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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

o gladiador vs a morte



Texto escrito a 7 de Outubro


Não há vez que veja o Gladiador que não chore. Nenhuma. Já vi o filme vezes sem conta, sei falas..e no entanto, na derradeira luta final, mesmo antes dele morrer os meus olhos parecem um lago. Não sei se é a música, se é a cena em si, mas choro sempre. Mas choro mesmo. Ainda ontem chorei. Pensava cá para mim, enquanto via a cena final que a morte deveria ser assim. Um campo de cereais na Toscana. Uma paisagem linda sem fim, como se percorrêssemos um caminho até encontrar quem amamos. Com calma, beleza, serenidade. Com aquela brisa quente no rosto. Será assim?? Nunca fui de pensar nisso e desde que o meu querido pulmão me pregou aquele ‘susto’ que durará para toda a vida e mais seis dias, nem gosto propriamente do tema. Para uma “não-quase-nem sempre-nunca-depende dos dias” católica é uma visão simpática. Para alguém com um ‘susto para toda a vida’ dos meus, uma visão adorável. E enquanto pensava nisso, em morte e em encontrar quem amamos como o Gladiador encontra, lembrei-me que dia era hoje. Realmente a vida tem destas coincidências. Fazer-me pensar em morte, em encontrar quem já morreu, ou partiu, ao som daquela maravilhosa banda sonora no dia 7 de Outubro. Pensar em morte com aquela serenidade…Faz hoje exatamente dez anos que perdi o chão. Acho que na minha vida perdi o chão duas vezes e uma foi exatamente há dez anos, às 6.20 da tarde quando o meu telefone tocou. Estava no escritório onde era regra não se poder atender (Yesss eu trabalhei numa ditadura!) e o meu pai ligou. Rejeitei a chamada. Ligou novamente. Tornei a rejeitar. E encontrava-me a escrever-lhe uma msg a dizer que sairia dez minutos depois…se era assim tão urgente, se não podia esperar. Quando ele liga outra vez. Lembro-me de abrir a porta da sala de desenho e de no corredor ouvir algumas palavras. De voltar à sala, pegar na carteira e sair, sem conseguir falar. De conduzir o pouco mais de um km que separava a minha casa do escritório assim meia em transe. Num transe com medo da verdade. E mal cheguei ao topo da minha rua deparei-me com ela mesmo. Com uma verdade que me tirou o chão. E nada teve de brisa quente no rosto.  Disseram-me que morreu sem sofrer como se isso consolasse. E consola. Que a enfermeira que a trazia do lar abriu o portão e ela entrou e caiu.. caiu lá dentro e assim ficou. Que tinha estado a jogar cartas toda a tarde. Faria 82 anos passados 2 meses. E aos 7 de Outubro de 2003 soube o que era perder quem se ama. Perdi quem criou a minha mãe e quem me criou a mim. Perdi muito mais que uma avó. Não me lembro bem dos dois dias seguintes. Lembro-me de passado umas semanas cair em mim e pensar que ela nunca me veria casada, nem nunca veria um filho meu. Nem nunca mais discutiria comigo por causa dos meus cigarros. Gosto de acreditar que para ela foi como um passeio num campo de cereais ao som daquela banda sonora. E quero acreditar que um dia (lá muitoooooooooooooo longe se possível) será assim também. E ela vai lá estar ao fundo à minha espera. E quem sabe numa paisagem da Toscana.Por enquanto fica uma saudade grande, uma saudade serena. Uma vontade de partilhar momentos ou conversas. 

E passaram-se 10 anos…

domingo, 22 de setembro de 2013

As minhas botas


Vinha de Malanje, pensativa, e dei por mim a olhar para elas. Acompanham-me há anos. já fizeram comigo alguns milhares de kms (de avião claro). E estão prontas para mais alguns. Comprei-as em 2008, dias antes de viajar para a India. E foi sem duvida a compra mais acertada que fiz para essa viagem. Percorreram lama, campos, margens de rios, enfim..Viram uma fé que nos abalou e cheiraram caril. No ano seguinte fomos à Namíbia ver o pan. Em 2010 fizeram comigo um safari na Tanzânia e não podiam ter sido mais úteis. Ficam bem de calças, de calções, limpinhas (no primeiro dia) ou sujas com terra vermelha de Africa quando a viagem termina. Nos intervalos (como se a minha vida fossem férias e as paragens algum trabalho) fizeram obra. Fizeram viagens de lama, de ferro, de betão por esta Angola. E esta semana saíram do armário para voltar a Malanje. Olha para elas, sozinha com os meus botões e penso..Que dinheirinho mais bem empregue! Adoro as minhas botas!

