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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

3 Janeiro 2008

Há dez anos atrás, fazia as malas para uma nova vida. Uma vida de casada, noutro país, noutro continente. Abraçava um desafio profissional diferente de tudo que tinha feito até essa data. Tudo mudou na minha vida, naquele dia 3 de Janeiro de 2008. Lembro-me que ia sem medo, feliz, embora deixando para trás todos e tudo. deixava para trás 30 anos de vida, amigos, os meus pais, um emprego. Mesmo nos piores dias, nunca me arrependi desta decisão. Mesmo nos dias que quis vir embora e deixar tudo para trás, nunca me arrependi de ter largado tudo e ter ido. Acho que é um exercício que todos deveriam fazer um dia...começar de novo. Hoje, em 2018, dez anos de "casada", e um filho depois, começo de novo, num país que nunca deixou de ser meu. Hoje, em 2018, peço e desejo-vos apenas saúde, pois com saúde, o começar de novo é sempre possível!

Feliz 2018

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Medithai

Quem me conhece sabe que gosto de massagens. Mas é um gostar intenso, quase que um adorar!!! Mas na mesma intensidade que gosto, sou bastante esquisita. Não gosto de qualquer massagenzita e sou gaja para reparar em todos os detalhes: se o óleo está quente, se elas levantam as mãos, se viram devidamente a toalha, se lavam as mãos antes de massajar a cara, etc etc. E como fervorosa adepta que sou, gosto de experimentar sítios. Gosto de conhecer os spas do hoteis e normalmente faço uma (ou varias massagens) quando vou de ferias. E isto tudo para dizer o que? Que as terapeutas asiáticas são para as massagens como as brasileiras para o samba, basicamente! As mocinhas nasceram com o dom para a coisa. E não há quem as iguale! Quem já viajou para a Tailândia, sabe que falo verdade. Mas, sem excepção, todos os outros países que conheci naquelas redondezas têm esse dom! Fiz massagens absolutamente fabulosas em todos os locais asiáticos que visitei. Fiz uma vez uma massagem no Dubai, com uma massagista filipina, que era obra do Paraíso!!! Ou seja, vale a pena importar uma tailandesa! E foi isto mesmo que a Medithai faz há longos anos... Traz as mocinhas para as melhores massagens do Porto! Hoje, tive o gosto de fazer uma com a terapeuta Ganga (não faço ideia se está bem escrito). Foi incrível! Recomendo vivamente!!

p.s: para grande pena minha, isto não é um post patrocinado. Foi uma massagem oferecida por amigas! Quem tem amigas assim, tem tudo :)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

o dia a dia por cá

A vida vai indo por cá. Numa rotina muito diferente, muito calma e não necessariamente boa. No sábado estivemos numa festa (mexicana por sinal!!) e nessa festa à conversa com um búlgaro que também viveu em Luanda. E claro, as conversas giraram sempre à volta do mesmo. De Angola, de lá, de cá, do que é muito melhor cá, do que fazíamos por lá. E eu dei por mim a pensar, racional e friamente, na dualidade que era ou que ainda é a minha cabeça. Tinha duas vidas, duas casas, dois países. E agora tenho uma casa, um país, uma vida. E parece que esse um, ainda que friamente repito, só possa ser melhor, não completa a falta da outra metade da minha vida. Ou se calhar é só falta da agitação, do corre corre, do cá e lá, do calor e da humidade. Ou se calhar é só cansaço da vida parada de cá. Ou não, não sei. Se calhar gostava mais daquilo do que pensava. Ou se calhar é a velha historia...Só se gosta do que não se tem.

