terça-feira, 23 de abril de 2013

NI HAO


Ontem passei uma belíssima tarde. E inesperada!
Tinha combinado entrevistar uma babá para o Guilherme no restaurante chinês da empresa do Nuno de que já vos falei aqui. E assim foi. Pelas duas da tarde, ai estávamos nós, a tentar fazer perguntas inteligentes a quem supostamente poderá vir a cuidar do nosso filho. Já entrevistei empregadas e até conheço a irmã desta, (é a minha fabulosa ex-empregada), mas para cuidar do Guilherme a "loiça" é outra.
Aqui em Luanda podemos pedir referências, mas é sempre tão tão subjectivo e para mim a melhor referência da C. é ser irmã de quem é. Gostei dela. Conversamos e gostei dela. A ver vamos agora se nos acertamos com os mais diversos detalhes.

Após a entrevista, estava lá eu na treta com a Miau Miau, de que também já vos falei aqui, quando me lembrei duma coisa que já tinha comentado com o Nuno. Queria aprender a fazer a "Massa à Singapura" que ali tinha comida e que tinha adorado. Levantei-me e fui falar com a Chef e tentei dizer-lhe isso. Sim, tentei, porque o meu chinês é o que se sabe e o português dela pouco melhor.
E vim embora. Um dia pensei eu..um dia ela vai ensinar-me a fazer a massa.
Minutos depois, aparece a Chef na esplanada com uma tábua com os ingredientes necessários, cortadinhos como se fossem aparecer num programa do Master Chef! E a chamar-me! Fiquei "pá minha vida"! Lá fui eu toda contente e entre ela e o seu assistente lá fiz eu uma massa (mexi) que depois saboreei. E estava tão boa! E eu tão feliz! Foram impecaveis comigo. Eu não sei falar chinês,eles não falam português e passamos um momento incrivel a rir na cozinha e eu a aprender.

É uma experiencia bastante engraçada passar a tarde com pessoas que não falam a nossa lingua. A Miau Miau e a Chef falam meia dúzia de palavras mas mesmo assim, com tão pouco, conseguimos estar numa mesa a rir. A rir e a comer. E a apontar para o Gui e a rir com as coisas dele. E a ver fotos. E eu a tentar perceber como são as suas familias e os seus filhos.



A Chef também deixou na China dois filhos e talvez também marcada pelas saudades pega e abraça o Gui duma forma especial.

Obrigada pela tarde! 

Trapinhos que me agradam #4




Fui à Zara. E espero ter acertado nos tamanhos!

domingo, 21 de abril de 2013

Todos por Um

Números de hoje:
- 300 novos inscritos como dadores de medula óssea
- 7272 € angariados
- 7 mulheres com sensação de tarefa cumprida
- seguramente mais de 1000 pessoas que passaram pelo evento
- mais de 50 voluntários a dinamizar o dia

- mais de 100 marcas, bloggers, artesãos e amigos a contribuirem com géneros"
"Coco na Fralda

Foi um dia avassalador. Carregado de emoções. Carregadinho.
Não sabemos quantos fomos, ao todo, hoje no Todos por Um.  Sabemos que registámos 301 novos dadores de medula. E juntámos 7272€, que já estão depositados na conta do Rodrigo."



"4D
A letra dizia "não se ama quem não ouve a mesma canção" mas Portugal hoje cantou em uníssono. Pelo Rodrigo. E parece-me que vai continuar a fazê-lo. Pelo Rodrigo, pela Caetana, por todos os meninos que precisarem de ajuda. Porque está na nossa fibra, na nossa raça. Raça de gente boa!"