sábado, 7 de setembro de 2013

Setembro

Estava aqui no meu silencio (muito apreciado diga-se) a ler os meus blogs favoritos e deparo-me com um post sobre Setembro da Princesa. Percebi tão bem o que quis dizer que até fiquei nostálgica a pensar no antigamente. Apesar que no intimo continuo com a ideia que no nosso tempo o Setembro de agora era o Outubro. Para mim o calendário é uma espécie de gráfico....Passo a explicar: o pico é no Natal/Passagem de Ano e depois desce até meados de Junho. Junho, Julho, Agosto e Setembro são meses planos, "parados", sem aulas. Linhas 'estacionadas' paradas no tempo a apanhar sol e a fazer praia. Meses em que nada se faz, pouco se produz. Não há oscilações no gráfico! E eis que no fim de Setembro (na minha memoria, inicio de Outubro), quando as folhas começam a estalar sob as galochas, começamos a subir até ao Natal novamente!!!!! Sempre vi assim o ano e não o consigo imaginar de outra forma. Setembro é o inicio :) O inicio de um novo ano, (lectivo eu sei!!) de novos amigos, de novos desafios, de novas descobertas. Ainda hoje penso no ano desta forma, organizando a minha vida mentalmente tendo em conta esta imagem. Vivendo em Angola acaba por ser igual. O gráfico continua na minha mente, mudam é as estações. O cacimbo é a estação "plana", a que nada se faz, a estação triste, cinzenta. E em Setembro começa o Verão até ao seu pico no Natal. A única diferença é que agora em vez de comprar galochas, em Outubro, compro bikinis!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Voltamos

Voltamos a Luanda. Voltamos e que grande volta demos. Depois de 26horas de voos e escalas (Porto/Lisboa/Dubai/Luanda), 70kg de bagagem e outra tanta que não coube, cá estamos nós na nossa vida. Custou regressar ao fim de um mês. Não custou menos do que quando vamos pouco tempo, pelo contrario. Parece que custa mais...Habituamo-nos tão facilmente quando chegamos, parece tudo tão "nosso", tão habitual, que regressar custa. Custa sempre e cada vez mais. Desta vez soube muito bem o agosto em casa, mas estes trinta dias têm um peso difícil. Passar esse mês, sem contar, em Portugal, faz com que não haja mais visitas até o final do ano. Faz com que o aniversario do Guilherme seja passado cá, faz com que não haja o batizado previsto (pelo menos para já). Estas alterações matam-me! Isto de não saber com que conto, de não poder fazer planos a longo prazo, a mim que gosto de tudo programado e organizado, matam-me. Ter de organizar uma festa à distancia, ter quase conseguido e depois...ups..ter de desistir e ficar sem plano B é esfolar-me viva. Enfim, siga adiante e tenta-se levar isto a pensar nas coisas boas que foi o Agosto à emigra. Um mês inteirinho por Portugal e pelas lindas terras lusas. Começamos no Douro, passamos uns dias em casa e depois seguimos até às praias algarvias. Foi bom. Comi bem. Fiz boa praia. Vim morena com um filho mais gordo e feliz. Fui a sítios onde tinha ido gravida. O Guilherme fez onze meses em casa, no seu país, numa das praias da minha vida. Estive com amigas e família. Estive na minha casa e no meu por-do-sol da minha varanda. O Guilherme comeu calipos e gostou. Estamos cá, na 15ª temporada de Luanda e felizes. Com o coração cheio.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Coisas

Ficar sem carro uns dias (na realidade foram 2 dias!!) fez-me pensar o quanto somos (ridiculamente sim eu sei!) dependentes das 4 rodas. Somos ou melhor, eu sou! Fiquei triste, infeliz e sem vontade de fazer nada.. Ainda por cima com o Gui e a necessidade de o transportar com a sua cadeira impediu-me de fazer montes de coisas. Mas tenha a noção do ridículo da situação! Há uns anos, e não foi no século passado, as pessoas não tinham todas carro. E andavam! E saiam. E saiam com filhos. E até iam ao supermercado. E até iam com os filhos e sem os carros de bebé ultra fashion como o que eu tenho. Como??!! Juro que não percebo, mas sei que iam. Relembrei-me por exemplo da minha madrinha, mãe da minha prima Joana (da minha idade) e do Pedro (4 anos mais novo). Na maioria dos dias, a minha madrinha saia se casa, no Pinheiro Manso, com os dois pequenos, (e sacos e mochilas e afins) ia leva-los à nossa avó, em Aldoar, e seguia para o seu emprego, na Baixa Portuense! Isto tudo de autocarro!!! E não entrava ao meio dia minha gente... Entrava às 9! Eu, se tivesse de sair de casa com o Guilherme, ir leva-lo e entrar às 9horaa, sem carro, ia "pânicar" e muito!! O que é absolutamente absurdo eu sei.. Acho que com os anos e apesar de toda a evolução ficamos muito mais atados. Precisamos de muitas mais condições para fazer seja o que for. Não sabemos viver sem carro, sem telemovel, sem tv, Para ir de ferias  por exemplo..precisamos de um carro com mala grande, de um aparthotel xpto por causa da criança, uma piscina para o fim da tarde também dá jeito, etc e tal! Eu, há trinta e poucos anos (vou ignorar esta declaração) fui de férias com os meus pais para Lagos num Fiat 500 e juro que a minha mãe levou roupa para todos! Como??!! Juro que não sei. Atenção que eu até acho que sou muito "descomplicada" e vou para todo o lado com o Guilherme, mesmo que sozinha.. E vamos de férias na boa, para qualquer lado sem dramas. E até já fomos de mochilas mais que uma vez, de porto em porto. Mas agora com o Gui, e os seus apetrechos, juro que preciso de espaço! O Gui e o pai do Gui , que leva muita coisa em ferias!!

