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terça-feira, 26 de março de 2013

Praia vazia



Hoje o dia foi passado a aproveitar o que esta terra tem de bom!
Praia vazia, agua muito boa..Eu e o G a curtir! 
...Vida boa ...

(depois de passar duas horas numa fila à espera que o Sr. Presidente passasse!!!!!!!!!!)

domingo, 17 de março de 2013

Praia 2013


Mas falando em coisas boas, assim boinhas como o sol...
O que eu precisava mesmo (além de não ouvir o Gui tossir mais, mas isso são outro 500!) era um dia de praia! Um dia de tosta a 100%.
Sim, daqueles dias que não se deve ter mas que me sabem pela vida. Um dia passado na canseira entre a toalha e o mar, em que o único problema fosse a areia que teimar em colar.
Precisava mesmo! Porque Angola em Março sem praia…é difícil!
Mas enquanto o meu moço não híper bom vou escolhendo os modelitos para a época que se aproxima! 

E ó que modelitos! 





Cia Maritima sempre no seu melhor!

p.s : preciso urgentemente de um biquíni turquesa! Falta-me!




sexta-feira, 15 de março de 2013

1ª semana


A vida não é um mar de rosas, nem tão pouco um lago. A vida é feita de desafios e da forma como os contornamos, o que inevitavelmente dará aso a momentos tremendamente felizes e outros que nem tanto. Outros ainda que nos farão tremer, ter medo, chorar, etc e tal.
O Gui nunca esteve doente. Em 5 meses e meio nunca teve nada. Como o meu médico disse na ultima semana antes de virmos : "com este inverno, quase bom de mais para ser verdade". Quase quase!
Aterramos no calor, "botamos as patas na praia" e eis que vem a tosse e o nariz entupido. Tosse que não passa. Aterrar num país como Angola e ter de lidar com um "mal" não é bom. Não é bom e põe-me nervosa. Nervosa e ansiosa! Na 1ª semana não podia ser..Nem na 2ª, nem na 5ª! Aqui não, please!Sei que a maioria dirá: "relaxa, acontece a todos"! Mas ao Gui nunca tinha acontecido e acontecer aqui...Dá-me calafrios, por mais simples e usual que seja.
Encho a minha amiga/médica on-line/pediatra on-line de perguntas, duvidas, mensagens. Algumas, tenho a certeza que bem idiotas. Mas ouvi-lo tossir nesta terra não me agrada mesmo.

A juntar a isto, ainda não temos casa. Continuamos na Guest House da empresa do Nuno, numT1 que gentilmente nos cederam sem tempo limite. Mas isto não é a minha casa e eu quero uma! Então onde está a descida de preços que tanto se falava em Luanda? Continuo a ouvir valores iguais aos de sempre, com as mesmas exigências de sempre! Esta semana vimos duas casas, mas ainda nenhuma me agradou. Como se diz por aqui: " Àinda!!" Quero uma casa para montar, para colocar à minha maneira, para ser minha.










quinta-feira, 5 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Maria Design Kids

E no meio da minha pesquisa sobre o que comprar para o bebe deparo-me com esta loja Maria Design Kids e fico........Deliciada!



Parece que com esta crise que nos invadiu e o crescente desemprego muitas pessoas se têm virado para pequenos (que espero que se tornem grandes) negocios para gente pequena!
Tenho encontrado pela net variadíssimas paginas com muita qualidade!
E isto ajuda-me muito :)

A encomenda já esta feita!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cheguei hoje e Tangerinas



Descobri, graças a um amigo, que uma das coisas que mais gosto nesta altura são as tangerinas :-)...e o cheiro que fica nas mãos depois de as comer...saudades......... thanks Rolino!

