educação física, tornou-se Dj e abriu em Março deste ano, nas anteriores instalações do Bazaar, em pleno viaduto de Massarelos, um fabuloso e lindíssimo restaurante de sushi. Com uma esplanada de cortar a respiração a olhar para o meu Douro, o sushi é ótimo. E juro mesmo que não é o meu orgulho de “madrinha” a falar.
Todos os dias ouço relatos de amigos que mudam radicalmente as suas vidas. E até à data, todos os casos são casos de sucesso. Torna-se aqui bem evidente o velho ditado “Quem muda, Deus ajuda!”. São exemplos de gente que não estava bem, que não era feliz, que não se sentia completa, muitas vezes nem só por questões financeiras. E hoje, todos estes casos de que vos falei, sem exceção, são pessoas muito mais felizes, muito mais sorridentes. De bem com a vida. Lembro-me bem do Sergio enquanto arquitecto. Era um gajo divertido (senão também não tinha estado 6anos no mesmo apartamento que eu!) mas faltava ali qualquer coisa. Falávamos muitas vezes e eu sabia que fazer projectos nunca seria o sonho da vida do Serginho. Agora, entrar na loja é ver o Sergio sujo de oleo, de boné (especial , de certas e restritas marcas de bicicletas que não ouso sequer perceber) e de sorriso gigante. Adora o que faz. Adora o seu dia a dia! A Sofia e a Joana a mesma coisa! O Bruno igual!!

E temos também o caso da minha comadre Ana. A Ana é advogada e gosta de ser advogada. E é uma brilhante advogada. Dedicada, competente, esforçada, como aliás em tudo o que faz na vida. E no entanto, este ano, tivemos uma conversa em que me fala em “mudar de vida”. Em que discutimos uma possibilidade duma nova profissão, duma nova ocupação. Duma nova forma de olhar os dias e as horas a passar e sem ser necessariamente num tribunal.
Todas estas mudanças, estas interrogações levam-me a pensar…Será que chegamos a um certo ponto da nossa vida e há necessidade de variar? Será que todas as profissões sentirão isso, ou apenas as mais monótonas? Será que algum dia deixarei de querer “desenhar casas” para me dedicar a outras funções? Hoje em dia encontro-me a dar aulas numa faculdade em Luanda, como já aqui falei, mas são aulas de desenho. Não é projetar casas mas é desenho. Não é arquitetura mas acaba por ser falar daquilo que melhor faço - desenhar!
Eu gosto de ser arquiteta. Houve alturas da minha vida, quando era adolescente, com os meus 15/16 anos que queria ser fotografa e percorrer mundo. Depois optei por um futuro mais “terreno” ou supostamente mais “futuro”. Como se hoje em dia alguma coisa fosse concreta ou tivesse futuro. Se calhar optei mal porque a esta hora podia ser repórter fotográfica de alguma mega revista. Ou não! Mas quando vejo tanta gente e tão próxima a mudar radicalmente de vida e a ser feliz, penso no que me poderia fazer feliz. Em que outra profissão sentir-me-ia eu realizada? E sinceramente não vejo qual…
Penso por exemplo no Bruno, e vejo que adorava fazer um projeto como a Champanheria, mas lá está- FAZER! Desenhar! Projectar! Porque geri-lo nunca estaria nos meus planos. Olho para o Gull e penso o mesmo. O projeto é fantástico, fazer algo do género agrada-me, mas ter um restaurante de sushi, nem pensar! E assim sucessivamente… Lembro-me de uma pessoa que conheci há uns anos. Aliás que conheci o cunhado, não o indivíduo em questão. Era fotografo de catálogos de agências de viagens. Achei que isso era igual ao euromilhões. Achei e continuo a achar. Haja profissão perfeita! Mas olhando para o futuro, que profissionalmente no meu país não se apresenta nada risonho, pelo menos nos próximos 10 anos (e estou a ser sempre positiva=, penso no que poderia “criar” para poder voltar. Para dar ao Guilherme uma infância “tuga”. E dou voltas e voltas à minha cabeça todos os dias, e todas as vezes que vou a casa. E até à data só tenho um sonho, um projeto com o qual me identifico mas para isso ainda preciso de trabalhar mais uns anos..Mais uns valentes anos.
Gostava de ter um hotel. De projetar um hotel. De fazer a obra de um hotel. Um pequeno hotel, com poucos quartos, mas um hotel de classe, de charme , como agora é moda chamar, de design. Qualquer coisa do gênero do Areias do Seixo (ahhh que pouco ambiciosa que eu sou!!!). Um hotel no Alentejo onde se pudessem fazer eventos. Onde os amigos pudessem passar férias e fins-de-semana. Onde as crianças pudessem brincar mas onde houvesse zonas sem gritos e brinquedos no chão. Um hotel com sushi e sangria à beira da piscina. Um local digno de fotos de revistas. Com fogueiras e micro cimento. E mobiliário Dedon. E oliveiras! E pratos com lousa (como o Aquapura). E vistas de cortar a respiração como a do Douro (mas no Alentejo!!!). E um spa com tailandesas e aroma de lemongrass. E lençois de algodão egípcio. E que pudesse crescer.  Que começasse pequeno mas com ideias grandes. Para me manter ocupada, porque lá está…Ficar a gerir stocks, empregados, reservas e manutenções não era bem o meu sonho de vida!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pensar em férias