Por cá

O mês começou de uma forma atribulada. Sair de Luanda a correr (pela falta de visto do Nuno) tratar de voos para chegar a Portugal (preços pela hora da morte) etc etc etc, tratar de vistos para regressar a Luanda, para o pai ir à China, etc etc etc. Parece que a nossa vida se resume a voos, aeroportos e consulados. Nos entretantos, uns jantares simpáticos com amigos, umas festas de aniversários porreiras, uns bons restaurantes no Porto e algumas compras. Em relação às compras, bem menos do que as que eu queria! Se há coisinha que acho ridícula são as estacões do ano ditadas pelas lojas! Isto de ir à Zara em Agosto tentar comprar roupinha para mim ou para a minha criatura e encontrar casacos de pelo tira-me do sério! Facilmente conseguiria ir de férias para Buenos Aires.. Agora para a praia, para o verão, para cá ou uso a roupa que tenho (que está em Luanda!!) ou azarito! Ir ao Jumbo tentar comprar baldes para o Gui ou bóias em plena época de praia também se revela tarefa impossível. Mas já se arranjam livros escolares e galochas! Eu acho que está tudo doido!!! Enfim... Este mês tem-se revelado muito castiço!! 

Ficar sem carro também não ajudou nada. Sem carro, com marido na China e pai no Algarve foi pouco divertido! Carros para alugar???? Zero! Voos para o Algarve?? Zero! Casas para alugar no Algarve??? Zero!!! Destino- casa e praia nas redondezas até novas directivas! 
Parte boa: recuso-me a ouvir que o turismo este ano em Portugal está em crise! Impossível!! Taxas de ocupação brutais como há muito não se via. Voos cheios para qualquer lado. Restaurantes cheios no Porto. Douro com hotéis a abarrotar (amanha coloco as fotos do Douro que apesar de tudo recomendo!!). 
Outra parte boa : Guilherme passa férias com avós, madrinha, padrinho e amigos vários!! Como qualquer emigrante que se preza passamos Agosto em Portugal!
Parte menos boa: baptizado/festa de aniversario previsto para Setembro com prognostico muito reservado. 
Esperam-se desenvolvimentos em outros locais nos próximos dias! Se alguém tiver sugestões de sítios não se acanhe. Preferência- sítios com outra língua ;)


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Judite vs Lourenzo

Há coisas que me enervam. Muitas aliás! Acho que hoje em dia coisas muito diferentes de antigamente, mas continuam a ser muitas coisas. E anda-me a enervar um bocadinho esta "teoria da conspiração" contra a Judite de Sousa a propósito da sua polémica entrevista ao jovem milionário Lourenzo. Não conheço o mocinho de lado nenhum e como habitualmente não vivo cá nem das revistas a cara me é conhecida. Soube, graças a esta confusão toda, que é muito rico, que convida a Pamela para festas de aniversario, que foi entrevistado na TVI (vá-se lá saber porquê) e no meu ponto de vista é "azeiteiro" que chegue (não que isto sirva para alguma coisa no presente contexto). Quanto à Judite, é uma cara minha conhecida há muitos anos e uma jornalista que gosto bastante e a quem reconheço mérito profissional. Adiante! 
Vi a entrevista (hoje, depois de tanto post sobre o assunto) e realmente há ali questões perfeitamente escusadas e que nem sequer se percebe o interesse! Mas como a sra posteriormente já assumiu foi um mau dia. Mas agora levantar-se uma "onda nacional" a defender o Lorenzo já me parece too much! Até o Tio Marcelo se pronuncia no seu habitual comentário semanal. Amanha já devem nascer páginas a pedir o despedimento da Judite!!? WTF minha gente! Não há nadinha mais importante para criticar?! Para gerar verdadeiros protestos nacionais?! Se não há aproveitem o verão! Esta situação fez-me lembrar a polémica da carteira Chanel e daquela bloguer que não me lembra o nome que foi crucificada em praça publica! Gente falem de coisa importantes ou então de sabores de gelados!! 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

10*

* DEZ MESES *

aos dez meses de felicidade
o Gui grita -ultima novidade!
O Gui dá gargalhadas, cada vez maiores e mais sonoras
O Gui gatinha tudo 
O Gui levanta-se sozinho e cai sozinho também
O Gui já deu algumas (varias) cabeçadas
o Gui come sólidos e detesta
O Gui adora iogurte de limão
O Gui bate na televisão com os carros
O Gui cola a ver tv
O Gui adora a Xna TocToc e o Pocoyo (e distingue o genérico, ao qual não acha piada)
O Gui adora tudo o que é correria e sustos
O Gui adora tomar banho de chuveiro e grita lá dentro
O Gui já come ovo

...e hoje pela primeira vez em dez meses o Gui vai ficar longe da mãe....

Por questões burocráticas, relacionas com os vistos de Angola (ahhh toda a gente conhece alguém que já teve stress com vistos para cá) o Nuno teve de ir a Portugal. E por muito que me doa o coração, não fazia sentido o meu pisco ficar cá. Assim, a esta hora, voam pelos céus africanos. Destino - o nosso Porto! A nossa terra! O nosso Portugal! Aliás como bons emigrantes que são, irão passar uns dias do querido mês de Agosto à nossa linda terra. Mas custa! Custa mesmo..Custa ve-lo a ir no aeroporto e a ficar a chorar por eu não ir. Custa pensar que é a primeira noite em dez meses que vou dormir inteirinha (ou não!). Custa-me mas TEM DE SER! e o que conta é que são dez meses MUITO FELIZES!