No seguimento desta saudade colei esta foto no facebook, publicando assim as minhas saudades. Mostrando ao mundo a falta que a minha antiga vida me faz.
As tangerinas, o cheiro delas, as castanhas assadas, o frio e as luvas que nunca gostei de usar.

e esse amigo,que me fez lembrar tudo isto, comenta o meu post assim:
"Tiago Rolino:
as tangerinas e as castanhas são as mais completas lembranças que eu tenho da minha infância!! Imagina: Outono, Cordoaria, 6 ou 7 horas da tarde, 25 anos atrás: as tangerinas nas bancas das senhoras que ainda lá vendiam as frutas, o laranja com o verde das folhas... o cheiro ténue das castanhas acabadas de assar, os pregões, o frémito da hora de ponta, o passear pela mão da mãe a sonhar com os cadernos ainda quase por estrear e com o natal que se aproximava!! Há alguma coisa melhor???"

ok Rolino, fizeste-me chorar no dia que cheguei! Em Angola não há frio, nem Outono, nem tangerinas..............

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Domingo em Sangano



no Miradouro da Lua





em Sangano


Ontem fomos até Sangano....Abriu um barzinho na praia impec....
resultado : um dia top :-)
Agora só falta o NUNO chegar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

saudades

terça-feira, 14 de julho de 2009

regresso.....


De regresso a Luanda depois de um voo para esquecer..

Mas já com saudades de tudo aquilo que deixei para trás! Cada vez tenho mais a certeza que tenho amigos muito mais que fantásticos e uns pais incríveis! Até o meu cão é uma coisa do outro mundo! (Alias disso ninguém que o conheça tem duvida)

Durante uma semana matei saudades de todas as minhas e os meus pitús ,(faltaste tu Miriam),estive com os meus bests (Ana e Miguel),vi o meu pseudo afilhado Tiago que esta fabuloso, vi os meus novos pseudo afilhados de seu nome Tomás (um na barriga e outro já fora de incriveis olhos azuis), experimentei o Costume Villla (parabens Inês, amei) e ganhei cada vez mais a certeza que amo a minha terra, o meu pais e a minha vida portuguesa!

Percorri o Porto à noite com o meu afilhado grande e constatei que não escolheria outra cidade para ter nascido! Nem outro Dj para adorar...

Até as festas da Maia eu adorei.... :-)

Realmente a unica coisa que me faz sorrir hoje és tu Nuno! É estar aqui contigo!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Há dias que marcam a alma e a vida da gente.......


 
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sinto falta....



Sexta feira..à porta um fim de semana de três dias! Três dias de praia!
Ao menos isso! Ando com saudades imensas de estar em Portugal…de estar no meu norte..
Aliás o Porto é o meu Norte! A velha expressão.”Perdeu o Norte” tem verdadeiro significado usada neste sentido. O porto, o Norte é a casa. O Porto de abrigo.
Aqui será mais um fim-de-semana de praia e praia. Talvez uma saída, mas sem as minha amigas! Talvez mais um jantar mas sem aqueles…..

Vocês fazem -me falta! 

Acho que não sou saudosista, mas sinto a falta de estar no meu mundo….

sinto falta de entrar no café e dizer mil “olás”
sinto falta do meu ziggy
sinto falta do café do norte
sinto falta dos fins de tarde as 8.30 (não 20.30) e ainda com sol
da nortada não sinto a falta
sinto falta do céu azul azul azul
sinto falta de perder as horas a dar à língua com aqueles que me preenchem
sinto falta do Sr. de Matosinhos e de tirar bonecos para a Miminhos
aiiii o S.João que aí vem e de Miragaia, que saudades!!!!!!!!!!
sinto falta de cerejas negras compradas na rua
sinto falta de cinema antecedido por um gigante Bic Mac ao domingo e meia hora a ver quem passa no Arrábida
sinto falta de tanta coisa que por vezes pergunto-me se vale a pena sentir tantas saudades….

Por um lado quero voltar, por outro quero outro desafio, outro país…Por outro lado estar aqui permite milhões de coisas que de outra forma não seriam possíveis…Não sei o que quero, não sei o que devo tão pouco, mas sei que trocava estes próximos três dias por uma noite no Sr. de Matosinhos !!!!!!!!!!!!!! J
beijossssssssssssssssssssss

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dia do bilhete de ida..