Este ano não vou ter ferias. É certo que estive vários meses sem trabalhar, mas quando falo em ferias, falo em destinos de lazer, paradisíacos ou não, citadinos ou de praia mas que permitam viver o “dolce fare niente”. Ou o fazer coisas de ferias que é praticamente a mesma coisa. Conhecer sítios novos, línguas novas, comidas novas para mim é sinonimo de descanso. Muitas vezes este descanso até pode significar cansaço físico mas a minha mente “sai”, “viaja”, conhece, logo tira férias. Gosto muito de viajar. É certamente um dos maiores prazeres que tenho. Durante muito tempo abdiquei de outros “luxos” materiais pata poder viajar e conhecer outras culturas. Não me custava deixar de sair ou mesmo deixar de comprar esta roupa ou aquela carteira, tendo em conta no que mês seguinte iria percorrer ruas longínquas e sentir aromas nunca antes sentidos. E normalmente quanto mais diferentes fossem estes aromas mais eu apreciava as viagens. Nos últimos anos, consequência da “evolução financeira” tenho conhecido sítios fabuloso e retornado a outros que me marcaram. Viajar é algo que nos agrada muito e no qual gostamos de investir. Li algures que “viajar é a única coisa que compramos que nos deixa mais ricos”. Grande verdade na minha opinião. Bem, mas este ano, vejo todos os meus amigos a irem de ferias, a colocarem maravilhosas fotos de praias e de sol no fb e eu aqui em Luanda. E neste cacimbo horroroso! Este ano se pudesse ter ferias tinha tantas ideias…Ai, tantas! A nível nacional ia dar um salto ao Lagos no Algarve. E queria muito passar uns dias no L'and Vineyards. Recomendaram-me vivamente e as fotos do site convencem mesmo os mais céticos.

Se viajasse uma semana, ficaria pelas redondezas europeias. Estava indecisa entre Cinque Terre em Itália (que ando há anos para conhecer), pela maravilhosa ilha da Sicília ou pela Sardenha. Gostava igualmente de dar um pulinho até às aguas de Formentera. Sítios perto, não excessivamente caros e atrativos para quem tem um filho de 9 meses.

No caso de (em sonhos) conseguir tirar duas semanas ia tentar conhecer as Sheychelles ou Maurícias. Ilhas que andam há dois anos a ficar para trás no mapa de destinos. Ilhas situadas no Indico e que por esse motivo dispensam mais apresentação no que diz respeito a praias, possuem igualmente um fabuloso património histórico e arquitetonico uma vez que faziam parte de históricas rotas de escravos e comércio de especiarias. 