*nós os dois no aeroporto nas ultimas palhaçadas*
Próximos episodios em breve :)



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mudança de vida


Já aqui falei noutra altura de amigos que mudaram de vida. Que “abandonaram” os cursos que tinham, muitos dos quais suaram e bem para os tirar, as profissões que praticavam para mudar radicalmente de vida.
Um grande exemplo foram as minhas amigas Joana Conde e Sofia Príncipe. Uma psicóloga e outra socióloga abriram em Janeiro, com outra amiga, a Taberna do Largo. Um sítio maravilhoso na cidade do Porto, na minha (cada vez mais) amada cidade, em plena Ribeira, atualmente sempre cheio e que está a ser um sucesso. Depois tenho o exemplo do Sérgio. Meu grande companheiro de curso, dos seis difíceis anos de arquitetura, companheiro de noitadas e de diretas, de cigarros sem fim e de grandes esculturas de maços, batatas fritas e latas de Coca Cola. O Sérgio, juntamente com um grande amigo Miguel Barbot, ex consultor de marketing , abriu em Janeiro de 2012 a Velo Culture. Uma loja de bicicletas (e afins) no Mercado de Matosinhos. Mas bicicletas de revista! Bicicletas lindas de morrer, daquelas clássicas, com cores incríveis em que qualquer gaja gostaria de ser fotografada (até eu que não morro de amores por andar de bicicleta). Outro caso de sucesso estrondoso!Além de venderem bicicletas, de adultos, de crianças e até coisas que parecem triciclos para a minha criatura (vejam  fotos aqui) servem de oficina às mesmas. Já aqui falei também da Sara, psicóloga clínica de profissão que agora não respira pois não tem tempo para todas as encomendas na Cutchi. A sua arte de fazer crochet está a dar que falar na zona do Porto. E as minhas “heart” t-shirts brilham em Luanda. Temos também o Bruno, o meu Bruno. O meu querido Bruno. O Bruno, designer gráfico e de equipamento de formação, (e maquilhador autodidacta e de longe o meu favorito de todos os tempos) com imenso sucesso nesta área, desligou esse chip e abriu com o Rui, a Champanheria da Baixa em Janeiro de 2012. Para quem é da zona é escusado falar na repercussão que teve! É ir e ver! Para quem mora longe e quer saber do que se fala, recomendo um fim de tarde acompanhado duma sangria de morangos com uma salada de salão! Sucesso estrondoso também! Agora temos também o meu afilhadão Helder Leite e o seu Gull. Estudou para professor de educação física, tornou-se Dj e abriu em Março deste ano, nas anteriores instalações do Bazaar, em pleno viaduto de Massarelos, um fabuloso e lindíssimo restaurante de sushi. Com uma esplanada de cortar a respiração a olhar para o meu Douro, o sushi é ótimo. E juro mesmo que não é o meu orgulho de “madrinha” a falar.
Todos os dias ouço relatos de amigos que mudam radicalmente as suas vidas. E até à data, todos os casos são casos de sucesso. Torna-se aqui bem evidente o velho ditado “Quem muda, Deus ajuda!”. São exemplos de gente que não estava bem, que não era feliz, que não se sentia completa, muitas vezes nem só por questões financeiras. E hoje, todos estes casos de que vos falei, sem exceção, são pessoas muito mais felizes, muito mais sorridentes. De bem com a vida. Lembro-me bem do Sergio enquanto arquitecto. Era um gajo divertido (senão também não tinha estado 6anos no mesmo apartamento que eu!) mas faltava ali qualquer coisa. Falávamos muitas vezes e eu sabia que fazer projectos nunca seria o sonho da vida do Serginho. Agora, entrar na loja é ver o Sergio sujo de oleo, de boné (especial , de certas e restritas marcas de bicicletas que não ouso sequer perceber) e de sorriso gigante. Adora o que faz. Adora o seu dia a dia! A Sofia e a Joana a mesma coisa! O Bruno igual!!

