segunda-feira, 20 de maio de 2013

África



Estar em África e ver o Diamante de Sangue é diferente de estar no sofá da minha casa na Maia a ver o mesmo filme. Não vos consigo explicar bem o porquê, até porque já disse muitas vezes que Luanda não é propriamente África mas os sentimentos são diferentes. Estas paisagens, esta cor da terra vermelha, este pôr-do-sol deste filme é África. Julgo que a maioria do filme foi filmado em Moçambique visto a Serra Leoa ou a Libéria não serem propriamente, pelo menos na altura, locais aconselhados a filmagens, mas estas paisagens são cenários mais ou menos comuns por este continente. Viajando para fora de Luanda, indo até ao interior de Angola, deparamo-nos com cenários fantásticos, de uma grandeza que só compete a África. Lembro me de viajar a primeira vez aqui, em 2008 e sentir a nossa pequenez. Lembro-me também de um grande amigo me perguntar se tinha avistado animais selvagens, ao que lhe perguntei se baratas gigantes tinham interesse. Não é a mesma coisa andar de carro nestas estradas ou em Portugal ou na Europa. Aqui tudo é grande, distante, longínquo. A estrada desaparece no horizonte, mas longe, muito longe mesmo. O monte parece pequeno e afinal é gigante quando lá chegamos. O Sol é mesmo vermelho ao seu pôr. E o cheiro é mesmo diferente. Cheira a calor. Cheira a terra. Cheira a sol. Já estive por diversas vezes na Ásia e das coisas que mais aprecio naquelas paragens é o cheiro. É um cheiro molhado, a humidade. A calor mas calor asiático. Calor sufocante. Este cheiro daqui é diferente. É africano. E o calor africano é diferente do calor asiático. Estas paisagens, estes cheiros são África. Ver paisagens como neste filme ou noutro dos meus filmes favoritos como “Africa Minha” faz-me gostar muito deste local. E faz-me ter pena de não conhecer mais deste continente fantástico. Em Angola já conheço alguma coisa mas falta muito mais e quero mostrar este país ao Guilherme. Quero muito mostrar este país e este continente ao Guilherme. Um continente de contradições, de guerras, de sangue, de miséria mas de muita beleza. Quero voltar a Moçambique com ele. Quero mostrar-lhe a Tanzânia, pais que me deslumbrou pela sua beleza e pelas suas contradições. Quero voltar ao sopé do Kilimanjaro com o meu filho e quero que ele veja o Pan do Etosha. Já vi algumas coisas de África mas quero ver muitas mais. A foto que serve de capa a este blog foi tirada no norte da Tanzânia, num parque com cenários de cortar a respiração. Cenários como esta foto. Cenários como Ngongoro, como Zanzibar. Esta é a beleza que devíamos preservar na memória quando falamos de África. É esta África que lhe quero mostrar.
Quero sair de Luanda, percorrer estas estradas, ver as Quedas da Kalandula (uma das minhas imagens favoritas de Angola) sentir o cheiro das mangas desta terra, ver o riso destas crianças do interior. São coisas que quero que o Guilherme veja. Será que ele um dia vai chamar “casa” a Angola? Será que se vai sentir em “casa” em África? Será que para ele as quatro estações portuguesas vão ser estranhas? O Guilherme já leva com quase três meses de Angola mas de Luanda, de condomínios, de piscinas, de uma África urbana, citadina (se podemos chamar citadina) e controlada. Ainda não viu leões, elefantes, savanas, imbondeiros. Ainda não viajou aqui. Ainda nem sequer sentiu o calor africano a sério, pois a piscina do condomínio ou a praia, ou mesmo a segurança do ac têm-no resguardado deste calor. Quero voltar a Malange, ao Kwanza. Quero ir ao Deserto do Namibe. Quero ir à Gorongosa e ao Kruguer. É estranho este sentimento, porque acima de tudo quero que ele ame Portugal e que saiba de onde veio, mas gostava que ele sentisse África um bocado sua também.

p.s : mas também quero e muito voltar a Cape Town em família! Está é a parte “fashion” africana J