Fomos assaltados...

Bem, ao fim de um ano e 5meses em Luanda já tardava. Os avisos eram constantes e nós com o velho lema: a nós não! A nós nunca nos acontece nada..Até um dia!

Dormia na praia quando percebi que não tinha a mochila ao lado...Mas ainda há minutos lá estava :-( enfim...dias seguintes passados a distribuir panfletos tentando pagar para nos devolverem os documentos (no mínimo isso).

Pagar para me devolverem o que é meu! custa-me.........custa-me tanto!

Há dias que custa estar cá.
Que quero muito o meu país, que não é perfeito, mas permite o simples "sornar na praia".

Portugal :-) quase quase perfeito!

Saudades de Portugal!

beijos mil

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Malange

Partimos sábado pela madrugada de Luanda...Seguimos a estrada até ao Dondo e depois, seguimos para Norte...O céu clareava e o sol começa a aquecer! Café, não havia!! Normallllllllllllllllllllllllll :-) Perto do meia dia chegamos às Quedas da Kalandula! as imagens mostram....






Amei as Quedas! Não esperava que fossem tão majestosas!

Seguimos para a cidade de Malange, capital da provincia com o mesmo nome. Malange é uma cidade muito pequena, em que tudo se passa ao longo de uma avenida principal. restaurantes aconselhados 2 ou 3! Visitamos 3 e optamos por almoçar e jantar no mesmo sitio : Restaurante Krapi, na avenida!!!





No dia seguinte, despedimos-nos do Hotel Palanca Negra, um4estrelas bastante ........diferente :-) e regressamos a Luanda. O caminho seria outro, para podermos visitar as pedras Negras de Pundo Andongo onde segundo reza a lenda está a pegada da Rainha Ginga! Paisagens incríveis...África no seu melhor!






Desminagem ainda patente em muitos locais em Angola

o meu pé ao lado da "grande " pegada da Rainha Ginga!

A RAINHA GINGA
"Indomável e inteligente soberana (1624-1663) do povoGinga de Matamba e Angola e nascida em Cabassa, interior de Matamba, que altaneira e silenciosa conseguiu juntar vários povos na sua luta contra os invasores portugueses e resistiu até ao fim sem nunca ter sido capturada, tornando-se conhecida pela sua coragem e argúcia. Do grupo étnico Mbundu, era filha do rei dos mbundus no território Ndongo, hoje em Angola, e Matamba, Ngola Kiluanji, foi contemporânea de Zumbi dos Palmares (1655-1695), o grande herói afro-brasileiro, ambos pareceram compartilhar de um tempo e de um espaço comum de resistência: o quilombo. Enviada a Luanda pelo seu meio irmão e rei Ngola Mbandi, para negociar com os portugueses, foi recebida pelo governador geral e pediu a devolução de territórios em troca da sua conversão política ao cristianismo, recebendo o nome de D. Anna de Sousa. Depois os portugueses não respeitaram o tratado de paz, e criaram uma situação de desordem no reino de Ngola. A enérgica guerreira, diante da gravidade da situação e da hesitação de seu irmão manda envenená-lo, tomando o poder e o comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba. Não conseguindo a paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha de Matamba, renegou a fé católica, aliou-se aos guerreiros jagas de Oeste e fundou o modelo de resistência e de guerra que constituía o quilombo. Com sua política ardilosa, conseguiu formar uma poderosa coligação com os estados da Matamba, Ndongo, Congo, Kassanje, Dembos e Kissama, e comandou a resistência à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca de quarenta anos, usando táticas de guerrilhas e de ataques aos fortes coloniais portugueses, incluindo pagamentos com escravos e trocas de reféns. Após a assinatura de um tratado (1656) com o governador geral, que incluiu a libertação de sua irmã Cambu, então convertida como Dona Bárbara e retida em Luanda por cerca de dez anos pelos portugueses, e sua renúncia aos territórios de Ngola, uma paz relativa voltou ao reino de Matamba até a sua morte, aos 82 anos, sendo sucedida por Cambu, continuadora da memória de sua irmã, mas já estava em curso o declínio da Coligação. Dois anos mais tarde, o Rei do Congo empenhou todas as suas forças para retomar a Ilha de Luanda, ocupada por Correia de Sá, saindo derrotado e perdendo a independência, e no início da década seguinte o Reino do Ndongo foi submetido à Coroa Portuguesa (1771). A rainha quilombola de Matamba e Angola tornou-se mítica e foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja memória desafiou tempo, dando origem a um imaginário cultural que invadiu o folclore brasileiro com o nome de Ginga, despertou o interesse dos iluministas como no romance Zingha, reine d’Angleterre. Histoire africaine (1769), do escritor francês de Toulouse, Jean-Louis Castilhon, inspirado nos seus feitos, e foi citada no livro L'Histoire de l'Afrique, da publicação Histoire Universelle (1765-1766). Ainda hoje é reverenciada como exemplo de heroína angolana pelos modernos movimentos nacionalistas de Angola. Sua vida tem despertado um crescente interesse dos historiadores, antropólogos e outros estudiosos do período do tráfico de escravos. Sua resistência à ocupação dos portugueses do território angolano e o conseqüente tráfico de escravos, tem sido motivo de intensos estudos para a compreensão de seu momento histórico, caracterizado por sua habilidade política e espírito de liderança desta rainha africana na defesa de sua nação. Também é conhecida como Jinga, Zhinga, Rainha Dona Ana e Rainha Zinga"