E temos também o caso da minha comadre Ana. A Ana é advogada e gosta de ser advogada. E é uma brilhante advogada. Dedicada, competente, esforçada, como aliás em tudo o que faz na vida. E no entanto, este ano, tivemos uma conversa em que me fala em “mudar de vida”. Em que discutimos uma possibilidade duma nova profissão, duma nova ocupação. Duma nova forma de olhar os dias e as horas a passar e sem ser necessariamente num tribunal.
Todas estas mudanças, estas interrogações levam-me a pensar…Será que chegamos a um certo ponto da nossa vida e há necessidade de variar? Será que todas as profissões sentirão isso, ou apenas as mais monótonas? Será que algum dia deixarei de querer “desenhar casas” para me dedicar a outras funções? Hoje em dia encontro-me a dar aulas numa faculdade em Luanda, como já aqui falei, mas são aulas de desenho. Não é projetar casas mas é desenho. Não é arquitetura mas acaba por ser falar daquilo que melhor faço - desenhar!
Eu gosto de ser arquiteta. Houve alturas da minha vida, quando era adolescente, com os meus 15/16 anos que queria ser fotografa e percorrer mundo. Depois optei por um futuro mais “terreno” ou supostamente mais “futuro”. Como se hoje em dia alguma coisa fosse concreta ou tivesse futuro. Se calhar optei mal porque a esta hora podia ser repórter fotográfica de alguma mega revista. Ou não! Mas quando vejo tanta gente e tão próxima a mudar radicalmente de vida e a ser feliz, penso no que me poderia fazer feliz. Em que outra profissão sentir-me-ia eu realizada? E sinceramente não vejo qual…
Penso por exemplo no Bruno, e vejo que adorava fazer um projeto como a Champanheria, mas lá está- FAZER! Desenhar! Projectar! Porque geri-lo nunca estaria nos meus planos. Olho para o Gull e penso o mesmo. O projeto é fantástico, fazer algo do género agrada-me, mas ter um restaurante de sushi, nem pensar! E assim sucessivamente… Lembro-me de uma pessoa que conheci há uns anos. Aliás que conheci o cunhado, não o indivíduo em questão. Era fotografo de catálogos de agências de viagens. Achei que isso era igual ao euromilhões. Achei e continuo a achar. Haja profissão perfeita! Mas olhando para o futuro, que profissionalmente no meu país não se apresenta nada risonho, pelo menos nos próximos 10 anos (e estou a ser sempre positiva=, penso no que poderia “criar” para poder voltar. Para dar ao Guilherme uma infância “tuga”. E dou voltas e voltas à minha cabeça todos os dias, e todas as vezes que vou a casa. E até à data só tenho um sonho, um projeto com o qual me identifico mas para isso ainda preciso de trabalhar mais uns anos..Mais uns valentes anos.
Gostava de ter um hotel. De projetar um hotel. De fazer a obra de um hotel. Um pequeno hotel, com poucos quartos, mas um hotel de classe, de charme , como agora é moda chamar, de design. Qualquer coisa do gênero do Areias do Seixo (ahhh que pouco ambiciosa que eu sou!!!). Um hotel no Alentejo onde se pudessem fazer eventos. Onde os amigos pudessem passar férias e fins-de-semana. Onde as crianças pudessem brincar mas onde houvesse zonas sem gritos e brinquedos no chão. Um hotel com sushi e sangria à beira da piscina. Um local digno de fotos de revistas. Com fogueiras e micro cimento. E mobiliário Dedon. E oliveiras! E pratos com lousa (como o Aquapura). E vistas de cortar a respiração como a do Douro (mas no Alentejo!!!). E um spa com tailandesas e aroma de lemongrass. E lençois de algodão egípcio. E que pudesse crescer.  Que começasse pequeno mas com ideias grandes. Para me manter ocupada, porque lá está…Ficar a gerir stocks, empregados, reservas e manutenções não era bem o meu sonho de vida!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pensar em férias




Este ano não vou ter ferias. É certo que estive vários meses sem trabalhar, mas quando falo em ferias, falo em destinos de lazer, paradisíacos ou não, citadinos ou de praia mas que permitam viver o “dolce fare niente”. Ou o fazer coisas de ferias que é praticamente a mesma coisa. Conhecer sítios novos, línguas novas, comidas novas para mim é sinonimo de descanso. Muitas vezes este descanso até pode significar cansaço físico mas a minha mente “sai”, “viaja”, conhece, logo tira férias. Gosto muito de viajar. É certamente um dos maiores prazeres que tenho. Durante muito tempo abdiquei de outros “luxos” materiais pata poder viajar e conhecer outras culturas. Não me custava deixar de sair ou mesmo deixar de comprar esta roupa ou aquela carteira, tendo em conta no que mês seguinte iria percorrer ruas longínquas e sentir aromas nunca antes sentidos. E normalmente quanto mais diferentes fossem estes aromas mais eu apreciava as viagens. Nos últimos anos, consequência da “evolução financeira” tenho conhecido sítios fabuloso e retornado a outros que me marcaram. Viajar é algo que nos agrada muito e no qual gostamos de investir. Li algures que “viajar é a única coisa que compramos que nos deixa mais ricos”. Grande verdade na minha opinião. Bem, mas este ano, vejo todos os meus amigos a irem de ferias, a colocarem maravilhosas fotos de praias e de sol no fb e eu aqui em Luanda. E neste cacimbo horroroso! Este ano se pudesse ter ferias tinha tantas ideias…Ai, tantas! A nível nacional ia dar um salto ao Lagos no Algarve. E queria muito passar uns dias no L'and Vineyards. Recomendaram-me vivamente e as fotos do site convencem mesmo os mais céticos.

Se viajasse uma semana, ficaria pelas redondezas europeias. Estava indecisa entre Cinque Terre em Itália (que ando há anos para conhecer), pela maravilhosa ilha da Sicília ou pela Sardenha. Gostava igualmente de dar um pulinho até às aguas de Formentera. Sítios perto, não excessivamente caros e atrativos para quem tem um filho de 9 meses.

No caso de (em sonhos) conseguir tirar duas semanas ia tentar conhecer as Sheychelles ou Maurícias. Ilhas que andam há dois anos a ficar para trás no mapa de destinos. Ilhas situadas no Indico e que por esse motivo dispensam mais apresentação no que diz respeito a praias, possuem igualmente um fabuloso património histórico e arquitetonico uma vez que faziam parte de históricas rotas de escravos e comércio de especiarias. 