Um dia de cada vez e a dizer à minha criatura que ainda faltam muitossss dias para irmos a Angola
(sim, porque ele pede quase todos os dias para voltar!)

terça-feira, 18 de abril de 2017

10 anos

Faz hoje 10 anos. Faz hoje de dez anos que a minha vida mudou.
Era uma 5ª feira, e uma consulta de rotina para o ok final para Angola. Vacinas tomadas, consultas varias em dia, e estava a quinze dias de embarcar para outro continente. Vinte e nove anos, um namorado e África como horizonte. Naquele dia tudo mudou. Uma simples suspeita duma médica de família amiga que sugere um raio X. Naquele momento achei que algo estaria errado. E no dia a seguir soube que estava. Nunca mais fumei, embora tivesse guardado na carteira o maço daquele dia durante meses a fio. Seguiram-se exames e mais exames, dúvidas, medos, uma operação e uma recuperação. Nunca mais nada voltou a ser igual. Hoje, passados dez anos, dezenas de exames e consultas e mais duas operações, olho para trás e lembro como se fosse hoje aquele dia. Lembro-me onde tinha o carro estacionado! Lembro-me do que pensei enquanto fui fazer o raio X. Lembro-me tão bem de tudo naquele dia...
Lembro-me como era, o que pensava e como mudei. Nada voltou a ser igual, principalmente eu. Lembro-me bem como era aos vinte e nove anos. 
Faz hoje dez anos!

sábado, 28 de janeiro de 2017

9 anos

Estava internada e por isso deixei passar a data, mas na semana passada, quando me recordei achei merecia ser lembrada. Dia 4 fiz nove anos em Luanda, ou melhor, faria se lá estivesse. Faria nove anos de África, de Angola, mas também de "casamento" se assim lhe posso  chamar. Nove anos que nos mudamos de "armas" (quase) e bagagens para Angola, dispostos a tentar a sorte num novo continente, num novo país e a viver juntos. Pode-se dizer que a mudança foi radical! Sair de casa dos pais, em Portugal, na Europa, numa vidinha de filha única, para Luanda, onde a vida há nove anos era muito diferente do que é agora. Foram tempos mais difíceis e com alguns sobressaltos mas bons, daqueles que nos ensinam e fazem crescer! As relações nem sempre e nem todos os dias são fáceis e Luanda também não, mas a história em nós mistura-se. Nós e a cidade, a nossa história e Angola!

9  A N O S 

domingo, 27 de novembro de 2016

Coincidências da vida

Vou-vos contar uma história para acabar bem este domingo. E juro que é tudo verdade...

Havia um menino, que vivia num país africano, chamado G, que em meados do ano, queria uma festa de anos da Patrulha Pata. Quando a sua mãe, enjoada por natureza destes temas, lhe tentou dar a volta, a substituição ainda foi pior, sendo que a escolha recaiu sobre os Minions e o seu mundo amarelo! Meu deus, pensou a mãe!! Qual liberdade de escolha ou expressão, qual carapuça e tentou habilmente tentar levar a criatura G a escolher ou a pensar que escolhia, um tema "bonito"! Sim, eu sei que isto de mudar a vontade da criatura para ter uma festa bonita é vergonhoso! Shame on Mãe do Gui! Em meados de Julho e depois de uma quase derrapagem no Pirata Jake, lá a mãezinha conseguiu que o tema fosse "Piratas" mas na generalidade, conseguindo fugir da Disney. Veio Setembro, a família voou para Portugal, e a festa lá se fez com o devido tema e por sinal, muito bonita! Mas, na vida, nem tudo é como escolhemos, e a sua mãe teve um contratempo, não regressando a família ao país africano, onde o tema da sala do colégio do G este ano, eram as borboletas (WTF de ema!!!). Enquanto a mãe tratava de si, a criatura passou a frequentar um colégio português cujo tema da sua sala, espantem-se... são os piratas! A sua adaptação foi optima e tudo corria bem. No dia que sua mãe teve alta do hospital, a criatura fez a sua primeira visita de estudo e sabem onde? A uma nau, supostamente "ao navio dos piratas"! Nesse dia, ao sair do hospital, à porta do mesmo, estava uma pequena banca com bonecos à venda. Que bonecos? Piratas! Piratas que ajudam crianças a ter uma casa nos intervalos de tratamentos. A banca só lá esteve nesse dia, no dia da alta, no dia da visita. Esta semana, a criatura foi ao teatro. Ver o que? A Terra do Nunca e os seus piratas! 