O regresso a Luanda, até à cidade do Dondo, foi feito TODO em terra batida!!! para esquecer!

Sorrisos!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

2h a estacionar e as Quirimbas



Bem...Há dias que mais vale esquecer!

Há dias que só me apetece ir embora e hoje é um deles. Vim de casa e demorei 20minutos a chegar (fabuloso)!
Cheguei ao escritório e demorei duas horas a estacionar!

Hoje é um dia bom para desistir de estar aqui e apanhar o avião para as Quirimbas!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

1500KM em ANGOLA

6 da manha…Partida! Direcção HUAMBO!!!




à hora marcada lá estávamos nós no ponto combinado para partir em direcção ao interior africano, mais propriamente à cidade do Huambo.

Uma hora e 10m depois (e a Pitú já verde!!!!) lá seguimos viagem.

Claro que a esta hora o transito já era imenso e só entramos na estrada a valer já eram 8h30.

Angola começava a aparecer nas fotos e as paisagens começavam a modificar. Imbondeiros aos montes e a maquina sempre a disparar. Desvio na estrada e eis que nos surge um tanque de guerra abandonado! Começam a ver-se os verdadeiros estragos da guerra que tanto fez sofrer este povo!








Primeira paragem no Dondo (Provincia de Kwanza Norte) para os outros jipes meterem gasolina, pois o nosso “lovely” Prado e os seus dois tanques, aguenta esta viagem a brincar J!Enquanto esperávamos, tomamos uma água e umas cucas no cafezinho da vila (pois não havia maquina de café) e ouvimos a história de uns putos fantásticos.
S.L e o seu amigo até cantaram para nós! Parabéns!Um fantástico momento!















Seguimos viagem novamente…Passando Libolo, Munenga até Kibala (Provincia Kwanza Sul) onde já existe um café com uma cafeteira e foi assim possível deliciarmo-nos com uma água tingida fabulosa!!!


Continuamos até Waco Kugo, onde além de conhecermos o “Ninguém” almoçamos uma feijoada!!Nada mal para as 4 da tarde.


imagens da viagem.....

Perto das 20h e já de noite chegamos por fim ao Huambo.

Um bocado de história….