Como não vou a lado nenhum a não ser à ilha de Luanda com a minha “Volta ao Mundo” sonhar ou com muita sorte à Maia em Setembro, vou deixar algumas sugestões a quem pode ir. Vou iniciar uma rubrica de destinos! Uns por mim visitados, outros por amigos e altamente recomendados. Na ausência de férias, ao menos falo delas!

terça-feira, 23 de julho de 2013

e um domingo bom

E na continuação de um sábado bom, tivemos um domingo bom. Um domingo preenchido com amigos/família. Um domingo que começou na cama até tarde (como quase todos os dias bons***), que continuou num almoço na praia e teve direito a uma presença especial - a Tia Lina que veio de Benguela!!!!!
Fomos passear à fortaleza, ver as obras novas e acima de tudo ver Luanda lá de cima. Acho que é um dos melhores sítios para se ver Luanda! E para terminar fomos passear na marginal com o Sebastião e andar de skate. Sim, e até o Gui andou de skate!
Sabem bem estes fins de semana cheios. O Gui não dorme a sesta à hora certa nem as horas que precisa, não come com a calma que devia nem em casa sossegado (ou seja, ainda come pior) .Mas passeia, brinca, vê amigos, vai à praia , faz coisas!
Estes dias assim fazem custar menos estar cá. Fazem lembrar fins de semana em casa. Daqueles fins de semana que cansam mais do que descansam. Mas que enchem a alma. E isso vê-se nas fotos!













segunda-feira, 22 de julho de 2013

Compras a longo prazo


A maior parte das pessoas com quem falo diz “ai que sorte…vives no verão o ano todo”, “..ai que maravilha..” , “ ..nem precisas de roupa quente…” etc e tal e afins.
É verdade sim senhora! Aliás quase verdade, porque agora estes três próximos meses são de “frio” em Angola. É o chamado cacimbo. Mas frio nem vê-lo! Pelo menos para nós, portugueses. As temperaturas rondam os 20/25 graus mas na maioria dos dias o sol não espreita, fazendo com a cidade fique triste e feia. E para nós adultos, a coisa resolve-se bem em termos de compras, pois segundo os estilistas, nos últimos anos podem-se usar camisolas de seda em pleno inverno. E vestidos finos! Tirando os casacões, a coleção, por exemplo de lojas como a Zara, muda muito pouco, permitindo-me comprar roupa de verão em pleno mês de Dezembro. Outros quinhentos são o facto de não saber quem usa esses vestidos no Porto nessa altura!
Mas, tendo em conta a descida da temperatura e o crescimento do Guilherme, que mais uma vez se traduziu mais em cms que em kilos (o moço teima em manter-se elegante), era preciso fazer compras para a criatura. Compras para os três meses que se avizinham e para o suposto frio. Umas sweat shirts são mais que suficientes para tal inverno. E no máximo dos máximos um casaquito de malha fino. Os calções mantêm-se na perna elegante! Mas, temos outro problema….Quando voltar a um país que se possa fazer compras, Portugal, que será daqui a três meses, as coleções serão de Inverno e eu precisarei novamente de reabastecer o guarda roupa de Verão do pequeno. E nessa altura as lojas estarão repletas de casacões e camisolas de lã que de nada me servem nesta terra. E só em Março de 2014 é que terei oportunidade de ver coleções de Verão outra vez. Ou seja, solução?? Andar nas lojas e pedir uns calções azuis tamanho 9, tamanho 12 e tamanho 18!  Comprar calções de praia tamanho 9, 12 e 18! T-shirts e até sapatos para mais 9 meses. É estranho e muitas vezes acabo por comprar a mesma peça em diferentes tamanhos. Comprar uma piscina e um baldinho que só utilizará em Setembro, uma boia para Outubro, e peixinhos para Novembro faz-me um bocado de confusão. Mas ou fazia isso ou ia ao Rio de Janeiro às compras entretanto!
Mas continua a ser vergonhoso a diferença na escolha de roupa de menino. Mesmo em lojas caras a comparação é incomparável! Escolher então roupa de batizado torna-se um filme quase de terror. Para meninas, temos autênticos vestidos de princesas, de contos de fadas. Coisas lindas e para todos os gostos. Temos opções clássicas de vestidos até aos pés (da mãe!!), passando por linhos fabulosos da Pili Carrera até aos acetinados incríveis da Nanos. Tudo com fitinhas e mantinhas e velinhas e demais “inhas” a condizer. Um verdadeiro atentado às carteiras. No que diz respeito aos rapazes temos duas opções: ou básicos bonitos, mas que tanto podiam ir ao seu batizado como ao batizado doutra criatura qualquer e serem meros convidados, ou uns fofos mais clássicos com lacinhos e rendas muito mais adequados a bebés pequeninos do que a bebés que já andam, mas que continuam a ser bebés e a merecer um outfit especial pois deverão ser as estrelas da festa! A juntar a esta falta de opção “lojista” temos um pai que não gosta de MUITA coisa! Ou seja esta tarefa ficou por concluir e ficará ao cargo da sua senhora madrinha!
Mas na ultima bagagem, que totalizou o fabuloso peso de 115kg (lembram-se do meu post sobre a coragem que é ser emigrante em Luanda e com filhos???...agora imaginem que tinha três!) veio roupa para a criatura vestir e deslumbrar Angola! Agora, até aos 12 meses e seguramente até aos 15!