Como não vou a lado nenhum a não ser à ilha de Luanda com a minha “Volta ao Mundo” sonhar ou com muita sorte à Maia em Setembro, vou deixar algumas sugestões a quem pode ir. Vou iniciar uma rubrica de destinos! Uns por mim visitados, outros por amigos e altamente recomendados. Na ausência de férias, ao menos falo delas!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Filhos e filhos a trabalhar em Luanda



É incrível como ter um filho ainda pode ser considerado um “impecilho” a nível profissional. Nunca tinha tido esta consciência e se me tivessem falado disto anteriormente não acreditaria. Também nunca tinha estado gravida e nunca tinha tido um filho. Mas esta triste realidade ainda é verdade. E se eu acredito que ainda seja verdadeira em Portugal, muito mais a será aqui em Luanda. Quando cá vivemos não queremos ter os filhos cá. Refiro-me ao parto, porque cria-los cá, mesmo que seja difícil e no início uma ideia que não agrada a nenhuma mãe, a Vida (sim essa que comete erros) obriga-nos a aceitar (eu durante anos disse que quando tivesse filhos ia embora..E cá estou!) A Sraª Vida e a Srª Crise que nos últimos anos obrigaram os portugueses a relembrar histórias de “malas de cartão”. E não os querer ter cá, implica, pelas regras da aviação internacional que dois meses antes do dito, voemos para as nossa querida terrinha, para junto do nosso médico de confiança para as “ditas dores”.
Estar gravida cá implica igualmente um jogo muito grande de cintura com o acompanhamento médico. Ou somos seguidas cá, e temos de ter fé, muita fé, porque confiança é muito pouca, ou voamos amiúde a Portugal e para isso precisamos duma gigantesca compreensão de quem é nosso patrão, pois isso implica dias de férias. Passando a questão de dias para consultas e de dois meses antes do parto (já estamos aqui com praticamente dois meses e meio de férias) na maior parte das vezes aceite pelas empresas, temos os habituais dias de licença seguintes ao nascimento, que segundo a lei portuguesa são possíveis até 150 e segundo a lei angolana serão 120 dias somente. Logo, ao fim desses 120dias há que viajar com as criaturas e vir. E trazer um bebe com três mesitos para cá não é fácil. Nada fácil mesmo. E deixar um bebe com três meses com uma empregada/baba também não é mesmo nada fácil. Muitas mães e mesmo mães que eu conheço foram trabalhar muito mais cedo que os 120 dias, mas deixaram as crianças com alguém que não suscitava qualquer duvida. È difícil na mesma, eu sei, mas no fundo sabemos quem lá esta, quem cuida, quem trata e como trata, o que nos acalma o coração. Por isso esta história é diferente. Não pretende ser mais fácil nem difícil, pretende apenas ser diferente. Aqui nestes pais, para quem vem, são 120 dias mas ao fim destes não há avós para deixar as ditas criaturas. Há babas, há empregadas, mais ou menos certas, mais ou menos confiáveis. Mas empregadas!
Passando isto tudo temos a parte de criar um filho e trabalhar em Luanda. Porque a maioria de nós vem para trabalhar. E surpresa…Continua a ser difícil. As babas não querem sair tarde e é impossível chegar a casa cedo. Mesmo que o patrão permita o trânsito não facilita. E temos de começar cedo a trabalhar. Sair de casa no máximo às 7h. (já não falando em quem como eu vive em Luanda sul, em que sair às 7h será tarde). Ultrapassando isto, ainda me consigo deparar com profissionais (e PORTUGUESES!) que numa entrevista me dizem….”ter um filho é um problema cá, não? Onde o deixa? Como pretende fazer” E termos a consciência que isso é um ponto negativo no seu perfil. Os anos de experiência, os anos desta terra acabam por contar menos do que ter um filho! Não, não é um problema! Não é, não deve e não pode ser. Porque as mães trabalham na mesma. E há pais. E há empregadas! E há babás! E infantários! E há muito coisa porque não há avós. Mas há também empregadas dos amigos. E amigos. Muitos amigos. E amigos mais disponíveis para ajudar porque percebem que não há família e há muitas dificuldades nesta terra. E porque temos de trabalhar mas ter o coração descansado.
Mas felizmente também há pessoas que nos dizem “também tenho filhos e sei o que é isso” ou “ nem que o traga…” ou “ isso nunca seria um impedimento” ou “ a minha mulher também é arquiteta e mãe”. Porque também há entrevistas que nos relembram que mães também são mulheres e mulheres profissionais. Que é difícil mas possível. Mas que tem de ser igual a ser pai e profissional. Porque não pode haver diferenças. E há entrevistas que nos fazem acreditar que há profissionais justos e corretos (só é pena é serem estrangeiros!) Porque há entrevistas/conversas que nos fazem acreditar que há “patrões” que têm de mudar mentalidades e urgentemente, porque as condições, os direitos dos trabalhadores/as não podem regredir porque há crise minha gente!!!!!!!!! Não podemos andar para trás vinte ou trinta anos e prejudicar mulheres que são mãe.
E não..Ter o Guilherme não é um problema. É uma alegria grande todos os dias. Mesmo que eu venha dar aulas e tenha de conciliar duas empregradas! E tenha de ligar dez vezes por dia para casa. E tenha de fazer tabelas para saber se ele comeu o iogurte ou a sopa. É sempre uma alegria!