 Há coincidências? Há piratas!!! 
O meu pirata anda feliz :) 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dois dias antes do dia

Dois dias antes de fazer quatro anos, observo-o. É sem qualquer dúvida, o melhor que fiz em toda a minha vida. Apesar de nunca ter sido o meu grande sonho, ser mãe, sempre foi algo que tinha (quase quase) a certeza que seria. Nunca tinha pensado a sério nisso, mas era algo que existia em mim desde sempre. A certeza que um dia seria mãe. Sem pressas, sem pressões, sem dramas, sem grandes sonhos ou alaridos. Houve depois uma altura que pensei que não o poderia ser, que tive dúvidas e muitos medos. E até ai, o medo, talvez por ser ainda uma coisa incerta não deu muito para pensar. Hoje, vejo-o a brincar com um puto alemão, sem dizer uma única palavra que se entendem e tenho orgulho. Um orgulho desmedido no que ele é. Uma criança feliz! Imensamente feliz! Com um sorriso desmedido por todos o que o rodeiam. Um amor imenso por esta pequena criatura que me faz faltar o ar. Que faz todas as notícias mudarem de tom. Que faz todas as coragens subirem e descerem como se a bipolaridade fizesse parte de mim. Há quatro anos, barriguda que estava, longe de achar que o dia estava tão perto, estava calma e serena. Sem pressa. E assim tem sido a nossa vida. Um dia de cada vez!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

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Escrevo já sentada no banco do aeroporto. Mais uma ficha, mais uma volta. Hoje, de noite, nos trinta segundos que antecederam o meu adormecer, pensei... Ainda ontem dizia que faltava tanto até voltar, até aos novos exames e decisões. Ainda ontem pensava em adiar o pensamento e com isso o problema. Antes disso ainda havia a fabulosa semana de férias, o Kenya, o safari, o mês de Agosto onde todas!!!! as transferências iam sair (iam...ou não!), o recomeço as aulas na sala dos quatro anos..havia um sem número de coisas e momentos que ainda iam acontecer. E o hoje chegou! Num ápice! E cá estou eu a viajar novamente.
Ontem pensava que por isso (sim, e por muitas outras coisas mais) é que Angola "não mata mas mói". Porque da mesma maneira que vivemos o ano em quatro fases distintas (entre idas a casa) como já falei aqui, também da mesma maneira o nosso pico de ansiedade varia em três meses. Subimos nos dias antes ao topo, estacionamos uma semana entre amigos, jantares e saudades, e descemos até ao zero, prontos a recomeçar todo um novo ciclo cada vez que desembarcamos nesta cidade. Nesta cidade onde o calor põe as pessoas loucas! Sim, essa é a única possível explicação para alguns dos últimos dias. Apesar de ainda estarmos no cacimbo!!! Mas é esta montanha russa durante o ano, as quatro descidas e subidas vertiginosas que nos cansam. Que nos envelhecem muito! Que nos moem! Aqui a vida passa a correr, rápida! Ainda ontem cheguei e hoje já estou a embarcar! Eu e uns trezentos chineses que pela conversa vão para não voltar... Nem os chineses querem voltar....


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ainda o Alta Definição


Ainda hoje penso na entrevista. Ainda ontem a relatei durante um almoço. Acho realmente que o Gonçalo Diniz foi grande sem querer ser herói. Foi comovente sem ser lamechas. Foi directo e franco. Muito honesto, também! Mas hoje, enquanto trabalhava calada, lembrava-me de outras frases da entrevista. As frases sobre a mulher dele, Sofia.
Já vi muitas declarações de amor, mas estas foram fortes. Tão bonitas!