sábado, 20 de julho de 2013

Um sábado bom


Hoje foi um dia bom! Eu e o Gui pusemos o sono em dia, juntinhos na minha cama, enquanto o pai saiu para trabalhar. Depois fomos às pizzas (as melhores de Luanda) com a tia Sofia. E a seguir fomos à feira de artesanato de Benfica. Ainda não tinha lá ido desde que regressei com o Gui. Passeamos entre os cestos e as mascaras e todos os vendedores nos fizeram festa. Vimos aneis de marfim e taças fabulosas. panos coloridos e estatuas de pau preto. E até macacos vimos! Voltamos para casa para dormir a sesta. E eu aproveitei e dormi também!! Foi um bom sábado! 



























sexta-feira, 19 de julho de 2013

Filhos e filhos a trabalhar em Luanda



É incrível como ter um filho ainda pode ser considerado um “impecilho” a nível profissional. Nunca tinha tido esta consciência e se me tivessem falado disto anteriormente não acreditaria. Também nunca tinha estado gravida e nunca tinha tido um filho. Mas esta triste realidade ainda é verdade. E se eu acredito que ainda seja verdadeira em Portugal, muito mais a será aqui em Luanda. Quando cá vivemos não queremos ter os filhos cá. Refiro-me ao parto, porque cria-los cá, mesmo que seja difícil e no início uma ideia que não agrada a nenhuma mãe, a Vida (sim essa que comete erros) obriga-nos a aceitar (eu durante anos disse que quando tivesse filhos ia embora..E cá estou!) A Sraª Vida e a Srª Crise que nos últimos anos obrigaram os portugueses a relembrar histórias de “malas de cartão”. E não os querer ter cá, implica, pelas regras da aviação internacional que dois meses antes do dito, voemos para as nossa querida terrinha, para junto do nosso médico de confiança para as “ditas dores”.
Estar gravida cá implica igualmente um jogo muito grande de cintura com o acompanhamento médico. Ou somos seguidas cá, e temos de ter fé, muita fé, porque confiança é muito pouca, ou voamos amiúde a Portugal e para isso precisamos duma gigantesca compreensão de quem é nosso patrão, pois isso implica dias de férias. Passando a questão de dias para consultas e de dois meses antes do parto (já estamos aqui com praticamente dois meses e meio de férias) na maior parte das vezes aceite pelas empresas, temos os habituais dias de licença seguintes ao nascimento, que segundo a lei portuguesa são possíveis até 150 e segundo a lei angolana serão 120 dias somente. Logo, ao fim desses 120dias há que viajar com as criaturas e vir. E trazer um bebe com três mesitos para cá não é fácil. Nada fácil mesmo. E deixar um bebe com três meses com uma empregada/baba também não é mesmo nada fácil. Muitas mães e mesmo mães que eu conheço foram trabalhar muito mais cedo que os 120 dias, mas deixaram as crianças com alguém que não suscitava qualquer duvida. È difícil na mesma, eu sei, mas no fundo sabemos quem lá esta, quem cuida, quem trata e como trata, o que nos acalma o coração. Por isso esta história é diferente. Não pretende ser mais fácil nem difícil, pretende apenas ser diferente. Aqui nestes pais, para quem vem, são 120 dias mas ao fim destes não há avós para deixar as ditas criaturas. Há babas, há empregadas, mais ou menos certas, mais ou menos confiáveis. Mas empregadas!
Passando isto tudo temos a parte de criar um filho e trabalhar em Luanda. Porque a maioria de nós vem para trabalhar. E surpresa…Continua a ser difícil. As babas não querem sair tarde e é impossível chegar a casa cedo. Mesmo que o patrão permita o trânsito não facilita. E temos de começar cedo a trabalhar. Sair de casa no máximo às 7h. (já não falando em quem como eu vive em Luanda sul, em que sair às 7h será tarde). Ultrapassando isto, ainda me consigo deparar com profissionais (e PORTUGUESES!) que numa entrevista me dizem….”ter um filho é um problema cá, não? Onde o deixa? Como pretende fazer” E termos a consciência que isso é um ponto negativo no seu perfil. Os anos de experiência, os anos desta terra acabam por contar menos do que ter um filho! Não, não é um problema! Não é, não deve e não pode ser. Porque as mães trabalham na mesma. E há pais. E há empregadas! E há babás! E infantários! E há muito coisa porque não há avós. Mas há também empregadas dos amigos. E amigos. Muitos amigos. E amigos mais disponíveis para ajudar porque percebem que não há família e há muitas dificuldades nesta terra. E porque temos de trabalhar mas ter o coração descansado.
Mas felizmente também há pessoas que nos dizem “também tenho filhos e sei o que é isso” ou “ nem que o traga…” ou “ isso nunca seria um impedimento” ou “ a minha mulher também é arquiteta e mãe”. Porque também há entrevistas que nos relembram que mães também são mulheres e mulheres profissionais. Que é difícil mas possível. Mas que tem de ser igual a ser pai e profissional. Porque não pode haver diferenças. E há entrevistas que nos fazem acreditar que há profissionais justos e corretos (só é pena é serem estrangeiros!) Porque há entrevistas/conversas que nos fazem acreditar que há “patrões” que têm de mudar mentalidades e urgentemente, porque as condições, os direitos dos trabalhadores/as não podem regredir porque há crise minha gente!!!!!!!!! Não podemos andar para trás vinte ou trinta anos e prejudicar mulheres que são mãe.
E não..Ter o Guilherme não é um problema. É uma alegria grande todos os dias. Mesmo que eu venha dar aulas e tenha de conciliar duas empregradas! E tenha de ligar dez vezes por dia para casa. E tenha de fazer tabelas para saber se ele comeu o iogurte ou a sopa. É sempre uma alegria!

