Estar em África e ver o Diamante
de Sangue é diferente de estar no sofá da minha casa na Maia a ver o mesmo
filme. Não vos consigo explicar bem o porquê, até porque já disse muitas vezes
que Luanda não é propriamente África mas os sentimentos são diferentes. Estas
paisagens, esta cor da terra vermelha, este pôr-do-sol deste filme é África.
Julgo que a maioria do filme foi filmado em Moçambique visto a Serra Leoa ou a Libéria
não serem propriamente, pelo menos na altura, locais aconselhados a filmagens,
mas estas paisagens são cenários mais ou menos comuns por este continente.
Viajando para fora de Luanda, indo até ao interior de Angola, deparamo-nos com
cenários fantásticos, de uma grandeza que só compete a África. Lembro me de
viajar a primeira vez aqui, em 2008 e sentir a nossa pequenez. Lembro-me também
de um grande amigo me perguntar se tinha avistado animais selvagens, ao que lhe
perguntei se baratas gigantes tinham interesse. Não é a mesma coisa andar de
carro nestas estradas ou em Portugal ou na Europa. Aqui tudo é grande,
distante, longínquo. A estrada desaparece no horizonte, mas longe, muito longe
mesmo. O monte parece pequeno e afinal é gigante quando lá chegamos. O Sol é
mesmo vermelho ao seu pôr. E o cheiro é mesmo diferente. Cheira a calor. Cheira
a terra. Cheira a sol. Já estive por diversas vezes na Ásia e das coisas que
mais aprecio naquelas paragens é o cheiro. É um cheiro molhado, a humidade. A
calor mas calor asiático. Calor sufocante. Este cheiro daqui é diferente. É
africano. E o calor africano é diferente do calor asiático. Estas paisagens,
estes cheiros são África. Ver paisagens como neste filme ou noutro dos meus
filmes favoritos como “Africa Minha” faz-me gostar muito deste local. E faz-me
ter pena de não conhecer mais deste continente fantástico. Em Angola já conheço
alguma coisa mas falta muito mais e quero mostrar este país ao Guilherme. Quero
muito mostrar este país e este continente ao Guilherme. Um continente de
contradições, de guerras, de sangue, de miséria mas de muita beleza. Quero
voltar a Moçambique com ele. Quero mostrar-lhe a Tanzânia, pais que me
deslumbrou pela sua beleza e pelas suas contradições. Quero voltar ao sopé do
Kilimanjaro com o meu filho e quero que ele veja o Pan do Etosha. Já vi algumas
coisas de África mas quero ver muitas mais. A foto que serve de capa a este
blog foi tirada no norte da Tanzânia, num parque com cenários de cortar a
respiração. Cenários como esta foto. Cenários como Ngongoro, como Zanzibar. Esta
é a beleza que devíamos preservar na memória quando falamos de África. É esta
África que lhe quero mostrar.
Quero sair de Luanda, percorrer
estas estradas, ver as Quedas da Kalandula (uma das minhas imagens favoritas de
Angola) sentir o cheiro das mangas desta terra, ver o riso destas crianças do
interior. São coisas que quero que o Guilherme veja. Será que ele um dia vai
chamar “casa” a Angola? Será que se vai sentir em “casa” em África? Será que
para ele as quatro estações portuguesas vão ser estranhas? O Guilherme já leva
com quase três meses de Angola mas de Luanda, de condomínios, de piscinas, de
uma África urbana, citadina (se podemos chamar citadina) e controlada. Ainda
não viu leões, elefantes, savanas, imbondeiros. Ainda não viajou aqui. Ainda
nem sequer sentiu o calor africano a sério, pois a piscina do condomínio ou a
praia, ou mesmo a segurança do ac têm-no resguardado deste calor. Quero voltar
a Malange, ao Kwanza. Quero ir ao Deserto do Namibe. Quero ir à Gorongosa e ao
Kruguer. É estranho este sentimento, porque acima de tudo quero que ele ame
Portugal e que saiba de onde veio, mas gostava que ele sentisse África um
bocado sua também.
p.s : mas também quero e muito
voltar a Cape Town em família! Está é a parte “fashion” africana J





