Eu, que até não tinha opinião da Sofia Cerveira (nem boa, nem má), fiquei a achar que ela é um mulherão! É daqueles braços que nos levantam quando estamos a cair.
Soube-lhe dar o espaço, o mimo, a paciência, sempre na dose certa, o que imagino que também para ela tenha sido um desafio gigante. Estar lá apenas. Muitas vezes é o estar lá, ainda que sem aparecer, sem falar, que faz a grande diferença.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Coisas que não interessam a ninguém mas que me fazem pensar #2 - Estar grávida na fila




O post de hoje é controverso. Ontem, até lhe chamei “post de queijinho ou de confusão” no fb.
Sei que algumas concordarão comigo, outras acham idiota sequer eu pensar assim.
Ontem, estávamos na fila para comprar bilhetes de cinema, aqui em Luanda. Cinema novo, sitio com qualidade e consequentemente, dezenas de pessoas à espera por algum tempo.
E eis que mesmo quando íamos ser atendidos, os três, surge uma senhora gravida (pouco gravida diga-se a bem da verdade) e passa descaradamente à frente de todos. Quando por nós confrontada, responde naturalmente “estou gravida” e mostra a barriga. Como se a barriga desse direito a tudo.
Pois, na minha opinião, aquela barriga fabulosa, que lá dentro certamente o mais adorado dos filhos, não lhe dá direito a tudo. Ou aliás, dá, mas não deveria dar.
O pai da criança, ou pelo menos, acompanhante da Sra., estava descansadamente cá atrás a ver lojas, enquanto ela, coitadinha, grávida, teve de passar à frente pois não podia estar de pé. 
Ora bolas!!!!!  WTF!!!!

Vamos por partes na escrita. Ponto um: concordo absolutamente com a prioridade. Concordo mesmo a 100%, embora nas trinta e sete semanas de gravidez, muito pouco a tenha usado. Mas sim, concordo. Mas acho que deve ser utilizada em situações do chamado “serviço público, obrigatório”. Acho que devem passar à frente nos hospitais, nas farmácias, nos correios, nos aeroportos, supermercados, padarias etc., nos autocarros. Acho que devem apanhar um táxi primeiro, ou entrar nas casas de banho à frente de qualquer pessoa. Totalmente de acordo!

Agora, “bater perna” no shopping e depois ter prioridade para pagar na Zara?! A sério que a lei portuguesa diz isto?
Uma vez vi uma Sra. grávida, em pleno Mar shopping, a usar da sua fabulosa prioridade para pagar no Macdonalds, e o coitado do rapaz, nem teve coragem de a mandar dar uma grande e maravilhosa curva! Diga-se que a Sra. em questão estava lindamente de sapatos de tacão. Provavelmente aqui era uma situação de desejo incontrolável sob pena do bebe nascer com cara de Big Mac!

Claro está, que como disseram algumas das comentadoras do meu post de ontem no fb, é preciso haver bom senso. Mas não há, minha gente. Lamentavelmente não há mesmo!
E como disse uma grande amiga, é preciso sermos menos egoístas, mais amigos, mais solidários. Concordo! Mas também muito mais respeitadores de quem nos rodeia.

Também houve quem comentasse o meu post com a nova lei portuguesa, que permite a prioridade em todos os serviços. Ainda não tinha tido a oportunidade de a ler e ontem saciei parte da minha curiosidade.
Então a partir de agora, segundo o meu amado país, uma grávida tem prioridade no restaurante, ou até num cabeleireiro. Diz a Sra. Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que “esta legislação é o exemplo de legislação que seria necessária se conseguíssemos aplicar no nosso dia a dia uma coisa simples que se chama bom senso”. 
Ora ai está Sra Secretaria de Estado. Bom senso é uma coisa que se precisa. Até a fazer leis!