Cidade fundada a 12 de Agosto de 1912 por decisão do Alto Comissário da Republica Portuguesa, General Norton de Matos, e anteriormente conhecida por Nova Lisboa, graças ao Coronel Vicente Ferreira, que em 1927 entendeu este nome por achar que aqui se deveria situar a Capital de Angola, fruto da sua estratégica localização no planalto Central. Chegou mesmo a ser publicado em Boletim Oficial a nova designação como capital de Angola, mas tal nunca chegou a passar do papel.

Povoação fundada pelo rei Wambo Kalunga, e onde repousam os restos mortais do Rei Ekuikui II, o grande rei dos Ovimbundus, o Huambo trata-se de uma localidade com um peso singular na história do povo Ovimbundu e tem hoje cerca de 2.609km2 e aproximadamente 1200mil habitantes.

O nascimento da cidade do Huambo deve-se ao desenvolvimento dos caminhos de Ferro de Benguela concebido para drenar os minérios da região do Catanga para o Atlântico, e dai serem exportados.

Norton de Matos, em 1912, durante a construção do Caminho de Ferro, procurou nos mapas algo que sugerisse um nome para a localidade..Surge-lhe assim um pequeno Forte do Huambo, onde anteriormente se tinham praticado feitos históricos. Assim, aproveitando a magnifica posição geográfica, politico económica e limitar, surge a 8 de Agosto de 1912 a Cidade do Huambo.

Província rica em manganês, diamantes, volfrâmio, ferro, ouro, prata, cobre, minério radioactivo entre outros, possui a maior altitude do Pais, no Morro Moco, com mais de 2mil metros de altitude.

Sábado à noite pouco vimos da cidade…Jantamos (nada bem por sinal) e ficamos um bocado no restaurante/bar Jango Central.

Domingo, novo dia…partida em direcção à Barragem do Gove, tentando descobrir o que de melhor tem esta província.


as placas também não ajudavam muitooooo!

Após uns kms de caminho, um mapa que de pouco servia, (desculpa Pedro, mas o mapa era confuso) e muitas perguntas a quem passava, percebemos que a barragem era “perto perto..3minutos..sempre em frente!!” estes 3minutos para quem não tem, nem nunca teve relógio é uma medida estranha..Mas..seguimos em frente e duas horas depois encontramos a albufeira da barragem!


...a missa na aldeia..................

Lá almoçamos tipo piquenique e regressamos à cidade! Mais duas horas de picada e o Prado sempre em grande..De regresso á cidade fomos finalmente dar uma volta. As marcas da guerra, e do famoso cerco de 55 dias ainda são visíveis, mas segundo opinião geral de quem cá vive, são mínimas comparadas com a destruição de 1993. Nos últimos anos são patentes as reconstruções efectuadas no Huambo e o centro da cidade possui hoje belas ruas e edificios recuperados..


consequências do cerco dos 55dias.....

Jantar novamente no Jango Central e para nossa surpresa(além da boa comida de hoje) era noite de karaoke!

“Músicas dignas de ser auscultadas” foram a alegria do fim de semana!!!

Segunda feira, regresso a Luanda..Mais 600km de África!

Waca Kungo

Artigos vários….Huambo!

UMA CANÇÃO…

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Paulo de Carvalho e Rui Monteiro


Carta a um antigo amor
Saudosa Nova Lisboa de outros tempos:

Com o nome de "Cidade do Huambo", nasceste adulta em pleno mato. Foste um dos sonhos do genial visionário Norton de Matos, que aproveitou a inauguração de novo troço da linha férrea que rasgaria Angola até à fronteira Leste, para a sua solene fundação em 21 de Setembro de 1912. Nem todos previram o enorme alcance da extraordinária medida. Muitos a criticaram até, desabridamente.


Mas a tua implantação no Planalto equivalia a injectar no interior de Angola as energias que o levassem à floração plena. Estavas pois fadada para nobres destinos. Aconteceu porém o pior: a Grande Guerra de 14-18 mergulhou o mundo na destruição e debilidade.