 

As redes sociais mostram as boas noticias. A blogosfera está carregada de mensagens optimistas acerca do evento para ajudar o Rodrigo. Os números foram incríveis. A adesão fabulosa. Portugal é assim...fala, discute, argumenta, muitas vezes só para falar e até sem saber muito bem porquê, mas na hora que é preciso, Portugal ajuda. Como diz a 4D Portugal une-se e mostra a sua raça. Raça de gente boa. Muito boa mesmo. E isto é o bom da blogosfera portuguesa. Entre mil baboseiras que se falam nestes imensos blogs de moda, de mães, do caraças mais velho, numa semana unem-se as vozes e faz-se um evento, descobrem-se dadores, arranja-se dinheiro. Portugal é assim, terra de gente boa que dá e que se dá. É a minha terra e eu tenho orgulho. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tamanhos


Eu gostava muito de saber por onde se guiam as empresas de roupa de criança (e não só) no que diz respeito aos tamanhos! Chegar a uma loja e dizer que se quer uns calções para um menino de 6 meses pode não servir rigorosamente para nada.. Sim, porque eu tenho um filho de seis meses e meio, normal, nem gordo nem magro (já foi magrito mas Luanda "botou-lhe mais corpo), nem pequeno nem gigante e tenho calções comprados, oferecidos e emprestados que lhe devem servir apenas quando ele andar!!!! E todos marcam seis meses na etiqueta!!! Os da Zara por exemplo, marcam 68cm como medida indicativa, que é exactamente a medida do Guilherme e parecem do primo mais velho!! (por acaso os do primo são os da Jacadi).

A Jacadi é outra interrogação. Se por um lado tenho os calções brancos que lhe servem perfeitamente, por outro tenho os do primo, azuis, também de seis meses que lhe darão provavelmente daqui a dois meses! E a correr bem, Ana, só te devolvo em Setembro!!
Não percebo o porquê destas diferenças. Que as existam em marcas neo zelandesa ou norte americanas que os moços por lá até têm tendência a ser assim para o graúdo até entendia, agora em marca europeias!! E europeias sem ser do norte! Porque os loiros lá de cima também são mais compridos!

A Nanos é outro escândalo de tamanhos! O Guilherme teve um fato, tipo babygrow de tricot, lindo de morrer (daqueles à principe espanhol, mas sem golas!) que marcava o zero, e que lhe ficava gigante! E o rapaz nasceu com 51,5cm e 3,250kg por isso não era mínimo. Vestiu esse fatinho com mês e meio talvez! Mas com três meses, por altura do Natal vestia os calções (ultra maravilhosos e igualmente de principe) de fazenda para seis meses!!! Mas agora com os tais ditos seis meses ainda não veste os de nove que já lhe comprei! Como é que se pode comprar roupa assim? Só se levar o moço e lhe experimentar na loja!!!

Este desabafo também serve para a Zara mulher! Porque se não sou anoréctica e conheço mulheres mais magras que eu, não percebo como é que um S me fica grande!!




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pequeno almoço com qualidade



Ontem foi dia de chegada de encomenda de casa. Hoje foi dia de pequeno almoço muito bom! Iogurte com granola de avelãs a descobrir os segredos da Albânia...



Há comidas que me fazem faltam, ou lojas ou cenas de que não preciso para nada mas me fazem falta na mesma, mas as minhas revistas...aiaiai! Sinto tanta faltinha das minhas revistas....

Juntamente com a encomenda de comidinha saudável, veio também uma saia da Zara que eu esperei, esperei e quase desesperei de tantas vezes que esteve esgotada. E agora, finalmente chegou. E ESTÁ GRANDE! E é um S!! Ora, visto que não estou anoretica e comprei um S que me fica grande, gostava de saber como são feitas as medidas desta colecção. Porque a minha roupinha velha continua-me a servir!!

Para ser um pequeno almoço perfeito só faltou o cafezito no fim. Mas essa maquina vem na próxima encomenda...É aguardar!