Parabéns Madiba*


Se há figura internacional que gostava de conhecer era o Nelson Mandela. Este grande senhor faz hoje 95 anos e infelizmente a sua saúde já teve melhores dias. Neste momento Mandela encontra-se infelizmente (segundo fontes jornalísticas) praticamente vegetal (as fontes politicas continuam a desmentir).

Africa do Sul passa por momentos de tristeza perante a sua doença e até de apreensão. Manter-se-á a calma entre brancos e negros? Manter-se-á a ordem? Mas também será justo um Homem destes viver assim? Um homem cuja palavra foi sempre a sua força viver “calado”? O homem tribal que se formou advogado, tornou-se presidente e mudou Africa…

Mandela dedicou a sua vida à luta pela igualdade. Mais precisamente dedicou 67 anos da sua vida à luta pela igualdade social. À luta pelo fim do aparthaid. À luta pela liberdade de um país que pode ser um dia fantástico. Que tem tudo para ser maravilhoso mas que neste sofre de um grave problema de racismo. Um gravíssimo problema mascarado pelo aparente fim do aparthaid. Aparente!

Em Março de 2011 estive na cela que albergou 18 anos (dos 27 que esteve preso) Nelson Mandela na Robben Island. Impressionantemente pequena para um homem “taão grande”. Ouvir da boca de colegas de cadeia relatos daqueles tempos é verdadeiramente incrível e faz-nos sentir pequenos perante tamanha capacidade de luta, de perdão, de compreensão, de inteligência. Dessas grandes figuras que só ouvimos falar, de que nos são distantes esta é sem dúvida a minha figura. A que eu adorava conhecer. A que eu admiro! Admiro muito! E a quem eu desejo muitos parabéns*