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Para as meninas de 2013

 
 modelito Pili Carrera

Apesar da crise (parece que mais ou menos meia volta e tudo passa por esta palavrinha horrorosa) e contrariamente a todas as expectativas, este ano vai ser um babyboom. Não sei se será nacional a questão, mas no meu grupo de amigos e conhecidos é o ai jesus! Vai ser o ANO!
E este ano parece que os nascimentos vão ser mais equilibrados. Vai haver muitas meninas. E esse é o tema deste post. Fazer compras para o nascimento dum bebé é um sonho mas no caso desse bebé ser uma menina é um sonho multiplicado. Ou como dizia um amigo meu no ano passado "espero que seja menino..Não ganho para a minha mulher ter uma menina!" pode também ser um problema....
É dado adquirido que a oferta para o sexo feminino, seja bebe, criança ou adulto é muito mais forte e se calhar por isso é que nos tornamos na maioria, muitas mais "compradoras" e temos muito mais roupa, e carteiras, e sapatos e tudo e tudo...Eu, enquanto mãe de um rapaz, digo sem duvida nenhuma que é muita mais fácil perder a cabeça com meninas. Há coisas maravilhosas e em todo o lado. Para rapaz, as compras tornam-se muito mais difíceis e quem quer poupar algum dinheiro ainda tem mais dificuldade. As marcas mais acessíveis, como Zara e afins têm coleções girissimas para meninas e para meninos têm uma prateleira ou no máximo uma estante onde muitas vezes nada se aproveita.
Também existe o problema da chamada "roupa de bebe". Enquanto que para menina lacinhos, crochet, rendinhas e golas, tudo fica bem e tudo se usa, no caso de rapazes há pais que não acham piadinha nenhuma. O meu "maridão" por exemplo, não gostava de ver o Guilherme com roupas com lacinhos. E admito que ele tinha algumas. A sua primeira roupa por exemplo, tinha lacinhos azuis. E era lindaaaa!
E mesmo o argumento de "ele é bebé" "em bebé fica bem" não pegava sempre. Se eu tivesse tido uma menina, era mais que certeza que iria abusar de laços, cueiros, folhinhos e ele ia gostar.
Para mal dos meus pecados, quando estava gravida, perdi algumas vezes a cabeça com as compras, mas olhando para as minhas gavetas, não há nada que me tenha arrependido. O Guilherme usou toda a roupa que eu comprei e mesmo que me ofereceram. Usou o tamanho zero, que muitas pessoas me diziam para não comprar e usou mais que uma vez a maioria das roupas. Mas tenho a consciência que se tivesse tido uma Beatriz, os meus pecados tinham sido bem maiores. Mas adiante...O post de hoje são sugestões para as minhas amigas que vão ter meninas. As meninas M do ano 2013. Serão duas Marias, uma Madalena e uma Matilde (esta ultima ainda não decidida a 100%). Pelo menos para já.....
Apesar de não adorar cor-de-rosa (eu que me lembre não tenho nada dessa cor) se tivesse uma menina iria abusar de alguns tons de rosa. Alguns como o rosa velho, ou o rosa clarinho ficam deliciosos nas princesas. Claro está que aos meus olhos, rosa pink estaria fora de questão. Não gosto de ver as meninas como pequenas "fashionistas". Não gosto de as ver imitar adultas, não gosto de as ver de leggings, nem de licras, nem tão pouco de padrões animalescos como já vi por exemplo na Zara. Roupinha com caveirinhas então, nem pensar! Gosto de ver meninas como princesas, meninas classicas, meninas bonecas.

Estas são algumas das coisas que eu se tivesse uma menina pensaria em comprar....
 Dois berços que gostei bastante e que já existiam na altura que o Guilherme nasceu. Mas o Pai dele achou que não eram adequados a rapazes....
Zara Home . Pili Carrera

 O meu carrinho de eleição no momento - Stokke. Além de o bebé viajar à nossa altura, o que eu acho maravilhoso, têm milhões de acessorios girissimos.

 Peluches
Maria Design Kids . Zara Home
 
 Acessorios varios by Zara Home

 Malas de maternidade e acessórios para a cadeira e carro



 modelitos by Pili Carrera




modelito by  Ma Petite Princesse 


modelito by  Casilda y jimena

modelito by Tocoto Vintage
e um pequeno devaneio...Umas sandalitas de princesa*

terça-feira, 14 de maio de 2013


Há dias em que ser mãe é fabuloso mas outros???!!!!!! Em que a farinha de pau (feita pela primeira vez e com tanto cuidado) colada nas calças (acabadas de vestir) e no cabelo arrasam qualquer intenção! 

p.s : já para não falar do sono (do meu) e dos gritos (dele!)...