Sendo que agora, com a nova lei portuguesa, toda a minha indignação, vai para a “gaita”! Mas fica a minha opinião registada….

domingo, 12 de junho de 2016

12 Junho . 9 anos

12 Junho  de 2007 . 9 anos passados deste dia

Quase nem pensei bem durante o dia.Quase nem me lembro que passaram 9 anos. 9 anos com saúde, depois daquela operação que correu tão bem. Às vezes dou por mim a pensar que gostava que já tivessem passado vinte, se vinte fosse sinal que continuava tudo bem. Outras vezes, penso que gostava de estar apenas no ano a seguir, pois tinha a garantia de oito seguros pela frente. Há pouco tempo, uma pessoa que passou por um problema disse-me "quem tem uma vez cancro, tem para sempre". Concordo. Por muito que os exames corram bem, por muita confiança que se tenha, fica connosco para sempre. À mínima coisa, o fantasma reaparece. Uma simples dor, uma simples infecção, relembram dias, exames, medos. Há 9 anos entrei naquela sala confiante. Hoje, mulher e mãe, quero e preciso, manter para sempre essa confiança, essa força. 

Que os 12 de Junho sejam sempre com saúde. É o que peço...A cada exame, mais seis meses de validade como o grande Dr. Dinis me diz tantas vezes.


outros anos aqui

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ser mãe presente vs work

Correndo o risco de não ser compreendida pelas minhas amigas professoras e educadoras de infância, gostava muito que as do Colégio do meu rapaz, professoras estas que eu até à data, só tenho a elogiar, marcassem actividades extra-curriculares a horários mais simpáticos e compatíveis.

Eu juro que quero ser boa mãe (como se boa mãe fosse ir ao colégio às festas todas), quero participar nas actividades todas, passeios, trabalhos, etc etc e tal, mas marcar programas às quatro da tarde, vulgo 16h por estes lados, é matar-me!

Uma vez de vez em quando é possível, mas três dias na mesma semana? 
Escolher entre projectos/obra e o Guilherme sentir-se órfão...Eis a questão!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Angola e as despedidas

Dos 487 amigos que tenho no facebook não conheço pessoalmente seis. Destes seis, sendo que quatro são situações comerciais, uma é a Margarida. Troquei umas mensagens há cerca de três anos com ela, num grupo de mães. Ela estava gravida, eu já tinha tido o Guilherme. Julgo que já estava em Angola, mas não posso precisar. Ela ia voltar com a bebê. 
Angola, Luanda, e as suas dificuldades, acrescidas pelo facto de sermos (ambas)  mães pela primeira vez aproximaram-nos, ainda que apenas ciberneticamente. Convidei-a no fb, coisa que nunca fiz (mandar convites a quem não conheço!).
Ela regressou e fomos trocando comentários, a maior parte dos quais humorísticos, sobre o transito, os iogurtes, ou o tempo.
Nunca nos vimos, nunca tomamos um café, mas quando soube que ia embora, fiquei a pensar nisso...

A Margarida vai embora e escreveu ontem estas palavras... Não posso e não quero deixar de partilhar.


" Olá Angola,

Já deves saber - porque aqui tudo se sabe - que me vou embora. Vou-me embora em breve, praticamente seis anos depois de te ter conhecido pela primeira vez. Essa primeira e inesquecível vez em que me apaixonei por ti, nem sei porquê: terão sido as tuas incongruências indecifráveis? O teu cheiro inconfundível a terra vermelha de todas as vezes que saí do avião? Serão as tuas pessoas de sorriso fácil? As tuas paisagens de tirar o fôlego? Ou os pores do sol mais rápidos e intensos do mundo? O teu mar azul cantado pela Yola, ou terá sido a música, ah, a música e a dança que me faz vibrar em emoções inexplicáveis. Não sei. Foi tudo isto numa azáfama de emoções que nem me deixava tempo para pensar se estava bem ou não. Estava feliz e pronto. Estava viva, no auge da minha juventude, a viver o destino que para mim escolhera. E o meu destino eras tu.
Deste-me tanta coisa boa. Foste a minha casa, o meu lar, durante estes anos. Foste as minhas ruas, as minhas estradas, as minhas pessoas, as minhas praias. Foste a minha referência. Tive muito orgulho em ti e expliquei-te quando ousaram dizer mal de ti. Foi aqui que me apaixonei, foi aqui que fiz a minha filha, foi para aqui que a trouxe com três meses, cheia de força e contei com a ajuda da melhor babá do mundo. Obrigada por tudo. Obrigada a cada um de vocês que de alguma forma fez parte desta minha aventura.
Também foste palco das maiores agruras, das dores mais fortes e dos maiores sustos e por isso, olha Angola, obrigada. Obrigada por me teres feito crescer.
Obrigada por me teres recebido uma menina e me deixares ir uma mulher.