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mães diferentes

a Miau Miau e o Guilherme
 

Há muitos tipos de mães. Eu conheço imensos tipos. Entre as minhas amigas e família, já para não falar em mães de outras gerações, identifico géneros muito diferentes. Mais preocupadas, menos stressadas, menos pink, mais tradicionais, todas são distintas. Mas somos todas mães com um background mais ou menos igual. Todas nascidas e criadas num paraíso à beira mar plantado, todas com mais ou menos estudos, todas com mais ou menos possibilidades financeiras e consequente qualidade de vida (se é que isso tem ligação, o que ultimamente me tem dado para pensar bastante).
Desde que cheguei a Luanda e desta vez com um bebé nos braços, as conversas invariavelmente vão dar ao Guilherme. Como ele se dá, se gosta, se não..(ele não diz grande coisa sobre o assunto ainda!) o que eu acho de ser mãe aqui etc etc.
Mas tive duas conversas que me marcaram. Que me fizeram pensar e me deram a conhecer na primeira pessoa, dois tipos de mães muito diferentes de todas as minhas amigas e conhecidas de Portugal. Dois tipos de mães, dois tipos de amor, dois tipos de sacrificios diferentes.

A primeira mãe, a Pequena (sim, é esse o nome dela), era a nossa empregada na guest house da empresa do Nuno. Um dia, enquanto limpava a casa, e chamava "Branquinho" ao Gui (acho que nunca soube dizer o nome dele) perguntou pelo irmão dele. Eu, admirada com a pergunta, respondi que o G era filho único, que não tinha deixado nenhum outro filho mais velho em Portugal. A Pequena riu-se..
- "Então o Branquinho é o Mimoso"?
- Mimoso quer dizer filho único Pequena?
- Mimoso é o primeiro...
- Então sim, o Guilherme é o mimoso..(as coisas que eu aprendo).

A Pequena contou-me então que os seus dois primeiros filhos eram "falecidos". O primeiro, com oito meses, morreu de "febres" (paludismo, perguntei eu? - febres respondeu ela!) e a segunda, uma menina de nove meses, morreu de "diarreia".
Não se referiu a eles pelo nome nem sequer me deu mais detalhes. Também não os deve saber. Se era uma conversa sofrida? Acho que sim, mas um sofrimento diferente do nosso. Um sofrimento conformado, aceite, uma dor aos meus olhos não normal, talvez demasiado leve se é que isso é possível. Não acho que aqui em África, por terem mais filhos (muitas vezes demasiados!) os amem menos, mas penso que estão tão habituados à sua vida ser uma desgraça, uma perda constante, que tudo é normal. Os filhos morreram é normal..Não chegarem ao primeiro ano de vida era muito normal.
A Pequena explicava-me então perante o meu silêncio que naquela altura era "normal". Havia a guerra, eles estavam nas Lundas (província norte de Angola) e a UNITA não os deixava viajar. Não havia grandes hospitais (se ainda agora é o que é, não imagino há vinte anos), não havia médicos e era habitual dizia-me ela. Fiquei sem saber bem o que comentar e só conseguia abanar com a cabeça e dizer "pois...".
O que se diz a uma mãe que perdeu dois filhos? Não sei.

A segunda conversa que me marcou foi com uma chinesa que trabalha no restaurante da empresa do Nuno. De nome Miau Miau (acho que não se escreve assim, mas é assim que se diz, e eu acho uma delicia de nome) agarra-se ao Guilherme de cada vez que entro para jantar. Com a desculpa de ser prestável e dessa forma eu poder jantar à vontade, mal entramos ela cola-se ao "pequeno Nuno" (até a chininha os acha iguais) até eu dizer para ela pegar nele. Quando lhe é dada permissão é emocionante ver a forma como o agarra -eu acho que ele também gosta muito dela, mas tenho algumas dúvidas que não seja por ela ser parecida com os desenhos animados !!-
A Miau Miau deixou duas filhas no interior da China para vir trabalhar para Luanda. Uma com dois anos e uma com quatro. Não as vê há mais de um ano e só as vai ver no próximo.

Somos todas mães mas em continentes diferentes. O amor é o mesmo certamente mas vive-se em línguas distintas.