Parabéns Madiba*


Se há figura internacional que gostava de conhecer era o Nelson Mandela. Este grande senhor faz hoje 95 anos e infelizmente a sua saúde já teve melhores dias. Neste momento Mandela encontra-se infelizmente (segundo fontes jornalísticas) praticamente vegetal (as fontes politicas continuam a desmentir).

Africa do Sul passa por momentos de tristeza perante a sua doença e até de apreensão. Manter-se-á a calma entre brancos e negros? Manter-se-á a ordem? Mas também será justo um Homem destes viver assim? Um homem cuja palavra foi sempre a sua força viver “calado”? O homem tribal que se formou advogado, tornou-se presidente e mudou Africa…

Mandela dedicou a sua vida à luta pela igualdade. Mais precisamente dedicou 67 anos da sua vida à luta pela igualdade social. À luta pelo fim do aparthaid. À luta pela liberdade de um país que pode ser um dia fantástico. Que tem tudo para ser maravilhoso mas que neste sofre de um grave problema de racismo. Um gravíssimo problema mascarado pelo aparente fim do aparthaid. Aparente!

Em Março de 2011 estive na cela que albergou 18 anos (dos 27 que esteve preso) Nelson Mandela na Robben Island. Impressionantemente pequena para um homem “taão grande”. Ouvir da boca de colegas de cadeia relatos daqueles tempos é verdadeiramente incrível e faz-nos sentir pequenos perante tamanha capacidade de luta, de perdão, de compreensão, de inteligência. Dessas grandes figuras que só ouvimos falar, de que nos são distantes esta é sem dúvida a minha figura. A que eu adorava conhecer. A que eu admiro! Admiro muito! E a quem eu desejo muitos parabéns*

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Boa news vs tecnologia




A vida nem sempre tem razão e demasiadas vezes comete erros inultrapassáveis. Mas também tem surpresas boas com telefonemas que alegram sábados, ainda que sejam sábados de cacimbo tristes por perdas incompreensíveis.

Telefonemas que nos dão noticias boas que nos fazem recordar que na nossa terra temos grandes amigos com vidas felizes. Que apesar da crise seguem as suas vidas, ainda que com algum esforço, mas com vitórias e conquistas, proporcionando também a quem esta cá, longe, momentos felizes . 

São muitas vezes estes telefonemas que me fazem “voltar lá”. Estar por breves minutos mais perto dos meus. Que fazem com que desapareçam 6mil km. Que um continente inteiro perca importância perante uma boa conversa e que consigamos fazer de conta que estamos bem rentinho aos seus corações.

Haja tecnologia da boa!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A vida tem sempre razão?


Sábado na minha hora do "vegetanço", estava aqui no sofá a ver tv, a fazer zapping quando me deparei com o programa Alta Definição em que a entrevistada era a atriz Joana Seixas. Foi uma agradável surpresa dentro da mediocridade com que os canais portugueses nos têm brindado ultimamente. E a esta hora ainda eu não tinha tido o prazer de ver o JCB a chamar bicha ao touro! Adiante..
Parei então na Sic a ouvir falar da vida da Joana Seixas, porque até é uma atriz que me agrada. E eis que o Daniel Oliveira pergunta-lhe se a "vida tem sempre razão?". À parte da resposta que ela deu, eu pensei na minha. E não, a Vida não tem sempre razão. Aliás a Vida engana-se mesmo muitas vezes. A vida comete muitos erros. E pior que isso é que muitos desses erros não têm volta.
Este fim de semana em particular acho que a Vida errou muito. Durante esta semana, morreu uma amiga dumas grandes amigas minhas, com apenas 32 anos. E assim...de repente. Com 32 anos e uma vida pela frente. E um sonho para alcançar ainda no inicio. Não era pessoa que conhecesse bem, mas isto não me impede de achar que a Vida errou! Errou como erra tantas e tantas vezes. E nós não podemos fazer nada. Não podemos obriga-la a voltar atrás, a corrigir o seu erro, a pedir desculpa. Porque a Vida Nunca pede desculpa. A única coisa que podemos fazer é "ignorar o erro" e andar. Andar para a frente porque a Vida também não para e um dia o erro será em nós. Porque é difícil enganar a Vida..e o tempo..Por isso temos de avançar antes que o erro chegue e aproveitar cada dia, cada sorriso, cada lágrima, cada canção, cada momento. Porque eu quero que o meu erro só chegue quando eu tiver mil memorias, mil canções para recordar, mil momentos para levar....

e vocês...sigam o sonho que iniciaram as três*

terça-feira, 9 de julho de 2013

Saias

 
Quando se fala em tutus versão saia, fala-se disto por exemplo! 
Não quero que fiquem duvidas*

sábado, 6 de julho de 2013

Verão na minha terra

Chegou o verão à minha terra. E chegou em força. Abro o fb e vejo os posts sobre praias sem fim, noitadas quentes e um fim de semana que promete ser forte. E eu fechada em casa em Luanda. E com saudades. E com mais saudades ainda porque adoro o verão no meu pais. Adoro os dias gigantes. Adoro ver o por-do -sol na minha varanda fabulosa nas minhas espreguiçadeiras. Nesta altura ainda custa mais. Custa ainda mais. Julho e Agosto em Angola são para esquecer. De dia não há praia, ou pelo menos praia em condições e portantosssss não há nadinha de jeito para fazer. E em Portugal tudo está ao rubro. É amigas girissimas em casamentos, é amigas em férias no sul, é fotos de esplanadas cheias, é praia, é mar, é sangria, é calor. É o Porto ao rubro e eu em Luanda a ver tv. E tv reles!  É também nesta altura que me apetece bater em quem se queixa do calor!!!!!!!!!!!