É tempo de ir.

Até sempre,"

Nunca me apaixonei aqui, nem por Angola, nem por ninguém, como a Margarida.  Também aqui não foram os meu maiores medos.
Mas aqui cresci muito, aqui me fiz mãe, e aqui também fui muito feliz. Aqui é a casa que o meu filho reconhece como tal.
A Margarida é apenas uma, das muitas que me tenho despedido ultimamente. e cada pessoa que vai, amiga, conhecida ou apenas "faceamiga" leva um bocado da nossa esperança, do que era a nossa casa cá e que está a ir embora.

À Margarida desejo sorte! Muita! E tenho a certeza que a vida, um dia, nos pagará um café!














sábado, 21 de maio de 2016

Viagens e viagens com crianças

Já muitas vezes aqui falei sobre o tema. Adoro viajar mas mais que isso, viajar sempre foi algo que encarei como um enriquecimento pessoal.
Claro que é bom (aliás. é "para cima de espetacular!") estar deitado numa ilha de areia branca e mar azul do outro lado do mundo, mas o Viajar com V grande não é bem isso. É isso, mas agregado à lingua que se ouve, à comida estranha que se come, aos cheiros, à arquitetura que se ve. Viajar é todo o conjunto além do bronze. E por isso, sempre fui (e ainda continuo a ser) completamente contra ferias de resorts puras e duras. Embarcar em Portugal num voo charter, aterrar numa qualquer ilha, estacionar no hotel e passados dez dias vir embora.Vir embora sem uma ida à Capital, sem uma excursão, sem um querer ver ou saber mais alguma coisa. Por isso,e por todas as razões anteriormente explicadas por aqui, tentamos sempre conjugar o máximo de coisas numa viagem. 
Perfeito, perfeito? uns dias numa cidade seguidas de um mar turquesa, numa língua estranha. 

Mas hoje, enquanto lia um grupo do FB a que pertenço, onde centenas de mães se ajudam (ou não!) em variados temas, pensei outra vez sobre este tema - viajar com crianças! Mães que têm medo de viajar com crianças,mães que acham que os voos vão ser medonhos, mães que acham que as crianças não usufruem, etc etc.. muitas são as questões levantada sobre o assunto.

No outro dia, falava com a minha comadre (uma delas) que como eu, tem o gosto pelas viagens e ela contava-me que o meu afilhado lhe disse que não se lembrava de Barcelona, a sua primeira grande viagem! Lembro-me bem do (também meu) Pedro falar do carro do hotel em Barcelona, absolutamente maravilhado. E hoje, passados cerca de dois anos, as suas memórias recordam apenas o que nas fotos conseguem ver.
Julgo que isso é muito normal e nem sequer me admirei. A memória das crianças tem  (julgo eu) um espaço temporal ainda curto, relativamente à sua vida. E mesmo uma criança, com uma memória excepcional como o Pedro, chega a uma altura e desliga dessa viagem, concentrando-se apenas na mais recente. 