E foi assim ... Fim de semana






Aqui não é sempre fim de semana, mas acredito que quem lê este blog acredite nisso.
Este foi um bom fim de semana. Daqueles que recuperam tudo!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Condição : emigrante


“nunca serei de cá e não voltarei a ser de lá”


Não resisto a copiar estas palavras do Nuno

"Quando me pagavam casa e alimentação e me davam transporte e viagens a Portugal de três em três meses, era expatriado. A partir do dia em que decidi trocar Angola por Cabo Verde (um dia hei-de escrever sobre isto) e um ordenado razoável por um orçamento apertado, tornei-me emigrante.
 Saí de Portugal em 2008, por vontade própria, quando a crise estava apenas no início e ninguém imaginava – tirando o Medina Carreira, vá – que viesse a ser “isto tudo” em que se tornou.
 Deixar o país implica duas coisas: primeiro, estar disposto a recomeçar; segundo, saber abdicar. Se a viagem tem como destino um país africano, então abdicar significa deixar de lado, em versão simplista: luz eléctrica 24 horas por dia (ou pelo menos aprender a lidar com cortes frequentes), água potável na torneira (dependendo das zonas, água de todo), supermercados com dez marcas diferentes para cada produto e Internet rápida.
Nestes cinco anos, já vi de tudo: betinhos de cabelo impecável que confundem Luanda com Londres, drama queens que choram do primeiro ao último dia com saudades de casa (e do shopping), novos hippies que se põem tão à vontade que acabam com uma hepatite ao fim de três semanas e trolhas que deixam as mulheres em Portugal e arranjam uma amante – ou várias – que os levam até onde não julgavam ser possível.
Todos os outros são aqueles que se envolvem, participam e tentam fazer parte. Tenho visto muita presunção, mas vou conhecendo, também – e felizmente – muita gente cheia de vontade de dar a volta por cima. Assumem o risco e, mesmo quando as coisas correm mal e a estadia acaba por ser mais curta do que o previsto, guardam da experiência o que esta teve de melhor.
Certo dia, a propósito de um episódio de má memória, escrevi qualquer coisa parecida com isto: “nunca serei de cá e não voltarei a ser de lá”. E é este o principal dilema de um tipo como eu.
Em Portugal, olham para mim como o tipo que vive lá fora e não faz a mínima ideia “do que passamos aqui” (além de acharem que estou rico e que passo o dia na praia). Onde vivo, sou um estrangeiro “na terra de gente” e, por melhor integrado que esteja e menos preconceituoso que seja, o argumento “vai para a tua terra” é sempre o último recurso numa discussão.
Emigrar tem tudo a ver com reaprender a viver. Emigrar para África ainda mais. A quem chega, não se pede que desista de ser quem é, mas espera-se, pelo menos, que aceite os outros como são."


São tão verdade que até doi.. Pertenço onde agora? Ao meu eterno Porto? A Luanda? Sentimo-nos "longe" em qualquer lugar.
Pertencemos ao mundo talvez. A crise e a procura de oportunidades faz-nos pertencer ao mundo e a onde houver oportunidades para nós. Onde crescerá o Guilherme? Não sei. Parece-me pouco provavel que seja onde eu cresci, no meu doce Portugal à beira mar plantado. Será aqui? Também não seria a minha preferência! Um dia de cada vez e um sitio de cada vez. Como alguém já o disse, nós os portugueses vamos além mar e descobrimos coisas...

Que assim seja........

sábado, 13 de abril de 2013

Fim de semana

Nada como uma ida à praia para organizar ideias. Deitadinha na areia ao sol é o melhor sitio para pensar na vida, na semana que se avizinha, na entrevista que vou fazer à babá que pretendo contractar, nos curriculos que enviarei.. Mas isso era antes!!! Provavelmente com o Gui a única coisa que conseguirei fazer é estar à sombra às gargalhadas :) O resto, as grandes decisões, organizações ou pensamentos, o bronzeado, as "sornas" ao sol ficam para outros dias! E não posso imaginar melhor alternativa.