Bom verão Porto *

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sexo e a Cidade


Adoro o "Sexo e a Cidade". Mas adoro mesmo! Sempre adorei e acho que agora ainda gosto mais. Ver os dois episódios seguidos na Foxlife, no sossego do meu sofá, com pai e filho a dormir é o meu momento! Só meu! Sempre tive relações estranhas com series televisivas. Relações um tanto ou quanto obsessivas quase. Quando gosto, gosto mesmo, e não me importo de dormir menos horas ou mesmo de deixar de ir jantar fora para ver um certo episódio. Quem me conhece há uns anos sabe bem a "doença" (porque quando chega a isto não pode ter outro nome) que era a minha relação com o "Serviço de Urgência" à sexta-feira à noite. Adiante.
Quando comecei a escrever este post acabava de ver um episódio que tratava uma desilusão amorosa. A Carrie era deixada por uma mulher mais nova, uma modelo gira e magra e alta e fabulosa e o Mr. Big fica noivo dela. E quer ser amigo da Carrie! E as quatro amigas juntam-se a beber uns copos, a tentar perceber os porquês e a animar a Carrie. Este resumo podia ser o resumo de alguns jantares da minha vida. Não especificamente com o tema de alguém "ser trocada " mas também mas com o tema amigas. Amigas que se juntam, que jantam, que conversam, que dizem algumas muitas e que se riem muito. Jantares de baboseiras de gajas que jamais poderão ser reveladas. Esta serie retrata o tema da amizade entre mulheres duma forma fabulosa. Amigas, mulheres, que bebem, que saem, que batalham pelo sucesso, que falham, que procuram um amor (verdadeiro, louco, inconveninente...quem não procura ou procurou?) e que vivem em NY, a cereja no topo do bolo. Como poderiam estes episódios não ser um mito? Já houve alturas da minha vida que não tinha namorado e muitas das minhas noites podiam tentar ser parecidas com estas, à parte de serem no Porto e nem eu nem nenhuma das minhas amigas usar Manolos! Entretanto a vida foi passando e as noites e os jantares passaram a ser diferentes. Nem melhores nem piores, apenas diferentes. Evolução natural da vida e dos episódios. 
Os episódios de hoje foram de ir às lágrimas. A Carrie tinha-se mudado ontem para Paris, para viver com um escultor russo por quem entretanto se tinha apaixonado. E duplo episódio retrata a Carrie, sozinha, enquanto o russo está na vidinha dele, na cidade dos seus sonhos, Paris. Mas infeliz! Perdida, sozinha, triste. Faltam-lhe as amigas, "a treta", a sua vida, a sua cidade. Sim ...e o seu Big. Claro está que nem por estar infeliz ela deixa de estar absolutamente fabulosa com aquelas saias a imitar tutus gigantes que na minha ideia só ficariam bem a alguém gigante. Mas não. A ela ficam! E claro está que à boa maneira da Carrie, no segundo dia se endivida por longos anos da Dior. Curar infelicidades em Paris e na Dior é outro nivel. Em Luanda por exemplo, onde curaria eu uma saudade? A comprar bananas certamente! E claro está que tudo acaba bem porque o Big a vai buscar porque as amigas o mandam e voltam juntos para a cidade que nunca dorme e que lhes pertence. Estes episódios falam de amizades, amizades longas, verdadeiras, quase eternas. E de amores loucos, capazes de atravessarem oceanos. E de vidas que eram duma maneira e evoluem, mas que mantêm ligações inabalaveis. Lembram-me bons tempos passados e tempos igualmente bons de agora! Fazem-me pensar que quem um dia foi companheira de noite e de copos, hoje é madrinha do meu filho. Evolução natural? Acho que sim. Agrada-me pensar que sim. Mas são tempos que deixam saudade.
Quem viu a serie desde o inicio lembra-se das quatro amigas em NY cujas únicas preocupações eram roupas, shoes e gajos. Hoje a serie retrata uma Samantha (que continua doida por sexo) sobrevivente dum cancro da mama, uma Miranda casada, com um filho que vive com uma sogra doente, a Charlotte que não consegue engravidar. A serie evoluiu como a nossa vida evoluiu também. Também já houve casos de cancro, de maternidades, de episódios mais ou menos bons da vida. E até já houve NY nas nossas vidas. Mas a vida mesmo é em Luanda, a três, em família e com saudades do lado de lá!

Mas a verdadeira questão que não me deixa dormir é: será que algum dia irei relembrar bons tempos com as minhas amigas ao Dubai?? Deveremos marcar já esta viagem?