Mas o que acho acerca disto? Não deveremos nós levar as crianças? Claro que sim! Claro que elas devem ir! E claro que elas, apesar de não se lembrarem, usufruem e ganham muito. Aliás, não tenho qualquer duvida que o Pedro usufruiu de Londres, porque antes já tinha estado em Barcelona. E assim consecutivamente. Quanto mais viajar, mais lucrará, mais ganhará em cada viagem, mais gostará de conhecer cada dia mais e mais.

O Guilherme, por questões que nada têm a ver com férias, cedo se adaptou a aeroportos, aviões, cá e lá, camas diferentes e até meteorologias distintas. E talvez por isso, a qualquer lado que vamos, a adaptação é fácil. Memórias? Provavelmente, (muito!!) não as irá guardar. Mas um dia, quem sabe, vai ter o gosto que nós temos e vai correr mundo!


"uma especie de rapaz de aeroporto"


tentado perceber a explicação do representante duma Tribo da Swazilandia 


p.s: Quanto mais escrevo sobre o tema, mais acho que um dia vou fazer uma mega viagem, e vou levar o Guilherme! 

p.s 2: atenção que com isto, não defendo ferias sem crianças! Nada disso! Nunca as tive mas apenas e só por questões logísticas da minha vida de emigrante. Mas as ferias sem crianças , para mim, acontecerão por algum motivo especial e não por achar que a pequena criatura não aproveita! 
Um safari no Botswana (para maiores de 16 anos) é um (muito) excelente motivo para um exemplo destes :)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quando a mente exagera



Quando as redes sociais exageram! Quando as mentes começam a ficar tão sujas que exageram!  
Dou por mim a ler a TSF e a saber que o FB retirou esta fotografia do perfil duma mãe, pois achou-a inapropriada.

Uma coisa, é a minha opinião, ou se eu publicaria ou não uma foto deste tipo. Provavelmente não! Não o faria. Mas não o faria porque por norma, não publico fotos "mais privadas" quer minhas, quer do Guilherme. Mas achar inapropriada é demais! Não há nenhuma "zona intima" do pai ou da criança exposta. Não tem qualquer cariz sexual ou abusivo!

"A fotografia originou um debate sobre se é próprio tomar banho com as crianças." 

Mas agora eu não posso tomar banho com o meu filho? Não me posso despir à frente do meu filho? Isso também tem caráter sexual e deverá ser reprimido?
Eu tomo varias vezes (pelo menos ao fim de semana) banho com o meu filho. Tomo porque é muito pratico para mim mas acima de tudo, tomo porque é divertido! Brincamos, fazemos jogos, molhamos a casa de banho! Assim foi desde sempre. E assim será mais algum tempo certamente! Não digo contudo, que vou tomar banho com ele daqui a 10 anos. Mas tudo a seu tempo. Neste momento, o Guilherme é uma criança pequena, assim como a da foto, e como tal, não consigo ver mal algum!

Sim, esta criança que até estava doente, e a precisar MUITO de mimo, tomou banho com o pai e a mãe publicou uma foto! Calma com os julgamentos!!!!

Por isso...ocupem e usem o FB com coisas inúteis e fúteis, mas não com coisas MÁS e SUJAS!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Milão

Já fui e já vim. E Milão, como sempre, é fascinante. Não sei bem se é pela feira, ou se é por ser Primavera, mas estas duas ultimas estadias, convenceram-me em relação à cidade.
Esta semana é uma semana completamente. As ruas apinhadas de pessoas ligadas à moda, à decoração, ao design. Tudo é pensado, medido, ponderado em função duma imagem, que a grande maioria das vezes é quase perfeita! Haja gentinha bonita, e bem vestida! 

Foram três dias intensos. Três dias entre fazer viagens de longo curso, ver a feira, encontrar velhos amigos, conhecer pessoas e fornecedores novos, deliciar-me com coisas bonitas (muitooooo bonitas), voar outra vez e ter tempo até de dar um beijo nos meus pais.