Assim, só em 28 recebeste desvelos governativos e, mesmo estes, mais virtuais do que efectivos. Quando em 34 cheguei ao Huambo, foste para mim uma rotunda desilusão: vagueava no vago aglomerado, à procura do que deveria ser uma cidade. Não passavas porém de um esqueleto desconexo: casas incaracterísticas semeadas a esmo, sem o mínimo de condimentos urbanísticos. De dia, espreguiçavas-te ao sol dardejante do planalto; à noite, raros candieiros de gasómetro eram débeis pirilampos pregados no escuro.

Algo havia em ti, contudo, que se insinuava dentro de mim: a pouco e pouco, insidiosamente, foste-me conquistando. Só mais tarde me dei conta da transformação: fora afectado pelo feitiço angolano, refinado pelos teus atractivos. Numerosos, envolventes, dominadores...

Jovem professor de Letras, a convivência com a juventude espicaçava os comuns anseios de ver Angola e de te ver a ti a voardes alto: envolvi-me ardorosamente nos estremeções do teu despertar para o progresso então possível. Lisboa enviou finalmente o Plano Geral de Urbanização. A sua implantação iria empolgar já não apenas os respectivos responsáveis e alguns enamorados por ti, mas uma grande fatia da população citadina. Foi um fervilhar febril, abriram-se ruas, rasgaram-se avenidas, lançaram-se jardins. Obras do Estado e prédios de particulares brotavam a ritmo nunca visto. De menina mal-feitona converteste-te em donzela ciosa das suas potencialidades, empenhada em se valorizar por todos os meios.

Cada vez mais cativante e acolhedora, atraías simpatias e investimentos; inspiravas confiança e solidez; em número galopante, os teus residentes e muita gente de fora deixaram-se contagiar pela febre realizadora - economias possíveis, apoios de cooperativas e empréstimos hipotecários, eu sei lá... Foi bonito acompanhar essa fase do teu crescer e do teu aformoseamento. Por isso te apontei como exemplo de lançamento de novas terras. Eras bem um modelo de como Angola se valorizava, às vezes pelo contributo privado mais do que por directa intervenção do Estado. Devolvíamos a Angola - com alto juro e dividendos - o que de Angola colhíamos com enorme esforço, vivo apego e forte determinação. O ritmo do teu crescimento causou inevitáveis desequilíbrios. Mas conseguiste emendar os mais salientes. Enriquecias em património, em nível intelectual e escolar, em cooperativismo, em solidariedade - o que, tudo somado, te vincou inconfundível personalidade. Ao teu redor, um diadema de rainha: era a constelação de terras bonitas que contigo partilhavam progresso, paz, promoção social das populações planálticas. No seu conjunto - brancos, mestiços e negros - tinham conseguido um milagre singular: converteram o grão pobrissemo do milho, em riqueza para produtores e negociantes. Quanto vale o esforço bem ordenado, a persistência no trabalho, o comando honesto, o carinho pela terra! Porque as tuas gentes praticavam tudo isso espontaneamente, eras um centro irradiante de prosperidade e bem-estar. Se te tivessem deixado continuar nesses trilhos, aglutinando cores e igualizando as pessoas em direitos, condições e meios, serias hoje uma das urbes cimeiras de todo o Continente Africano. Superando-as a todas na vastidão dos teus horizontes infinitos e pródigos para qualquer lado que a gente se virasse. Terra querida, fadada para tocar os céus, ó minha flor de altura! Por que fatalidade és hoje um holocausto de destroços e aniquilação? Será que, ao cair das primeiras chuvas, os cosmos, os lírios e os cólios brotarão da terra, a devolverem-te a esperança?


Por mim, acredito que ressurgirás das cinzas: a tua alma não morre, minha bem amada!

J. MARTINS LOPES

in "O LOBITO" (Set/1999)

beijos mil directos do interior africano

Pitú