BRCA1


Acabo de ler este artigo onde fiquei a saber que a fabulosa Angelina Jolie tinha feito uma dupla mastectomia.
De acordo com o artigo, a mesma efectuou um teste genético onde ficou a saber que teria 87% de probabilidade de desenvolver cancro da mama, assim como a sua mãe, que faleceu da doença ao fim duma luta de 10 anos.
E claro que eu fiquei a pensar..
Fazer um teste onde ficamos a saber a probabilidade de ter uma doença como o cancro é muito bom. Mas é muito bom para quem tiver coragem (não sei bem se coragem é a palavra adequada) de tomar uma atitude. Porque saber para "ficar a morrer" antecipadamente....Porque há pessoas que não sabem lidar com maus prognósticos. Isso por si só poderá ser para alguns uma doença. Por exemplo, se o teste der uma probabilidade de 35% ou mesmo 45% qual será a atitude correcta a tomar? Tirar a mama? Ou viver com 35% de medo de morrer? Qual a percentagem que nos descansa e qual a que nos tirará o sono?
Eu sei o que são os corredores do Ipo, as salas de espera à espera de resultados, o medo dos resultados. A alegria dos resultados. Mas sei do lado positivo, se é que o IPO tem lado positivo, que eu quero e tenho de continuar a acreditar que tem. E por isso acho este teste e está possibilidade de operação, enquanto tudo ainda está bem, algo fabuloso. Porque sermos operados por precaução, sendo (ainda) saudáveis é facilmente ultrapassável. Recupera-se rápido. É positivo. É para continuar a ser saudáveis ainda que sem útero ou com mamas de silicone. Mas é para continuar cá e bem.
No caso especifico da Jolie, acho que não podia haver duvidas. Já teve os filhos (e muitos) e com uma probabilidade tão alta, seria esperar mais ou menos por uma certeza que iria acontecer. Seria viver a "apalpar" as mamas diariamente. Seria viver com medo todos os dias. Claro está que ela pode daqui a uns tempos descobrir cancro noutro local, mas ao menos deste está safa.
Cada vez mais assistimos a cancro ao nosso lado. Toda a gente conhece alguém mais ou menos próximo que esta a passar por isso. Na minha opinião é sem duvida alguma o mal dos séculos (não do século). Multiplica-se em formas e feitios e foge da cura como o diabo da cruz. É mesmo o estupor do vizinho e ainda por cima um vizinho silencioso. 
Lembro-me como se fosse hoje dum jantar em 2007 com a minha amiga Fi, onde comentávamos um caso do marido duma amiga, e ao que eu lhe respondi : " acho que cancro é mesmo o meu único medo...pelo seu instalar tão silencioso, pelo seu aparecimento muitas vezes sem qualquer tipo de causas aparentes". Lembro-me tão bem desta conversa, na praça de alimentação do Dolce Vita das Antas...Dois meses depois lidava eu com o medo. Lidava eu com as consultas, exames, diagnósticos (ou não), duvidas e mais duvidas. No meu caso (e até aos dias de hoje) o saldo é muito positivo, mas julgo que o factor mais importante para isto foi o precoce diagnóstico, enquanto tudo estava quase quase bem. Por isso este teste é hiper importante e eu acho que quem tiver alguma indicação familiar para o fazer, deveria pensar nisso.
No texto Angelina Jolie afirma : "Não me sinto menos mulher. Sinto-me mais poderosa porque fui capaz de fazer uma escolha forte que de forma alguma diminui a minha feminilidade."
Às vezes, muitas vezes, a maioria das vezes talvez, é difícil bater de frente com o medo. Mas antes com o medo e com a cura e com a vida do que com o resto!!!!!!!!!!!!!!!!!

"Life comes with many challenges. The ones that should not scare us are the ones we can take on and take control of.  " AJ

sábado, 11 de maio de 2013

Bake a Wish

Tempos de crise vivem-se em Portugal, mas ao que tenho visto e descoberto, mais do que a crise a instalar-se, instalam-se sentimentos nobres de ajuda ao próximo. Sentimentos que andavam perdidos em nós há uns tempos. Outrora provavelmente mais distraidos, agora andamos atentos ao vizinho que precisa, à criança que sente a falta ou ao amigo do amigo que está mal. 
Barbara Barreto é a mulher de um amigo meu e acabo de ler este post no seu fb:

"Eramos ambas crianças, apesar de eu ser uns cinco ou seis anos mais nova. Ela ia ajudar os pais que arranjavam o jardim e eu admirava o seu cabelo loiro e as face sempre rosadas... Ficavamos ambas a retirar pequenas ervas e folhas, a ajudar na «lavoira», as suas mãos morenas do sol que apanhava todos os dias no campo. Passaram-se anos e nunca mais a vi... Mas há pouco tempo atrás encontrei-a, na casa onde ía com os pais ajudar a arranjar o jardim, o pai já falecido, a mãe velhinha, pelo braço e ela a sorrir para mim, mas apenas com 4 dentes na boca. Disse que não tinha dinheiro para uma prótese... Não consegui ficar indiferente. Lancei um desafio a mim mesma. Em 2013 os bolos que fizer reverterão para essa causa. Para lhe dar um novo sorriso..."
Pessoal, toca a mandar fazer bolos à Barbara!