Apesar de cansada, muito cansada até, vim feliz e muito preenchida.



http://www.viabizzuno.com/ 


http://www.cassina.com

http://www.poltronafrau.com/en


 http://www.flexform.it/

 

http://www.rimadesio.com/

 http://www.tribu.com/


 http://www.gallottiradice.it/


  http://www.poliform.it/

http://www.classicon.com/


e algumas imagens bonitas do que se vê cá fora....
 



quarta-feira, 6 de abril de 2016

Descubra as diferenças

Sobre o ir e vir, sobre uma semana de férias que não soube a nada, sobre doenças em férias, e mau tempo (muito mau tempo) escrevo depois. Agora descubra as diferenças:


Fotografia tirada à minha pessoa agora no trânsito para casa. Camisola Uterque, colar H&M (19,99€ julgo eu, pois já foi há uns tempos!)


Colar Uterque da coleção actual! 

É nestas alturas que me divirto!

Sem querer e já fazendo juízos de valor, há muito se fala nas cópias que a Zara e outras lojas fazem de grandes coleções. E aí, a maioria das criaturas, incluindo eu própria, agradecem. Relembro com carinho uma blusa que comprei há uns anos, com um fabuloso padrão de limões e laranjas, inspirado nos melhores desfiles da Stella Mccartney. Mas lá está... Era inspirado, não uma cópia exacta e rigorosa. Mas era uma forma de tornar acessível algo não possível aos comuns mortais. 

Agora, copiar um colar e torná-lo mais caro? Qual a lógica, pergunto eu??!




sexta-feira, 13 de novembro de 2015

13 Novembro 2011



13 Novembro 2011

Hoje é um dia especial. Ou deveria ser pelo menos. Ou no mínimo é um dia que terá (e será) de ser lembrado. Faz hoje quatro anos que fui embora. Quatro anos que apanhei um avião de lágrimas nos olhos e fui embora de Luanda. Andava cansada de cá estar, cansada desta vida de emigrante, com saudades do meu pais, e consequência de conjunturas empresariais daquela altura fomos forçados a ir embora de repente.

Um dia estávamos cá, recém chegados de Buenos Aires, recém chegados do tango e da força das aguas do Iguaçu e no dia a seguir soubemos que íamos embora. Não deu tempo para pensar, para despedir, para ponderar. Fizemos as malas e no dia 13 de Novembro, domingo, voamos na Tap para Portugal.
Para quem na altura não queria cá estar, aquele dia custou. A nossa mente (e coração) é estranha. Parecia um filme a passar diante dos meus olhos. A nossa vida de quatro anos cabia em sete malas. Nunca mais me esqueci deste numero. Sete malas eram o resumo da nossa vida de cá.

Os sentimentos eram contraditórios, ambíguos. Estava feliz de voltar a Portugal, apreensiva face ao que me esperava, com pena de deixar os meus amigos de cá, contente de rever os de lá. Confusa, feliz, com lágrimas. O voo foi mais ao menos igual ao meu interior. Uma turbulência tal que houve momentos que achamos que não íamos chegar! O teco-teco que nos levou ao Porto teve alguma (seria/muita dificuldade em passar a grande e fabulosa Ponte da Arrabida. Chovia tanto…O dia era de Inverno puro, duro, e nós, morenos, tostados. 

Faz hoje quatro anos foi assim. Chegamos e fizemos as compras de Natal. Não conseguíamos fazer planos sequer. Quando passou o Natal, vieram os planos. Engravidar, ter um filho, arranjar emprego e ficar. Ou ir até ao Brasil. E passar o Carnaval em Veneza. E ir à neve, e às Maldivas. Voltar não fazia parte dos planos.
Fomos à neve, engravidei em Janeiro, não fui ao Carnaval a Veneza, nem tão pouco às Maldivas. Também não fomos trabalhar para o Brasil. E em Abril, o Nuno aceitou voltar para cá. Voltou em Maio.

E cá estamos, quatro anos depois. Cá estamos felizes os três, em família, em Luanda. A tentar levar… A tentar aguentar, quatro anos depois, a três.