Este ajudar, esta cumplicidade tão portuguesa é a unica coisa positiva de toda a crise!!

Ideias Nacionais #2 - Fantasy Land Store





Uma destas cestas maravilhosas já esta na minha casa em Portugal à espera de conseguir vir até cá. São da Fantasy Land Store , uma empresa portuguesa que descobri no fb de Lisboa mas que prontamente enviam para qualquer ponto do pais. Comprei a verde menta, como seria de prever este ano, mas adoro-as quase todas. As douradas são lindas, as azuis combinavam com as coisas do Guilherme e as vermelhas ficam um show nas fotos com o sol da praia. Por agora veio a do coração menta e aguardo a tshirt igual.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Gaja


Hoje ao escrever uma mensagem para uma amiga, e ao ter de descrever na mesma uma pessoa do sexo feminino, constatei mais uma vez, porque era facto que já havia constatado antes, que há situações ou descrições em que só esta palavra pode ser utilizada. Há conversas e assuntos em que uma pessoa não vai dizer " esta mulher etc e tal" porque não soa bem. Também utilizar "miúda" para uma mulher de vinte ou trinta e tal anos não me parece bem. "Rapariga" é um termo que não me agrada, "moça"ainda é pior e "senhora" parece que estamos a falar de alguma Santa! Ou seja, ficamos reduzidos a Gaja!
Gaja pode querer dizer tanta coisa! E logicamente que é um termo do Norte, disso nem há discussão.
Podemos dizer "Grande Gaja" ( ou se for mesmo à Porto, "Gaaanda gaja") e isto por si só pressupõe um grande elogio."Aquela gaja" pode ser meramente indicativo ou se o dissermos num tom mais azedo pode significar o pior dos desprezos.
Gaja não é miúda, nem moça, nem sequer cachopa (termo que eu acho super carinhoso e adoro), nem mulher.. Gaja é um termo forte, simples, directo, conciso. Tenho amigas que trato por Gaja e com muito orgulho. Mas há gajas que não gostam nem usam o termo. Há Gajas que adoro e outras que me enjoam, mas essas são "aquelas" pois nem merecem o termo.
Gaja é simplesmente Gaja!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cortejo

Depois de ler o post da Princesa bateu-me aqui uma saudade..Sei que a esta hora, na minha terra, no meu Porto, está aquela morrinha chatinha habitual no dia do cortejo. Mas também tenho a certeza que não será a chuva, mesmo que venha às carradas que afuguentará os milhares de jovens que enchem as ruas do Porto hoje. O Porto hoje é lindo! As cores passeiam naquela cidade e por todo o lado se vêm sorrisos, uns sinceros outros do vinho é certo.
Tenho tantas mas tantas saudades desses tempos! Tempos de folia sem nenhuma preocupação a não ser as entregas que SEMPRE tive nessa semana, fruto da simpatia dos professores de projecto.
Tempos de sair até o sol nascer, e ficar dia, e continuar dia..E de pequenos almoços a saber quase a almoço. Tenho saudades de não ter visto nenhum concerto na integra em cinco anos (o primeiro e unico que vi, já não era estudante e foi estranho..muito estranho mesmo!), de sair chovesse ou não, de passar a noite na treta com assuntos sem assunto nenhum.
Fui muito feliz em todas as minhas queimas. Fiz de tudo! Passei a tribuna quando fui caloira e quando fui finalista. Os outros anos passeei-me pela baixa. Cartolei, levei bengaladas que chegassem,nunca pus plastico na cartola por isso era de totós e nesse dia adormeci molhada no carro. Acordei com 39 de febre. Ou seja, a unica noite que faltei foi a minha noite de cortejo no ano de finalista. 
Jantei todos os anos no Tia Aninhas, tive t shirts lindas com frases incriveis, bebi bebidas de cores fabulosas. Tive bons momentos, outros....Tipicos de queima posso dizer. Conheci gente que ainda hoje é minha amiga.
Hoje, em Luanda, lembro com saudade estes tempos e à semelhança da Princesa penso se naquela altura julgaria a minha vida assim, como a é hoje.
Acho que na altura, além da preocupação do curso e dos arrufos de namorados, não tinha preocupações. Hoje olhando para trás sei que isso não eram sequer preocupações.. Hoje olho e sei que estou contente, muito contente com a vida que tenho, mas sei..sei que tenho saudades daquelas loucuras...

segunda-feira, 6 de maio de 2013